terça-feira, 30 de junho de 2009
Expectativa Matemática no Poker! O que é isso mesmo?
Embora na maioria das vezes não precisamos fazer qualquer cálculo para deduzirmos sobre o valor de nossa mão diante das apostas feitas pelos nossos adversários, é interessante saber que existem ferramentas matemáticas simples que calculam as chances de você estar na frente ou atrás em determinadas situações encontradas num confronto em uma mesa de Poker.
Para abordar o assunto, estou postando o texto abaixo, retirado da "Teoria do Poker", do Sklansky, traduzido pelo "Clube do Poker" e editado por mim, para adequar-se ao nosso jogo. Vale a pena dar uma lida se você gosta de saber que sempre existirão teorias que endossam as suas boas jogadas e repreendem as que você não deveria insistir em repetí-las.
Vamulá então!
Expectativa Matemática do Jogo
Expectativa matemática pode ser simplificada como a quantidade média de ganhos ou perdas de suas apostas, considerando uma amostragem suficiente para que os efeitos do acaso sejam desconsideradas. É um importante conceito, pois é a ferramenta com a qual você conseguirá avaliar a maioria dos grandes problemas relacionados ao Poker.
Vamos voltar àquele jogo de cara e coroa, que é simples, mas bastante elucidativo para o propósito. Se você está com um amigo jogando uma moeda (não viciada) pra cima num cara ou coroa e quem ganhar leva R$ 1,00 a cada aposta. Você ganha com “cara” e ele com “coroa”. Como sabemos, a probabilidade de sair “cara” é de 1-1 (50%), e você está apostando 1-1. A Sua expectativa matemática é precisamente ZERO, pois você está apostando o mesmo valor para uma probabilidade igual de vencer ao que tem o seu oponente. Isso significa que em termos estatísticos a quantidade média de ganhos de suas apostas é ZERO, pois você a expectativa matemática nem é boa e nem ruim. Para o ponto de vista de um jogador, essa proposição não é ruim nem boa, ela é apenas perda de tempo.
Vamos imaginar agora que o seu amigo aceite que esse mesmo jogo tenha uma aposta na relação de 2-1, ou seja, se virar “cara” você ganha 2 e se virar “coroa” ele ganha 1. Veja que agora a sua expectativa matemática é de 50 centavos por aposta. Porque 50 centavos? Na média você vai ganhar uma aposta para cada aposta que você perder. Você aposta R$ 1,00 a primeira vez e o perde. Você aposta R$ 1,00 a segunda e ganha R$ 2,00. Você apostou R$ 1,00 duas vezes e você está R$ 1,00 na frente. Cada um desses R$ 1,00 apostados ganhou 50 centavos.
Então, se você jogar, por exemplo, 500 vezes com essa expectativa matemática a seu favor, você terá um ganho estatístico de R$250,00! Se você jogar 5000 vezes, você terá R$2.500 como ganho estatístico! Você sempre deveria querer jogar com vários amigos assim!
Note, no entanto, que a Expectativa Matemática nada tem a ver com resultados de cada aposta. O seu amigo poderia ganhar as dez primeiras apostas no jogo de “cara ou coroa” seguidas, mas ainda assim, como você tem 2-1 de probabilidade, você continua ganhando estatisticamente 50 centavos por R$ 1,00 apostado. Não faz diferença ganhar ou perder uma série específica de apostas desde que você tenha Cacife suficiente para cobrir suas perdas “aleatórias”, porém que serão facilmente recuperadas no longo prazo (diante de uma amostragem de apostas suficientes para que você possa desconsiderar o acaso dos resultados). Se você tem certeza de que a sua expectativa matemática é positiva, você deve continuar o jogo, que no final a estatística lhe dará o ganho aproximado segundo a soma de suas expectativas.
O significado dessa análise é umas dessas coisas tão importantes em termos de tomada de decisão que não vejo como um jogador que queira ter algum sucesso no Poker possa negligenciá-la. Portanto, preste atenção máxima nessa afirmação:
“Todas as vezes que você aposta com a probabilidade a seu favor, você ganha estatisticamente naquela aposta, você tendo ganhado ou não a aposta. Do mesmo jeito, quando você aposta com a probabilidade contra você, você perde estatisticamente, não importando se você ganhou ou não a aposta.”
Se você não entendeu completamente esse significado, você deve refletir novamente o conceito até que sua compreensão fique totalmente clarificada.
Simplificando, se você tem uma expectativa matemática positiva, você deve entrar no jogo e apostar, do contrário, com expectativa matemática negativa, quando a probabilidade está contra você, você não deve aceitar a aposta. É essa a explicação, digamos mais técnica, do porquê deveríamos na maioria esmagadora das vezes, somente aceitar ou apostar com cartas “jogáveis”, ou seja, as cartas que você julgue estar com a expectativa matemática positiva. Ir com 2 e 7 é estar com expectativa matemática positiva ou negativa?
Apostadores profissionais na maior parte das vezes apostam quando tem expectativa matemática positiva. Quando estão com a expectativa matemática negativa eles passam.
Vamos complicar agora um pouquinho a análise sobre expectativa matemática:
Uma pessoa escreve um número de 1 a 5 num pedaço de papel e aposta R$ 5,00 contra o seu R$ 1,00 que você não consegue adivinhar o número. Você deve apostar? Qual a sua expectativa matemática?
Quatro suposições estarão erradas e uma certa em média. Conseqüentemente a probabilidade contra a sua suposição correta são 4-1.
Há bastante chance de numa tentativa isolada você perder o seu R$ 1,00 apostado. Entretanto você tem R$ 5,00 – R$ 1,00 numa proposição de 4-1. Isso significa que estatisticamente a cada 5 apostas, você ganha uma e perde 4, mas ganha R$1,00, pois na que você ganhou você recebe R$5,00 na aposta de R$5,00-R$1,00. Então a probabilidade está a seu favor, você está com a expectativa matemática positiva, e, portanto, você deve apostar! Isso quer dizer que tem 20 centavos por aposta de expectativa positiva! Você provavelmente já ouviu algum jogador dizer que tem Odds para pagar uma mão. O que ele está querendo dizer é que, segundo os cálculos que fêz, ele possui expectativa matemática positiva para pagar essa mão. Na prática não fazemos esses cálculos na ponta do lápis pois isso inviabilizaria o jogo em si, mas deveríamos ter pelo menos uma noção de quão perto estamos para entrarmos no pote somente com tal expectativa matemática.
Expectativa Matemática é o coração de toda situação em que você tem que decidir algo e quer ter alguma vantagem!
Expectativa Matemática no Poker
Vamos analisar agora como a expectativa matemática pode ser analisada num jogo de Poker.
Vamos dizer que você está com um full house. Um jogador a sua frente aposta. Se você sabe ou tem a percepção de que se você repicar a aposta aquele jogador vai pagar, então repicar parece ser a melhor jogada. Entretanto, nesse mesmo repique outros dois jogadores antes de você certamente fugirão. Por outro lado se você somente pagar a aposta do primeiro jogador, você sente que muito provavelmente os outros dois irão também pagar. Dando repique você ganha uma unidade (apenas um jogador paga), mas apenas pagando, você agora ganha duas unidades. Portanto, apenas pagar nessa mão tem uma expectativa positiva maior e é a melhor jogada.
Uma situação um pouco mais complicada.
Você fez um flush, e você imagina que o jogador à sua frente tem dois pares e aposta. Há outro jogador atrás de você na mesma mão o qual você imagina que tem uma mão pior do que a sua. Se você repicar a aposta, o jogador atrás de você vai foldar. O apostador inicial provavelmente também irá fugir caso ele tenha mesmo dois pares, mas se ao invés disso, ele tiver um full house, ele vai repicar em cima de você. Nesse exemplo, repicar não só não te dá uma expectativa positiva como na verdade te dá uma expectativa negativa! Se o apostador inicial tiver realmente um full house e repicar em cima de seu repique, a jogada irá te custar duas unidades caso você pague o repique dele e uma unidade se você foldar. É por isso, que tecnicamente é errado apostar quando fazemos flush e existe uma carta dobrada!
