segunda-feira, 29 de junho de 2009

Observando a si mesmo!

Um dos fatores presentes no dia a dia do Poker é o que representa a sua imagem para os seus adversários. Ou seja, o seu adversário poderá mudar radicalmente a sua forma de jogar contra você se perceber algum padrão de conduta diante da circunstâncias geradas em cada mão. Sabendo disso, você poderá tirar proveito alterando esse padrão, controlando a sua imagem durante a sessão. O controle da sua imagem faz parte do portifólio de situações durante a sessão em que você tenta estabelecer os níveis de dificuldade para a leitura de sua mão. É similar ao drible no futebol, quando você insinua que vai pra direita, o seu adversário imaginando que está sendo enganado corre pra esquerda e você na verdade vai pra direita mesmo! Leia um trecho do livro do Dan Harrington sobre o que significa controlar a imagem no jogo. Como o livro discorre sobre torneios, o trecho a seguir foi ligeiramente alterado para se adequar mais ao jogo do GDR. Vamulá, então.

"Enquanto você está observando seus oponentes na mesa, quantas mãos eles jogam, que mãos eles mostram no showdown, qual o perfil de suas apostas e qualquer outra informação que você possa obter, tenha certeza de que também esteja prestando atenção na pessoa mais importante dessa mesa – você. O seu oponente sentado à sua direita se envolveu em aproximadamente 10% das mãos que você decidiu jogar. Você irá ter se envolvido em 100% das mãos que decidir jogar e o que seus oponentes farão nessas mãos, é determinado em boa parte de como eles vêem você jogar. A imagem que eles fazem de você. E quanto melhor eles forem, mais suas jogadas serão em função do seu estilo de jogo. Então sempre se pergunte:

1: Quantas mãos eu venho jogando?
2: Das que eu joguei, quais eu tive que mostrar (showdown)?
3: O que um bom jogador pensa de mim a essa altura da sessão?

Não é porque você está tentando jogar consistentemente num certo estilo, que significa que você está sendo percebido pelos outros jogadores dessa maneira. A percepção pela mesa pode ser diferente do estilo que você imprime a seu jogo. Vamos dar uma olhada numa mão onde a percepção da mesa é diferente do estilo que você tenta impor a seu jogo.

Exemplo:

Você decide começar uma sessão jogando tight, de maneira bem conservadora e gradualmente ir soltando seu jogo, construindo uma imagem conservadora. Suponha ainda que nas quinze primeiras mãos você vem quatro vezes com excelentes cartas, par de reis, par de damas, e duas vezes ás e rei (AK). Você aposta com essas mãos, pega bons flops pela frente e vence as quatro. Nenhuma das vezes você mostra as cartas após vencer a mão. No final dessas quinze primeiras mãos você dobra suas fichas.

Análise: Do seu ponto de vista, você não fez nada de anormal, jogou seu jogo tight. Não é culpa sua que você por quatro vezes veio com ótimas cartas. Mas do ponto de vista de seus oponentes, você é um jogador louco e tiltado e que está tentando imprimir o seu estilo “loose” a mesa e tentando roubar potes demasiadamente. Eles não viram nenhuma mão sua, por isso pensam dessa maneira. Eles só viram você dando raise e re-raise por várias vezes.

Se você mudar a partir de agora sua estratégia de jogo e começar a jogar mais solto (loose), jogando mais mãos, agora que os blinds já subiram, essa estratégia não será bem sucedida, não funcionará. Você vai começar a jogar mãos marginais exatamente quando seus oponentes acharem que você deve parar de fazer isso. Quando você jogar com suited connectors, alguém certamente irá repicar em você com qualquer mão razoável. Você começou a jogar de maneira tight, mas a sua imagem na mesa se tornou de um jogador “loose”. Então o mais certo agora é continuar o jogo de maneira tight, mais tight ainda do que antes, pois suas grandes mãos certamente serão pagas pelos seus oponentes.

Por isso é sempre bom ficar ligado não só apenas no estilo dos oponentes, mas também na imagem que passamos para a mesa, pois é através dessa imagem que podemos saber o “timing” de blefe e se seremos pagos em muitas das vezes".

Chip Hunter

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