Não querendo frustrar os incautos, aviso-lhes que essa redação é sobre Poker...O texto é de um jornalista que não me lembro do nome agora, com algumas alterações minhas.
"O Poker nunca deixará de ser um jogo - mas é o mais fascinante de todos. É, porém, mais do que mera distração. Trata-se, isto sim, de sofisticado exercício de administração financeira. O jogador, ou melhor, o administrador, ao sentar-se à mesa recebe, em fichas, o chamado cacife — ou seja, o orçamento a ser administrado nas horas seguintes em jogadas chamadas mãos.
O jogador é dono de seu nariz, de suas fichas e de seu dinheiro, o instrumento da acumulação ou da dissipação do capital inicial. Dito assim parece fácil e, realmente, fácil é a sua mecânica.
A hierarquia do jogo logo se aprende. Mas o universo do Poker não se limita a isso, envolve extrema complexidade psicológica, cujas informações a partir de sua análise refletirão na capacidade de decidir. Cada gesto, cada movimento de pálpebras, cada olhar, cada entonação de voz tem seu valor relativo. Leva-se também em conta o histórico dos jogadores em disputa das mãos.
O jogador, ali sentado, vira um artista, não no sentido usual, mas como o é o administrador na vida real: Dissimula, negaceia, resvala, negocia, recua, avança. Ou seja, quando lhe convém, é impetuoso, agressivo e devastador seja na aposta, seja no blefe, instituição típica do Poker.
Segundo alguns, o Blefe, quando bem aplicado, só se compara ao orgasmo.
E chega à quintessência do prazer quando o jogador esperto, percebendo que o outro está blefando, repica-lhe com outro blefe — o chamado Blefe sobre Blefe. Inenarrável!
O Poker imita a vida. Deixa a nu a agressividade devastadora do tímido, o embaraço melancólico do arrogante, a altivez do perdulário, a racionalidade não compreendida do metódico, o non sense do romântico, a insensatez do pragmático, a falta de prática do teórico, a verdade do cético.
Chip Hunter - In search of Excellence (in Poker)
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