Tomando o mesmo exemplo, se você não fizer o flush na última carta e o jogador a sua frente apostar, você poderá blefar, repicando contra certos oponentes. Seguindo a mesma lógica da situação de quando você fez o flush, o jogador atrás de você foldará e o apostador inicial que está com apenas dois pares também deve foldar. Nesse caso, atribuir uma expectativa positiva (ou menos expectativa negativa do que foldar) vai depender de como você está sentindo a mão, qual é o tamanho do pote e a leitura que você faz de que o apostador inicial não tenha um full house e apenas dois pares. Isso requer obviamente a habilidade de ler mãos (range) e ler jogadores. Nesse nível, expectativa matemática torna-se muito mais complicada do que quando se está jogando uma moeda para o alto.
Entender a expectativa matemática te dá um senso para equilibrar perdas e ganhos. Quando você faz uma boa análise e calcula que tem uma expectativa negativa naquela mão, você sabe que ganhou estatisticamente, ou seja, salvou uma quantia específica de seu cacife.
Quanto mais você jogar com expectativas positivas, mais vencedor virá a ser, e quanto mais com expectativas negativas, mais perdedor. Obviamente, deve-se sempre tentar maximizar as expectativas positivas e minimizar as negativas para que se tenha a estatística matemática melhorada.
Chip Hunter
segunda-feira, 29 de junho de 2009
A construção de sua Imagem
A imagem, como o próprio nome indica, é aquilo que reflete na mente de nossos adversários quando nos olham e percebem em sua memória aquilo que já fizemos numa mesa de Poker. Com esses dados em maior ou menor detalhe que depende do grau de observação que tem o seu adversário, você estará formando as informações necessárias que serão utilidadas contra você em determinado momento que dependerá também da característica de cada adversário. É justamente a esse fato que todo jogador deveria se ater sempre, a todo momento, ou seja, estar ciente de que está sendo observado pelas suas jogadas, seus blefes, os tells. Como essa imagem vai sendo construida aos poucos, de modo constante, você vai poder sempre reparar durante as sessões subsequentes o grau de percepção que seus adversários estão conseguindo captar sobre a sua maneira de jogar, se o percebem como jogador tight, loose, que entra em tilt sempre que perde uma mão, se senta nas fichas após ganhar uma boa mão, se é observador e, portanto, está constantemente prestando atenção às jogadas, se tem conhecimento teóricos sobre o jogo, se vem levando bad beat constantemente (bad runs), se o seu bankroll está no limite, se está pressionado em não perder e várias outras observações que pode fazer durante as sessões que jogar com o mesmo jogador.
Então se temos ciência disso o que deveríamos fazer sempre em nossas sessões de Poker? Exatamente o contrário daquilo que nossos adversários vêem como nossas fraquezas! Na verdade, o processo é um pouco mais complexo, na medida em que cada um de nossos adversários tem percepções diferentes sobre a nossa imagem, atribuindo graus variados de importância sobre cada uma das observações feitas. Portanto, no limite de nossas qualidades como jogador de Poker, deveríamos estar sempre atentos em como a nossa imagem é percebida por cada um de nossos adversários e, agora sim, utilizar as armas que melhor contrapõem os seus golpes. É, no fim, analisar primeiro aquilo que o nosso adversário pensa sobre nós, como jogadores.
Na medida em que você neutraliza essas jogadas, você criará na mente dos adversários a sensação de que tem o controle da situação a cada mão que que participa. Não importa se perdeu ou ganhou a mão, mas o que fica é que sempre será dado a você um grau de força que só a tem quem demonstrou durante as sessões passadas um padrão sólido de jogadas, mas de difícil interpretação, pois você saberá lidar com essas análises de seus adversários sobre você mesmo. Na medida em que isso ocorre, vai crescendo também, naturalmente, a sua auto-confiança sobre como jogar com cada um dos adversários. É um círculo virtuoso. A sua auto-confiança propiciará a você jogar cada vez mais o jogo certo e os resultados virão, mais cedo ou mais tarde.
O que não se pode é destruir esse arcabouço que você vai construindo e que leva tempo, em paradas que sintomaticamente levam os seus oponentes a crer que você teve uma recaída. É como a confiança, honestidade, a amizade, visões que se constroem com o tempo e apenas um deslize pomos tudo a perder. E aí você percebe que a sua imagem enfraqueceu, você vai se irritar com as insinuações de que voltou a ser um Arapiraca, vai começar a jogar mal, vai ficar constantemente marcado e, mesmo quando está com cartas boas, vai perder. Voltamos ao círculo vicioso.
Ganhar o devido respeito de sua imagem leva tempo. Portanto, não perca a oportunidade de dar o primeiro passo na construção de sua imagem!
Uma das coisas que mais vejo em jogadores principiantes é o gosto por mostrar as cartas após encerrar-se a mão. As razões são as mais estapafúrdias possíveis, como "Quero mostrar para dizer que não blefo" ou "Vou mostrar o blefe para quando tiver as cartas ele achar que ainda estou blefando" ou "ele é meu amigo e não quero passar a imagem de que o roubei" e por aí vai. Por definição, não se deve em hipótese alguma, mostrar as cartas desnecessariamente.
Fazendo isso você estará omitindo informações preciosas para seus oponentes. Se você mostra, você está dando essas informações a troco do quê? Você pode até imaginar que mostrando as cartas você poderá trapacear os seus oponentes futuramente, uma vez que você poderá jogar diferentemente em outras ocasiões...Esse pensamento faz parte da galeria dos Arapiracas. Pode até funcionar quando você está jogando com alguém que você provavelmente não mais encontrará além daquela sessão e, portanto, você pode enganá-lo na próxima mão.
Mas se você joga com as mesmas pessoas durante muito tempo, existe o conceito de legado de pensamento, a que todos, invariavelmente todos, estamos condenados: Nós sempre seremos aquilo que construímos ao longo do tempo, por mais que você queira mudar essas características. Se você constrói o seu jogo de uma maneira e paulatinamente vai revelando aos outros, mesmo que aos poucos, a construção dessa imagem (ou dessa maneira de jogar) vai sendo também construída subliminarmente no subconsciente daqueles que o vêem. E eles, os seus adversários saberão tirar proveito dessas informações em momentos certos. E é praticamente impossível você controlar isso a seu favor, pois faz parte intrínsica da sua psiquê. Isso vem à tona na seqüência dos jogos. E agora você saberá porque na sequência dos jogos você perderá mais do que ganhará, a não ser que você comece a fortalecer a sua imagem agora mesmo!
Chip Hunter
Observando a si mesmo!
"Enquanto você está observando seus oponentes na mesa, quantas mãos eles jogam, que mãos eles mostram no showdown, qual o perfil de suas apostas e qualquer outra informação que você possa obter, tenha certeza de que também esteja prestando atenção na pessoa mais importante dessa mesa – você. O seu oponente sentado à sua direita se envolveu em aproximadamente 10% das mãos que você decidiu jogar. Você irá ter se envolvido em 100% das mãos que decidir jogar e o que seus oponentes farão nessas mãos, é determinado em boa parte de como eles vêem você jogar. A imagem que eles fazem de você. E quanto melhor eles forem, mais suas jogadas serão em função do seu estilo de jogo. Então sempre se pergunte:
1: Quantas mãos eu venho jogando?
2: Das que eu joguei, quais eu tive que mostrar (showdown)?
3: O que um bom jogador pensa de mim a essa altura da sessão?
Não é porque você está tentando jogar consistentemente num certo estilo, que significa que você está sendo percebido pelos outros jogadores dessa maneira. A percepção pela mesa pode ser diferente do estilo que você imprime a seu jogo. Vamos dar uma olhada numa mão onde a percepção da mesa é diferente do estilo que você tenta impor a seu jogo.
