A capacidade do homem moderno de produzir gadgets sempre foi um mundo a parte pra mim; sempre estabeleceu em minha tenra cabeça de moleque a minha conjectura de um futuro esplêndido de coisas novas, onde pudéssemos sempre dar vazão as nossas criatividades e, perplexos, estimaríamos sobre a peças faltantes para completarmos o nosso quebra-cabeça.
Sempre imaginei a criatividade do homem como a mola propulsora para abrir novos desafios, descobrir novos horizontes, detectar novos olhares de ver a vida.
Quando iniciei a jogar Poker, logo vi que estava me deparando com um jogo em que mais do que os cálculos inerentes em cada jogada, era necessário uma dose extra de criatividade que aumentasse a complexidade de análise do jogo, dosando dúvidas em cada mão e assim dificultando as ações dos adversários.
Um dos amigos que o Poker tem me proporcionado (um Arapiraca sem tamanho), conseguiu definir com uma criatividade fora do comum a essência daquilo que o Poker bem jogado deve produzir: a dúvida. A sua frase, simples como a água moldada pelos obstáculos que encontra pelo caminho, é magnânima, brilhante e eficaz para traduzir a sua jogada: “às vezes, às vezes não tem...”, acho-a sensacional, genial! Numa frase tão simples e curta, ele conseguiu expressar toda a filosofia de um grande jogador de poker, a de gerar dúvidas na cabeça do adversário!
Fosse apenas uma brincadeira e um achado feliz, não estaria enaltecendo-a como algo genial e poderoso. Apesar do apelido ser condizente com algumas jogadas que ainda insiste em fazer, esse moleque do Arapiraca, se dedicar um pouco mais, esforçando-se e e humildemente se prontificando a reconhecer as suas fraquezas, mas não aceitando-as jamais como destino e sim como pontos a serem melhorados, não tenho dúvidas de que será um excelente jogador.
E falo isso tão sinceramente, que se ele se aprimorar, sou sócio dele em qualquer parada!
Claro, paradas de 50 centavos bem dito! Arapiraca, pense nisso...
Bom vamos ao jogo, nesta última sexta-feira, engatamos numa sessão de Omaha; para fazer a vontade do esquecido Italo, no meio da sessão apareceu o nosso grande Chip Hunter. Mas só que jogar um jogo desse com o Arapiraca é muita desvantagem. Tudo que ele precisa num jogo é ter draws para gerar o tal de "às vezes tem, às vezes não tem...". O omaha é praticamente um draw eterno então o edge é imenso e aí, para variar, ele colocou o Chip Hunter para trás em poucas mãos,....aliás não somente para trás, mas muuuuuitooooo para trás! Aí, a pedido do Chip Hunter aumentamos os blinds e mudamos a modalidade e voltamos para o bom e velho Texas, que possibilitou ao malandro do Chip Hunter a sua forra e ao Arapiraca o colocou à frente das balas.
Para finalizar, vale a pena relembrra seguinte mão: num flop 9,6,4 eu tinha 6,Q off; o Arapiraca betou o flop eu dei um flowting call, o turn trouxe um outro 9 seguido de uma nova aposta forte do Arapiraca... Como ache que não tinha draws na mesa, eu o coloquei num range de mãos AJ até A,K portanto tive que dar o call. E o river trouxe outro 4 e agora um bet monstruoso do Arapiraca. A análise que fiz é que se a mão dele fosse suficientemente boa para ganhar a parada, não faria sentido o bet dele, aliás muito alto, portanto cheguei a conclusão que deveria pagar, respondendo na mesma moeda: “As vezes paga, as vezes não paga....”. Fiz questão de devolver o bet dele, pois ele é um Arapiraca, mas demos muita risadas o que para mim, está suficiente...
( Saudações palestrinas )
Rocft
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