Exemplo:
Você decide começar uma sessão jogando tight, de maneira bem conservadora e gradualmente ir soltando seu jogo, construindo uma imagem conservadora. Suponha ainda que nas quinze primeiras mãos você vem quatro vezes com excelentes cartas, par de reis, par de damas, e duas vezes ás e rei (AK). Você aposta com essas mãos, pega bons flops pela frente e vence as quatro. Nenhuma das vezes você mostra as cartas após vencer a mão. No final dessas quinze primeiras mãos você dobra suas fichas.
Análise: Do seu ponto de vista, você não fez nada de anormal, jogou seu jogo tight. Não é culpa sua que você por quatro vezes veio com ótimas cartas. Mas do ponto de vista de seus oponentes, você é um jogador louco e tiltado e que está tentando imprimir o seu estilo “loose” a mesa e tentando roubar potes demasiadamente. Eles não viram nenhuma mão sua, por isso pensam dessa maneira. Eles só viram você dando raise e re-raise por várias vezes.
Se você mudar a partir de agora sua estratégia de jogo e começar a jogar mais solto (loose), jogando mais mãos, agora que os blinds já subiram, essa estratégia não será bem sucedida, não funcionará. Você vai começar a jogar mãos marginais exatamente quando seus oponentes acharem que você deve parar de fazer isso. Quando você jogar com suited connectors, alguém certamente irá repicar em você com qualquer mão razoável. Você começou a jogar de maneira tight, mas a sua imagem na mesa se tornou de um jogador “loose”. Então o mais certo agora é continuar o jogo de maneira tight, mais tight ainda do que antes, pois suas grandes mãos certamente serão pagas pelos seus oponentes.
Por isso é sempre bom ficar ligado não só apenas no estilo dos oponentes, mas também na imagem que passamos para a mesa, pois é através dessa imagem que podemos saber o “timing” de blefe e se seremos pagos em muitas das vezes".
Chip Hunter
domingo, 28 de junho de 2009
Como você encara o Risco?
Outros ensinamentos nos garantem aquilo que já sabíamos de outras atividades que requerem atenção e concentração: quando jogamos cansados temos a sensação de que as boas cartas já não vêm com tanta frequência dificultando as nossas ações perante adversários que apostam incessantemente. Preocupações extras e crônicas também são alvos de desconcentrações pontuais que podem ser decisivas no resultado da sessão.
Na medida em que mais jogamos Poker e se somos pessoas realmente com vontade para melhorá-lo mesmo que gradualmente, esses ensinamentos, de alguma forma, vão fazendo parte de nosso arsenal de táticas e estratégias as quais nos darão a sustentação informativa para decidir de acordo como as percebemos até no momento da aposta.
Apesar da grande gama de informações que construímos, elas, provavelmente, nunca serão suficientes para decidirmos pela melhor jogada (desistir da mão, apostar a mão, subir a mão, blefar), pois, como já descrevemos em posts passados, são informações baseadas em conjecturas e inferidas indiretamente através do conhecimento dos instrumentais descritos no primeiro parágrafo desse texto.
Se a decisão pela melhor jogada nem sempre é factível de ocorrer e mesmo que a interpretemos corretamente e façamos a jogada de acordo com essa análise, ainda assim podemos perder a mão devido as variâncias intrínsecas do Poker, resta-nos optarmos por aquilo que chamo de “Ponderação ao Risco”. Fundamentalmente é sobre o quanto cada jogador está disposto a correr o risco, diante das expectativas geradas numa mão pelas informações captadas, mas que sabe não serem totalmente fidedignas como também pelo fato de sabermos sobre a tal da variância...
Meu amigo Ricardo Rocha, conhecido por ser um jogador ultra tight (mas que sabiamente utiliza essa imagem para surrupiar algumas mãos) faz sempre uma afirmação interessante, o que demonstra a sua ponderação ao risco. Diz ele: “O cara pode estar blefando, mas essa queimação logo passa. Agora, a queimação de estar fazendo o cheque no final da sessão leva mais tempo...”.
A frase do Rocha traduz o grau de sua vontade para correr riscos. Na verdade, ela demonstra claramente que, mesmo diante de todas as expectativas favoráveis, a dor de ter sido enganado e, portanto, perder a aposta, é maior do que o prazer gerado pela vitória. Essa reação simboliza a nossa defesa natural diante do risco de perder algo importante, mesmo diante da lógica advertindo-nos de que o "risco" da vitória seja mais plausível de ocorrer.
Ocorre que essa lógica traduz aquilo que o Poker é de fato. Um jogo imponderável, que gera adversidades, às vezes com reações não controladas por nossa racionalidade. O Poker desafia a nossa alma, pois sempre nos estará desafiando para atitudes contrárias às que sempre estivemos acostumados, ao conforto da situação, a passividade como forma de entretenimento e o pensamento na lógica comum, bem menos complexa para ser analisada. Ao mesmo tempo, penaliza os que são perdulários, aqueles que vêem o risco como símbolo da coragem, o fanfarrão ou aquele que não acredita na lógica da informação imperfeita.
E você, como você encara o risco?
Chip Hunter
domingo, 21 de junho de 2009
Por Pouco
Eu estava a ponto de escrever alguma coisa sobre as pessoas que estão a ponto de tomar uma atitude definitiva e recuam – e recuei. Ia escrever sobre os que um dia, por pouco, quase, ali-ali, estiveram prestes a mudar sua vida mas não deram o passo crucial, mas não vou. Pena e comiseração para os que não deram o passo crucial.Pena e comiseração para os que preferiram o pássaro na mão. Para os que não foram ser os legionários dos seus primeiros sonhos. Para os que hesitaram na hora de pular. Para os que pensaram duas vezes. Pena e comiseração para os que envelheceram tentando decidir o que iam ser quando crescessem. E para os que decidiram, mas na hora não foram.Alguns passam a vida acompanhados pelo que podiam ter sido. Por fantasmas do irrealizado. Um cortejo de ressentimentos. Este aqui sou eu se tivesse decidido fazer aquele curso em Paris. Este outro sou eu se tivesse chegado um minuto antes no vestibular…Olha que bom aspecto eu teria se tivesse aceito aquela nomeação. Veja o bigode. O corte decidido do cabelo. O olhar de quem é firme, mas justo com subalternos. A cintura ajustada. As mãos que não tremem. Elas me seguem por toda a parte, as minhas alternativas.Você conhece muitos assim. Gente que cultiva suas oportunidades perdidas como outros guardam o próprio apêndice num vidrinho. E não perdem oportunidade de contar como foi a oportunidade perdida.- Foi num jogo de pôquer. Tinha dois pares e não joguei. Quem ganhou tinha só um. A melhor mesa da noite. Milhões. Eu, hoje, seria outro.- Fiz uma ponta naquele filme do Tarzã, mas cortaram a minha parte. Se tivessem me visto em Hollywood…- Se eu tivesse dito sim…- Se eu tivesse dito não…- S e mamãe não tivesse interferido…- Uma vez fui fazer um teste no Fluminense. Abafei. Mas a família foi contra. Insistiu com a contabilidade. Eu, hoje, seria outro.- Já tive a minha época de escritor, tá sabendo? Uns contos até razoáveis. Mas nunca me mexi. Hoje eles estão numa gaveta, sei lá.- Você sabe que só não me elegi deputado, porque não quis?- Eu, hoje, podia ser até primeiro-violino.- Tudo porque eu não saí daqui quando devia. Pena e comiseração para os que não saíram daqui quando deviam. Há quem diga que o passo crucial só pode ser dado uma vez e nunca mais. Tem a sua hora certa, e ela não volta. Bobagem, claro. Mas não para os que tiveram a sua hora e não aproveitaram. Os mártires do por pouco.- Sei exatamente quando foi que eu tomei a decisão errada. Foi numa noite de Ano-Bom.Você já ouviu a história várias vezes. Mas não pode impedi-lo de falar. O único divertimento que lhe resta é o que el e poderia ter sido. Os que não deram o passo crucial quando deviam estão condenados ao condicional. E têm a volúpia da própria frustração.- Se eu tivesse aproveitado… Ela estava gamada. Gamadona. Filha da segunda fortuna do Brasil.Da última vez que você ouviu a história, era a terceira fortuna do Brasil, mas tudo bem.- Bobeei e babaus. Hoje, quando eu penso…Você tenta ajudar.- Podia não ter dado certo. O pai dela não ia deixar. Um morto-de-fome como você…- Morto-de-fome, porque eu não dei o passo crucial na hora que me ofereceram aquele negócio no Mato Grosso. Ia dar um dinheirão.- Mas se você fosse para o Mato Grosso, não teria conhecido a menina na noite de Ano-Bom.- Pois é. Agora é tarde. Sei lá.Agora é tarde. As decisões erradas são irrecorríveis. Você o imagina cercado das suas alternativas. De um lado, casado com a, vá lá, primeira fortuna do Brasil. O último homem do Rio a usar echarpe de seda. Grisalho, mas ainda em forma com aquele tom de pele que só se consegue passando o dia na piscina do Copa, mas na sombra. Do outro lado, o próspero fazendeiro do Mato Grosso que pilota o seu próprio avião e tem rugas em torno dos olhos de tanto procurar o fim das suas terras no horizonte, ou de tanto rir dos pobres. E no meio, ele, a ponto de lhe pedir dinheiro emprestado outra vez. Triste, triste. Eu ia escrever uma boa crônica sobre tudo isso. Mas o assunto me fugiu, perdi a hora certa. Agora é tarde.
Chip Hunter
A Graça da Vida
A surpresa é o tempero da vida, sem ela ficamos mais tristes, vazios, trilhamos o caminho da mesmice, esperamos o dia acabar, pois não agüentamos o martírio da rotina. Gosto de ver os olhos arregalados das crianças, surpresos que estão pela vida em si, pois tudo é novidade, gostoso, lúdico, e ao mesmo tempo, já têm noção de que há situações que requerem mais atenção, pois sentem o aroma do perigo, sem ao menos saber ao certo o significado disso!
Olhando em retrospectiva, os últimos anos foram um turbilhão de acontecimentos singulares, mudanças de horizontes, decisões inusitadas, felicidades, injustiças. A começar pela frustração de não poder concluir meu curso de engenharia, quando havia largado a faculdade no nono semestre (o curso tem 10 semestres) e tempos depois ao tentar continuá-lo, fui notificado de que os semestres estudados já não seriam válidos para a retomada normal.
Diante da perspectiva negada, apareceu o Jiu Jitsu em minha vida. Treinamentos, concentração, campeonatos, rotina. Não aquela em que nos martirizamos diante da falta de perspectivas, mas a rotina para mantermos acesa a chama da vastidão do futuro. Queria ser campeão, queria mostrar a mim mesmo que a minha capacidade de superação era forte, queria me dar o melhor de mim, ainda sem me dar conta do esforço necessário a ser desprendido quando tomamos uma atitude que às vezes não vem de nossa racionalidade, mas do fundo de nosso coração. O orgulho de ser o campeão do mundo em 2005, na minha categoria de super pesado, me abriu a cabeça para o ensinamento maior que o Jiu Jitsu me dera: O de saber, enfim, o significado real da superação, ultrapassar a barreira da dor, do esforço físico medido até a última instância até enfim sentir o verdadeiro sabor da vitória, não a da medalha, mas do comprometimento comigo mesmo de me manter fiel ao que acredito, sem jamais desistir por mais que a realidade pareça ir contra os nossos sonhos.
O Poker na minha vida existe desde menino, pois meu pai sempre jogou o Poker Fechado (o 5 Card Draw), aliás, sempre foi um exímio jogador dessa modalidade. Na medida em que mais conheço os meandros para se tornar um grande jogador de Poker, mais me apaixono por esse esporte, pois possui muita similaridade com o Jiu Jitsu, nos quesitos principalmente de preparação mental, concentração e capacidade de se superar diante de reveses que ocorrem naturalmente durante o percurso de uma luta ou de uma mão.
Diante das circunstâncias e novamente, precisando tomar as atitudes que considerava as corretas para mim no momento, deixei um negócio sólido, um comércio, para “viver do Texas”, sem saber se o negócio daria certo, mas vivo muitas vezes através do que diz o meu sentimento e da vontade de sempre acertar através das decisões que tomo, pois sei que vou honrar até a última aura de minha alma para fazer dar certo algo em que boto fé!
É muito cedo pra dizer que sou um sucesso nisso, mas já vai tempo em que eu tenho a convicção de que eu esteja no caminho certo, por tudo que tem ocorrido nos últimos meses, pelas amizades duradouras que me são tão caras tanto quanto verdadeiras, pelos novos amigos que encontramos na longa jornada, pelas pessoas que se aproximam pela simples razão de encontrar um ambiente aconchegante, inovador e sem falsa modéstia, um lugar de gente do bem.
Gente desse naipe é o que o GDR sempre vai ter e me esforço dia-a-dia para que isso ocorra!
Hoje tenho realmente o orgulho de receber ótimas pessoas, de ótimo nível social e intelectual, o que contribui para que sejamos sim um clube de Poker diferenciado!
Por esse motivo, quero sinceramente agradecer a todos os clientes e amigos que freqüentam o GDR e que dia-a-dia vão tornando o nosso clube o seu lugar para se jogar o Texas e que são os responsáveis por mantermos um ambiente tranqüilo, amigável e totalmente sociável. Desse pessoal, gostaria de citar algumas que contribuem desinteressadamente para que o nosso clube se mantenha nessa sempre nessa toada, pelo simples fato de prestigiar-nos com as suas presenças, com seus comentários, com suas críticas construtivas, enfim, demonstram que gostam do GDR, da nossa maneira de tocar o negócio, apesar de sabermos que falta muito ainda para nos tornarmos uma casa tão boa e receptiva tal qual o nível de nossos amigos e clientes.
São eles:
Flavinho: Esse nem posso contar como amigo e sim como um irmão que escolhi; isso mesmo, Bianca é a minha irmã que Deus me deu e esse cara é um dos irmãos que escolhi
Xuxa: Um grande cara, um coração de ouro, despretensioso, me ajudou demais trazendo uma galera sensacional pro clube, sou muito grato a ele
Marquinhos: Um puta cara parceiro, fiel, tá comigo desde o começo, gente finíssima. Apenas dois defeitos: é corinthiano e tiro certo! De resto, sem palavras; faz parte da galera do Xuxa
Tio: Olha, esse não tem nem o que se falar, pois as palavras vão ser poucas pra expressar a grandeza de espírito desse grandão com seu jeito bonachão e simples. É muito boa pessoa, não sei descrevê-lo bem, o que posso dizer é que é um sujeito muito do bem mesmo
Toral: Um corinthiano safado, mas gente boníssima e também um fiel e assíduo freqüentador, também veio com o Xuxa
Ricardo Rocha: Como jogador realmente um rocha, ruim pra cacete, porém é um novo amigo que me deu muita força; seu carisma trouxe muita gente boa para o clube, sou eternamente grato por isso e por ele ser hoje um grande amigo conquistado. Não poderia não deixar de lembrar nesse momento, de me desculpar por várias gafes cometidas no início, você e a Anita sabem do que se trata, não quero entrar nos detalhes, mas peço de coração que me perdoem por mal-entendidos, por ser inconveniente, mas nunca imaginei que pudesse gerar algum mal estar ou coisas desse tipo. Obrigado Rocha e Anita, me desculpem de coração.
Rodolfo Arapiraca: Desse eu não quero falar muito, to ainda com nojo do que ele fez comigo no pontinho e também ja falei muito dele em outros posts, mas ele continua sendo a maior estrela que conheço, literalmente, pois o fdp tem um brilho como poucos, um brilho de gente do bem, como diz o Luisão, parabéns seu Arapiraca!
Chip Hunter: Pra mim, esse malandro representa tudo aquilo que sempre idolatrei nos orientais, é focado, faz as coisas estrategicamente analisadas, é engenheiro politécnico, além do que joga um Poker de altíssimo nível, pena que não se dedica maior tempo senão seria parada indigesta no mundo dos profissas, coloco-o, seriamente falando, pelo tempo que se dedica ao Poker, um top player (não em torneios, pelo amor de Deus, estrela, larga o AA). Sobre a nossa aposta acho realmente que tenho vantagem e vocês não podem imaginar como é duro dizer isso sem parecer pretensão de superioridade, não é de fato. Sei que ele é um cara sinistro, de uma determinação impressionante, mesmo assim, é injusto pelo fato de que quando ele está trabalhando, eu estou dormindo e o meu trabalho é onde ele se diverte! Com um oponente desses só podemos medir a nossa capacidade lutando com as mesmas cartas ops armas, portanto Luisão, confio muito no seu senso de justiça e qualquer alteração nas regras será bem-vinda. Acima de tudo é uma questão de bom senso, quero disputar com um cara como vc de igual pra igual e falo isso pelo samurai que existe em você, que só merecerá todo o meu respeito.
É isso aí galera, hoje foi um pouco de rasgação de seda e o assunto pano fica pra próxima.
Só uma pergunta: "Sílvio, você tava dormindo????"
"O guerreiro de fé nunca gela, nao agrada o injusto e nao amarela"
Racionais mcs
Saudaçoes Palestrinas
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Uma Nova Perspectiva
Antes de falar das coisas do Poker e do GDR, que é o objetivo deste blog, gostaria de comentar aspectos que considero relevantes sobre o desafio que eu e o Roger fizemos a nós mesmos.
Como “viciados” jogadores de Poker que somos, numa dessas conversas que tivemos no Msn, ficamos imaginando alguns desafios que poderíamos estar nos confrontando e diante do impasse na escolha dos itens a serem desafiados, optamos apenas por um, que em nossa avaliação, continha aspectos intrinsecamente adequados, haja vista as belas silhuetas arredondadas castigando nossos esqueletos durante anos, demonstração cabal de que havíamos escolhido o melhor desafio para ambos!
Iniciada a peleja, já me vi em nítida desvantagem, até pelos prognósticos dos palpiteiros e da torcida contrária: “Você não tem chances, pois o Roger sempre foi um esportista, além do que ele joga bola toda semana”, “O Roger vai pra academia todo dia com o seu Personal Trainer, fica lá 3h, depois faz acupuntura, massagem, e passa o dia tomando sopinha”, “Você alguma vez já foi magro, Luisão?, o Roger tem uma capacidade incrível de perder peso” etc.
Essa desvantagem acentuou-se quando o próprio Roger, em uma dessas conversas de botequim, demonstrou seu grande senso de humildade e justiça (sou fã desse cara só por essas virtudes, já no poker...) ponderando que não seria correto tanta vantagem assim e, por isso, queria me dar um contra-peso para o equilíbrio do desafio.
Claro que não aceitei, pois quando homologamos as regras, todas as informações cada um já as tinha consigo e, se não houve dúvidas na hora ou qualquer questionamento sobre as bases da disputa, naturalmente não haveria como contestar agora sobre os meandros que cada um usaria para chegar ao seu objetivo.
Então Roger, vá em frente, sue a camisa, de verdade, mas você encontrou desta vez um adversário que, mesmo em nítida desvantagem (aparente), vai dificultar as coisas pra você.
Não estou cantando vitória, pois sei que o meu adversário é poderoso. Para quem ainda não sabe o Roger foi campeão da Copa do Mundo de Jiu-Jitsu em 2005 e somente por isso, dá pra imaginar o seu poder de concentração e esforço de conquista.
No entanto, estou cantando uma grande satisfação pelo desafio a que nos propusemos. Minha primeira decisão foi ter ido a um SPA no interior de SP, no feriadão, com o intuito de iniciar a minha arrancada pra vitória. Lá chegando, me deparei com várias pessoas, todas elas também se desafiando a perderem seus excessos, ouvi toda espécie de lamúrias, seus desencantos, a falta de saúde, horizontes perdidos, baixa auto-estima etc; confesso, não fiquei nem um pouco confortável até porque eu era um deles, que também estava lá para suprir os meios anseios.
Até que chegou o sábado, e sendo o SPA um recanto adventista, fui convidado pelo dono, um sujeito com uma visão de mundo diferenciada, a orar na capela e ouvir algumas lições que a Bíblia nos oferece.
Eis que nos foi apresentado um sujeito magro, aparentando 40 anos, sereno, fala mansa. Ele seria uma espécie de orador da Bíblia. Iniciada a oração e entremeando com a história de Daniel, escravo do rei Nabucodonosor, personagens do império Babilônico, contou a sua própria história, essa sim, mais interessante e que coadunava com o meu propósito de estar naquele lugar.
Há 3 anos, aos 37 anos ele tinha 160 kgs. Após várias tentativas frustadas de perder os seus quilinhos, ele notara que até aquele momento, jamais tivera a consciência necessária sobre a sua real vontade de perder os seus excessos. Sempre eram os filhos, a esposa, os pais, os amigos insistindo para que ele reagisse diante da mórbida situação. Nesta toada, ele sempre frustava os seus pares, pois depois de algum sucesso, sempre se deparava com os obstáculos naturais de quem tem um problema crônico, voltando à estaca zero.
Até que, por um capricho de nossas consciências, (ou seria a consciência cósmica, hein Roger?), ele, após um período de intensa meditação, iniciou sua nova odisséia: iria dessa vez desafiar a si próprio, pois desconfiara que a raíz do problema era ele mesmo, ou o seu próprio alter-ego, capaz de induzir em sua auto-consciência o poder nefasto que todos temos de nos tornarmos prisioneiros de nós mesmos, necessitados que somos de afagos, conforto, auto-indulgências, mimos, características essas tão marcantes nos seres humanos.
Consciência adquirida, ele pôs-se a agir no sentido de bloquear todas as peripécias e traições de seu alter-ego, desafiando-o para o confronto final.
Esse sujeito, depois de 3 anos, tem hoje 70kg; no entanto, não se sente o vitorioso do desafio, nem acha que vencera o confronto final, pois segundo ele, essa batalha não tem fim, uma vez iniciada, é pra sempre. Diz ele: “Afinal, nós nunca eliminaremos o nosso alter-ego, apenas teremos que desafiá-lo sempre que ele nos tenta trapacear com seus blefes, que hoje sabemos o que representam e então podemos ignorá-los contragolpeando com a nossa própria consciência, a mesma que nos levou a enxergar a grande virtude desse grande desafio”.
Sem saber, ele de certa forma estava tocado num assunto que me dizia respeito, não a de perder também o excesso do meu peso, mas com relação ao desafio. E isso mudou a minha perspectiva diante da disputa. O que quero dizer é que vou me juntar ao personagem acima: nesse Fat Challenge vou desafiar também o meu próprio alter-ego! Vencendo-o, subirei um degrau das oportunidades que a vida tem a nos oferecer. Sei das dificuldades que encontrarei, pois conheço o seu poder. Convivemos dia-a-dia, e na maioria das vezes, ele toma conta de minhas ações; até hoje a convivência tem sido pacífica e passiva, porém decidi que não mais será assim.
Não terei mais os afagos, não preciso mais de conforto. Auto-indulgências, jamais. Quero que a minha consciência tome conta das minhas ações. Quando derrotar o meu alter-ego, o terei como aliado e juntos seremos mais fortes para batalhas futuras.
Tenho batalhado muito, e me sinto já um vitorioso, não por estar perdendo peso, mas por estar usando a minha consciência em prol de mim mesmo. Vou gostar de ganhar o Challenge, mas se não der, vou agradecer ao Roger por essa oportunidade.
Vamos comemorar muito no dia 09 de agosto!
“Sinto dores, sinto um cansaço incrível, mas nada ultrapassa a minha vontade e alegria de treinar até superar o que fiz no dia anterior”. Michael Jordan
Chip Hunter
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Fat Challenge: Rocft Star x Chip Hunter
DESAFIO DAS BANHAS: ROCFTSTAR X CHIP HUNTER
1- RocftStar e Chip Hunter decidem fazer um desafio entre eles sobre quem perderá mais banha proporcional entre os dias 07/06/2009, 24h, até o dia 09/08/2009, às 24h.
Pesagem inicial, em balança digital: Rocft: 112,5 Kg; Chip Hunter: 104,5 Kg, auditado pelo Nobre Joaquim, o nobre (e enjoado!).
2- A partir dessa pesagem, os dois iniciarão seus “regimes”, suas corridas, as academias, etc.
3- A fórmula para decidir-se pelo vencedor é quem tiver o maior valor da relação: Peso Perdido/Peso Inicial * 100, com uma casa decimal e com uma diferença >= 1%. Por exemplo, Rocft consegue 10,4/112,5*100 = 9,2% e Chip, 9/104,5*100 = 8,6%, não houve vencedores, pois a diferença <1%.
4- O vencedor ganhará um prêmio simbólico oferecido pelo perdedor.
5- Se Houver desistência de um dos desafiantes, o prêmio simbólico será dividido por 2, dado pelo desistente.
Independentemente de quem ganhar o desafio, vale frisar que os dois, se manterem a disciplina para realmente emagrecer, já estarão ganhando em saúde, o que por si só, já vale mais que o prêmio simbólico.
Equipe GDR Poker Room
O primeiro Torneio do GDR!
Lol foi a primeira mão do Aldo, que tentou um blefe no Arapiraca do Piriri que acertou um gut shot e foram all-in, fim de linha pro Aldo, dobrando as fichas do Estrela!
Mesa final, os líderes eram Chip Hunter, Arapiraca, seguidos pelo Raul Poker Face e Rocha Rocha Torres. Eis que este nosso fascinante jogo apronta uma de suas mais bizarras formas de Bad Beat que eu tenha presenciado, num all-in triplo do Raul Poker Face, com AQ, Bugão Omaha com AK e o Arapiraca com AA, o flop tras KKJ, turn Q e river J, dando o full-house pro Bugão, é brincadeira a porrada que o Ara tomou? Olha te juro, essa é pra repensar não só o jogo em si, mas nas coisas que achamos que não acreditamos, mas que de fato existem, a mentalização do Bugão deve ter sido a chamada de todos os astros de nossa galáxia direto pro nosso pano verde! Que pancada na cabeça do moleque que só de falar aqui quase vomito no computador, que nojo, parada nojenta, arghhh, mas, parafraseando o Scott Nguyen , THAT´S POKER BABY.
Outra parada digna de nota quando restavam 4 (Bugão, Chip, Azambuja e Rocha), o Chip Hunter e o Rocha foram All-In, após acordarem com a forma de premiar: Rocha com KJ e Chip com Q10. Flop 45J, Turn de K, dando 2 pares pro Rocha river, adivinhem...9, dando a sequencia pro Chip Hunter!
Pra terminar, queria parabenizar o Bugão, pela forma agressiva com que jogou o meio e final do Torneio e ao Toninho Azambuja pelo vice.
Esse foi o primeiro Torneio de uma série que devemos promover aos sábados, para aqueles que adoram Torneios e mesmo aos que não são tão assíduos, mas que vêem nesse tipo de modalidade de Poker, uma forma sadia de disputas legítimas, da mesma forma como são o torneios em outros esportes.
Rocft
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Você tem praticado o seu Melhor Poker? Kaizen!

Se acreditamos nisso, então podemos concluir que na medida em que mais jogamos, menos o acaso terá contribuido para o resultado final. Então, imaginemos uma sessão de 6 horas de jogo, com cerca de 30 mãos por hora. Isso dá 180 mãos vistas na sessão. Se jogarmos 3 sessões por semana, teremos 80 * 3 * 52 = 28080 mãos jogadas no ano. Segundo cálculos estatísticos, uma amostra de 100.000 mãos (cerca de 4 anos se jogarmos na frequência acima), deixará o acaso reduzido a 5%, ou seja, se você foi vencedor nesse período, isso significa que você foi melhor que a maioria de seus adversários em 95% das vezes. Dobrando essa amostra, termos 1% como obra do acaso!
Embora esses números demostrem uma base interessante para analisarmos as nossas performances, não convém jogarmos durante 8 anos para concluírmos principalmente que somos perdedores, pois a maioria nessa situação, não terá provavelmente mais tempo (e bankroll) para reverter a situação. O que convém é imaginarmos esse cenário de longo prazo como um conjunto de micro cenários (meses, semanas, sessões) e nesses pudermos fazer as análises pontuais, baseadas em vários conceitos os quais iremos nesse blog postar ao longo do tempo. Essas análises pontuais permitirão a cada jogador observar e se situar diante de seus adversários e a partir disso, refinar o seu jogo no intuito de cobrir as diferenças existentes.
Um jogador de Poker, por melhor que ele seja, jamais fará sempre a melhor jogada pois ao contrário do Xadrez, ele é jogado baseado em informações imperfeitas. Quando não se tem a informação correta, a decisão não poderá, na maioria dos casos, ser perfeita, mas o quanto nos aproximamos disso é a distância a ser reduzida para nos tornarmos melhores jogadores. Ocorre ainda, que mesmo tendo as melhores informações, é possível que não tomemos as melhores decisões! Isso é decorrência da maneira como nos posicionamos perante o jogo, o controle (ou a falta de) emocional envolvido, o medo diante da agressividade dos adversários etc, fazendo do Poker um jogo repleto de meandros e daí o seu fascínio!
Para nos tornarmos melhores jogadores precisamos ter referências. Em que nível eu me encontro? Se eu sou vencedor no clube em que jogo, serei também em outros clubes? A distância entre mim e o melhor jogador do clube é muito grande? E do melhor jogador do mundo?
Um grande coach de jogadores profissionais dos USA, afirma que todo jogador, desde o profissional ao mais humilde amador, possui 3 categorias de jogo que podem ser medidas durante uma sessão, uma semana, um mês, ou durante um período de tempo. Vamos analisá-las então:
Poker Classe A: O jogador joga a maior parte do período medido, o seu melhor Poker. Eventualmente ele joga o Classe B, mas rapidamente volta para jogar o jogo Classe A. Para se manter nessa categoria é imprescindível que se mantenha a maior parte do tempo medido jogando o seu melhor jogo.
Poker Classe B: O jogador dessa classe varia o seu jogo entre o Classe A e o Classe C, na maior parte do tempo medido. Portanto, na maior parte do tempo em que joga Poker, ele não joga nem o seu melhor Poker, nem o seu Pior. Jogar o seu Poker Classe B é ruim por 2 motivos: 1) Você não está jogando o seu melhor e portanto está perdendo dinheiro ou deixando de ganhar, o que no fim é a mesma coisa; 2) Se descuidar só um pouquinho, vai estar jogando o seu Poker Classe C, e é provável que perderá dinheiro.
Poker Classe C: O jogador dessa classe joga o seu pior jogo, horrível, de acordo com a própria análise. Mesmo que não seja um bom jogador, o jogador sabe que está jogando muito mal. Ou, após uma análise racional depois da sessão, ele conclui que realmente jogou mal. Em todo o caso, se ele sabe que tem jogado mal durante o período medido, ele está jogando o seu Poker Classe C e é provável que esteja perdendo dinheiro.
Todo jogador, durante um tempo medido, transita entre o seu melhor Poker (Classe A) e seu pior Poker (Classe C).
O jogador que vence consistentemente ao longo de um tempo, joga o Poker Classe A durante a maior parte desse tempo e joga o seu Poker Classe B e Classe C melhor que os similares dos seus adversários que perdem. Essa é uma diferença importante.
Ou seja, o jogador vencedor faz sempre um esforço muito grande durante as sessões que joga, no intuito de permanecer jogando o seu Poker Classe A e quando, por algum motivo, começa a jogar o Classe B e até o C, estes níveis se caracterizam por não se distanciarem muito do seu Poker Classe A, se compararmos com os jogadores piores. Jogando dessa maneira, os Classes B e C tendem a melhorar paulatinamente podendo chegar num patamar em que, mesmo jogando essas categorias de Poker, o jogador pode até ganhar, se levarmos em consideração o nível dos jogadores da mesa.
Então, todo jogador deveria como meta, melhorar os seus Poker Classe B e C, pois fazendo assim, eles diminuiriam a distâncias dessas categorias em relação ao seu melhor Poker, o Classe A. Então, eliminando jogadas que você fazia nas categorias B e C, você automaticamente incrementa mais jogadas na categoria Classe A e portanto, como já mencionamos anteriormente, quanto mais tempo você estiver jogando o seu Poker Classe A, melhor será a sua performance durante esse mesmo período de tempo medido.
Você pode estar se perguntando, como faço então para jogar o Poker Classe A, se este é o jogo vencedor?
Da mesma forma que um ótimo médico possui características similares a de outros excelentes médicos, um grande jogador de Poker naturalmente tem características similares a de outros grandes jogadores de Poker, que jogam sistematicamente o Poker Classe A.
Desde o momento em que você aprendeu que uma trinca ganha de 2 pares, você já iniciou o seu trabalho para chegar ao seu Poker Classe A. Quando nós pensamos sobre como jogamos, nós estamos trabalhamos em direção ao nosso Poker Classe A. Quando nós lemos um artigo, um livro de Poker, nós estamos trabalhando em direção ao nosso Poker Classe A. Quando nós analisamos mãos ou as discutimos com outros jogadores, nós estamos trabalhando em direção ao nosso Poker Classe A. Quando nós imaginamos uma mesma mão sendo jogada de outras formas, essa é uma prática dos jogadores Classe A. Você analisa como jogar uma mão contra um determinado oponente? Joga a mesma mão diferentemente contra jogadores que possuem características diferentes? Se sim, você está praticando o Poker Classe A. Praticar o Poker Classe A é a rotina dos grandes jogadores de Poker.
No entanto, assim como praticar os mesmos hábitos e/ou ter as mesmas características de grandes médicos não farão necessariamente você ser também um excelente médico, esse artigo não significa uma fórmula mágica para você se tornar um grande jogador.
Significa apenas que, se um dia você chegar lá, muito provavelmente você praticou e estará praticando o Poker Classe A na maior parte do tempo, o qual contém os fundamentos que estruturam as ações da grande maioria dos melhores jogadores desse fascinante Jogo!
Chip Hunter
quinta-feira, 4 de junho de 2009
O que é ser Loose e ser Tight
"Jogadores “loose” jogam uma grande porcentagem de mãos. Eles têm relativamente um nível baixo de exigências para com suas mãos e continuam no pote com mãos medíocres. Os jogadores “tight” jogam uma pequena porcentagem de mãos. Suas exigências para jogarem uma mão são altas e eles costumam sair dos potes rapidamente caso não consigam um bom desenvolvimento pós flop. Alguns jogadores sempre jogam “loose”. Outros sempre jogam “tight”. Bons jogadores ajustam seu estilo ao jogo que está sendo jogado. Teoricamente, quanto mais jogadores permanecerem na mesa, mais “loose” você deve jogar. Quanto menos, mais “tight”.
Com muitos jogadores em ação, há mais dinheiro no pote, e você terá maior “pot odds” para jogar mãos que não jogaria caso estive por exemplo no heads-up. Quando há pouco dinheiro no pote, não há porque jogar com mãos marginais, especialmente quando você percebe que outros jogadores na sua mesa só entram no pote com grandes mãos.Há uma outra questão a se considerar em relação à definição do seu estilo de jogo, que nada mais é do que a maneira em que seus adversários estão jogando. É comum ouvirmos a máxima: Quando os jogadores da mesa estão jogando “tight”, jogue “loose” e quando os mesmo estão jogando “loose”, jogue “tight”. Esse é um princípio verdadeiro.
Por exemplo, você pode roubar os blinds sem nada nas mãos (jogada “loose”) tendo muito mais sucesso contra jogadores “tight”, pois eles tenderão a jogar fora suas mãos marginais do que contra jogadores “loose” que tenderão a dar “call” com o mesmo tipo de mão. Entretanto, esse princípio precisa ser refinado, e é o que faremos agora nesse capítulo.
JOGOS LOOSE
SEMI BLUFFS EM JOGOS LOOSE
Lembre-se de que num jogo normal, o semi-blefe tem três maneiras de vencer: Fazendo a melhor mão no final; quando uma carta “assustadora” aparece no flop e você expulsa seus adversários do pote; ou fazendo seus oponentes darem “fold” imediatamente. Essas são as três maneiras de se vencer com semi-blefes e que fazem essa jogada ser lucrativa. Mas o que deve acontecer num jogo “loose”? Primeiro, jogadores “loose” não dão “fold” facilmente, então seu semi-blefe raramente irá vencer imediatamente. Segundo quando você consegue uma “carta assustadora” que não te ajuda em nada no flop, essa carta não “amedronta” os jogadores “loose”.
Consequentemente, uma das maneiras de se vencer através de um semi-blefe foi totalmente eliminada (seu oponente dando “fold” imediatamente) e outra se tornou duvidosa (quando se consegue uma “carta assustadora”). Sem essas duas maneiras de se vencer, o semi-blefe passa a ser uma jogada sem expectativa positiva. Então você deve abandonar essa jogada quando a única maneira de se vencer é conseguindo a melhor mão. Em relação ao semi-blefe então, você deve sim jogar “tight” nas mesas “loose”.
MÃOS LEGÍTIMAS EM JOGOS LOOSE
Nos jogos “loose”, os jogadores tendem a jogar mãos com valores menores do que a média. Entretanto, a sua mão não necessita de ser tão boa quanto caso estivesse jogando numa mesa normal ou “tight”, já que seus oponentes tenderão a jogar com mãos mais fracas. Isso se torna mais verdadeiro quando se está numa situação de “heads up”. Entretanto, devido à quantidade de ação e pelo estilo de jogo dos jogadores, as mesas “loose” tendem a ter potes com muitos participantes. Com muitos jogadores no pote, torna-se errado jogar de maneira “loose” com mãos como dois pares ou um par médio. Mesmo que essas mãos marginais sejam favoritas contra cada um de seus adversários individualmente, as chances caem muito se considerarmos contra todos em conjunto. Caso você aposte com esse tipo de mão, haverá menos chance de você conseguir expulsar três ou quatro adversários do pote, particularmente quando eles são jogadores “loose”, do que você teria de expulsar apenas um.
QUEDA DE CARTAS EM JOGOS LOOSE
Em contraste com o semi-blefe e com pares baixos, mãos com quedas tendem a ter seus valores aumentados com muitos jogadores participando do pote, pois geralmente se tem um excelente pot odds para continuar na mão e tentar a queda. Além disso, quando o jogo é “loose”, você será pago quando conseguir a sua queda, o que aumenta seu “implied odds”. Então na mesa “loose”, com muitos jogadores, você deve jogar mais mãos com quedas como quatro cartas do mesmo naipe (queda para flush) ou queda para seqüência de duas pontas, ou mesmo para racha.Nos jogos “loose” então, você deve jogar mais “tight” considerando os semi-blefes, porém mais “loose” a respeito das mãos com quedas.
Entretanto você não deve jogar “loose” com mãos marginais como dois pares ou um par médio quando há vários oponentes no pote.
TIGHT GAMES
No jogo “tight”, o semi-blefe tem seu valor aumentado e mesmo os blefes puros podem ser lucrativos já que os jogadores “tight” tendem a dar mais “fold”. Então, as mãos legítimas não têm o mesmo valor que teriam numa mesa normal ou num jogo “loose”. Essa razão é óbvia. Quando você aposta com uma mão legítima num jogo “tight”, você só será pago por alguém que tenha uma mão muito forte, pois as exigências dos jogadores “tight” são altas para se entrar num pote. Num jogo “loose”, um oponente com dois pares pequenos no fim provavelmente irá dar “call’ na sua aposta com par de ases na mão.
Mas quando você aposta com o mesmo par de ases num jogo “tight” e é pago você provavelmente é pago por uma mão muito melhor do que um simples dois pares.Muitos jogadores agressivos falham ao desvalorizarem suas mãos legítimas quando sentam em jogos muito “tight”. Eles roubam potes com blefes e semi-blefes, mas quando tem uma mão decente eles costumam jogar mal e perder. Então eles pensam: “Se não melhorar a minha mão, talvez seja melhor desistir, pois é nessas horas que eu perco”.
O que acontece é que eles não percebem que num jogo “tight” o valor de suas mãos cai, pois os jogadores que permanecem no pote terão ótimas mãos, melhores do que a média do que seria num jogo normal.Num jogo “tight” então, você deve aumentar seus blefes e semi-blefes, mas deve tomar mais cuidado com as mãos legítimas. Você também não deve jogar muitas quedas num jogo “tight”, já que nem sempre você terá um excelente pot odds e mesmo no caso de conseguir a sua queda a tendência é que você não seja bem pago, ou seja não tenha tanta ação quanto num jogo normal ou “loose”.
RESUMO
Nos jogos “loose”, você deve tomar cuidado com os blefes e semi-blefes, e deve jogar mais suas mãos legítimas. Você deve ainda dar mais “call” e jogar mais quedas. No jogo “tight” você deve blefar e semi-blefar mais e deve tomar mais cuidado com suas mãos legítimas, pois elas perdem um pouco o valor. Você deve aumentar suas exigências para entrar e continuar no pote nesse caso. Dê menos “call” e desista mais rápido das mãos com quedas.Para usar todas as ferramentas que o poker te proporciona, você deve ajustar o seu jogo de acordo com a mesa em que se está jogando e de acordo com os jogadores individualmente".
Chip Hunter
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Porque não paguei essa mão
"Edu,
Deixe-me dizer do porquê não lhe paguei aquela parada, quando tinha KQ espadas.
Relembrando:
(1) Eu já havia aumentado a mesa no pré-flop
(2) Flop de 5 6 K Rainbow
(3) Você check, eu bet 100 e você raise 200
(4) Eu instant call
(5) Turn de 5, dobrando essa carta no board
(6) Você check (??!!) e eu...check
(7) River de (blank) você bet 400!
(8) Eu penso e...fold
O que analisei:
Como eu já havia aumentado a mesa no pré-flop, você provavelmente teria que considerar, quando apostei no flop que o K poderia ter algo a ver com a minha mão (meu range).
Considerando esse aspecto e você resolve dar um raise, a leitura que fiz foi a seguinte: (a) Você tem trinca de 5 ou 6. De K é improvável. (b) Você tem dois pares (5 6 é mais provável), mas poderia ser também de K 5 ou K6. (c) Você tem um AK (porque sei que você às vezes não volta com AK no pré-flop). (d) Você tem um K e outra carta qualquer e raised apenas porque tem o top pair. (e) Você está blefando (improvável dada a textura do flop).
Quando dobrou a carta de 5 isso somente valorizou o seu raise, pois se você estivesse com o jogo dos itens (1) (2) ou (3) você está ainda favoritíssimo e poderia continuar apostando, dando value bet. Se você deu check, eu teria que considerar que você está com o jogo segundo os itens (4) e (5), o que dá em range da análise 3 a 2 (considerando peso 1 para todas as análises de seu range) para você e, por isso não paguei.
Veja se não é isso. Se você quiser me contestar, me escreva!
Abraços,
Chip Hunter"
O Edu respondeu:
Luisão, sinto muito, não me lembro mais da parada!
terça-feira, 2 de junho de 2009
Tá Frio Hein!
Noite fria, galera mais do que quente, nem sentia. Ausências significativas, Arapiraca e Chip entre outros fizeram falta; esses malandros fazem realmente falta pois são estrelas que não deixam o astral cair.
Ontem eu estava de bem com o baralho pois consegui empatar, apesar de algumas baralhadas impagáveis. Uma dessas, o Korea aumenta no UTG+2, dois calls, eu no dealer call também com 76 espadas suited já pensando em alguma maldade, eis que temos um flop Q84, com o 4 de espadas, ou seja, broca, do jeito que estrelas adoram. Korea beta, o que já me deu uma leitura fácil, ou seja, QQ+, portanto, somente uma broca pra mim. Resolvi jogar pois tinha posição e broca, eis que vira um 10 de espadas, que todo estrela quer ver pra não poder mais sair da parada!
Korea segue betando e aí, mole mole, paguei, pois as chances aumentaram dramaticamente, tendo um incrível implied odds, pois acertando o flush ou a broca, o Korea não larga mais, não vai acreditar. Eis que no river vira um mágico 5 de paus, sequência!, agora tomamos tudo do Korea. Ele mesa, eu beto ¾ do pote. Ele pensa, pensa, faço cara de medo, e depois de 2 horas ele resolve dar o call (como prometido a mim mesmo, que delícia!!) ele abre KK e antes de soltar o grito, resolvi abrir as cartas, qual foi a minha surpresa: 75 e não o 76! Juvenil demais, nem quero mais comentar...
Um parêntesis foi a parada do Silvio (que para variar tinha acabado de acordar) logo no início, levando uma porrada do Toninho Fichário. Pré-Flop tiroteio, flop AK4 off, raise, reraise, re-reraise, re-re-reraise, re-re-re-re-reraise, ALL-IN ! Sílvio apresenta AK e o Toninho KK, que segurou puxando um belo pote. O parêntesis são os parabéns ao Toninho que teve a sua forra e para o Silvio-Bibi, que perdeu mas ganhou a admiração da mesa, não perdendo a postura, não tiltando, demonstrando um excelente equilíbrio emocional.
Menção a ser feita, o nosso querido Tio ganhou e vi que jogou um jogo bem sólido demostrando visíveis melhorias, o que fico muito feliz. O lado negativo , o baralho não ventou pro Flavinho-Chiclete nem para o Esquecido-Ítalo.
Pra finalizar, não se esqueçam que sábado temos o satélite pra Bariloche, só falta a confirmação de quórum mínimo, mas acredito que vamos ultrapassá-lo.
Saudações Palestrinas
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Domingão do Camarão!
Começamos jogando Omaha em 6 e convencionamos que assim que chegasse mais um pro jogo, mudaríamos pro Texas. Numa determinada mão me deparo com KK78, uma mão bem razoável, então dei um bet de cut-off, fui prontamente pago pelo Chip Hunter e pelo Antoine. Flop vem KQ9 tudo de ouros, o Antoine, sendo o primeiro a falar dispara o pote eu paguei sem pestanejar já torcendo pela dobra quando inesperadamente o baralhão do Chip também paga, o que já dei a ele um range pequeno de mãos, tipo QQ ou 99, pois no draw nuts de flush ou com o próprio, ele provavelmente voltaria.
Analisando mais detalhadamente restringi em 90% o range do Chip para QQ, pois imaginei que com a terceira trinca (de nove) ele não iria pagar dado o perigoso flop. O turn trás um 9 (me belisca!), o Antoine mesa, eu beto o pote, o Chip rapidamente call e o Antoine larga. Sem ver o river e respeitando a minha leitura anuncio All-In. O river trás um jacaré, aí o Chip começa a pensar, analisar a mesa, a falar etc, então já começo a me sentir bem quando ele anuncia o pagamento e apresenta 99xx quadra, é mole! Mais um slow-roll do Chip, mas eu ainda te pego malandro!

Mas sem sombra de dúvida, a jogada da noite foi entre o Camarão e Antoine, a última mão da noite. Temos um board de 578J4, o Antoine achando que estava nuts, volta All-In depois de um bet do Camarão que prontamente paga e apresenta 910xx, achando até que estaria dividindo a parada quando, para a surpresa de todos, Antoine apresenta 69xx! Que sonho essa parceirada! No mais é isso.
E parabéns atrasado ao grande Arapiraca do Piriri que fez festa no sábado e não quis comemorar seus anus dourados conosco, mas ele merece tudo de bom da vida, pois é camarada, tem ótima presença de espírito, alma de guerreiro, índole dos nobres, coração de gueixa e choro de bebê Johnson. Estrela da maior Constelação, Saúde, Sucesso e Felicidade é desejar muito pouco para uma pessoa que já nasceu com a alma de um Vencedor!
Saudações palestrinas
