Então... e aí o Roger havia me pedido algumas vezes para escrever algo no blog.
Pensei, pensei, pensei muito...(afinal porque vocês acham que recebi o meu apelido??), então resolvi falar um pouco dos colegas, dos amigos, e dos grandes amigos que fiz ao longo do tempo e ao redor do pano verde.
Há mais de uma década, alguns a mais de duas, encontrávamos 3 a 4 vezes por semana, passávamos horas juntos, entrávamos nas madrugadas, e até amanhecíamos jogando este fantástico e fascinante jogo.
No início jogávamos o poker fechado, e ai vale ressaltar a habilidade de alguns destes amigos... o Gilenilson por exemplo era imbatível, como roubava, sabia tudo daquele jogo, agora ta só no cara crachá, mas continua fortíssimo, ganhos pequenos mas contínuos, grande cara, grande amigo, só não deixem ele queimado, senão ele “taca” ficha, literalmente. (se precisarem de alguma coisa é só ligar para o Gilenilson, podem falar que eu indiquei, ou compareçam a Rua Iguatemi, 236, 2º andar).
Cada um era conhecido e dotado de uma personalidade e trejeitos extremamente particulares e de fácil identificação, que me permitirei citar sem dar nome aos bois, ou seriam touros, muuuuu. Vamos ver quem adivinha quem são estes personagens.
Um deles, o mais honesto do Brasil, era contrário a tudo e a quase todos...se alguém fazia uma colocação, lá vinha ele dizendo “eu acho o seguinte.......” e sua opinião era sempre contrária, até que decidimos que ele sempre ganharia...então quando se iniciava a discórdia logo dizíamos..você ganhou..assunto encerrado..rs.
Aqui vale o provérbio “A honestidade sem as regras do decoro transforma se em grosseria, Confúcio" (será que sabem de quem estou falando?).
Tínhamos os chatos!!! Colegas, às vezes era duro de agüentar. Fazíamos concurso para eleger o mais chato, nem preciso dizer que os candidatos eram sempre os mesmos e o resultado invariavelmente também.(nesta categoria não quero qualificar ninguém até porque eu teria que me incluir nela, então.. next).
“Essa cerveja esta quente, esse vinho é uma porcaria... humm essa carne tá dura...temos que colocar um exaustor aqui... esse cheiro de cigarro me mata... se alguém fumar do meu lado eu vou embora”...vocês identificam estas frases...qualquer semelhança é mera coincidência...costuma-se dizer que após os 50, 60 anos as pessoas deixam de ter papas na língua, mas neste caso já é assim a mais de 20 anos, “num intendi”...Um grande cara e um coração enorme...
“Você sabia que minha chance é de 35,6578897558% de melhorar minha mão no turn e se isso não acontecer ainda tenho xyz% contra xxzczxx% de fechar no river, isso melhora minha probabilidade em 5455525,2552525%%% dividido por 2525,2525% sendo que podemos aplicar uma média ponderada para considerarmos a probabilidade, calculando o pot odds e a taxa de retorno, sem considerar a oscilação da bolsa, é claro e bla´bla´bla´, ALL IN. Fico até tonto com as contas que ele faz...pensa, pensa..pensa...e depois o pensador sou eu. (essa é molezinha).
Tinha também os “mate-leão” é, eles já vinham queimados...metiam ficha e depois, bom, o final do filme todos conhecem né? O mocinho morre no final, e muitos deles quebraram, infelizmente...(essa é mais difícil de adivinhar, até porque são vários)
Não quero citar nomes, então vou chamá-lo de Piriri, rsrs. Esse passou a ser o caçula da turma...Seu astral era sempre fantástico e lá era chamado de Arapiraca...perigosíssimo, imprevisível, e fichas, isso era o que ele mais tinha e atirava pra todo lado, ao final da sessão prometia nunca mais voltar, e no dia seguinte, adivinhem que estava lá?
Logo todos passaram a respeitar o “moleque” e Arapiraca mudou de significado, até porque o Asa de Arapiraca desclassificou o Palmeiras em pleno Parque Antártica, sinal de força, logo, Arapiraca passou a ser um nome de muito respeito, não acham ?
Meu velho amigo de pescaria e baladas, esse num é brincadeira não! Como dizemos aqui no interior “quando nois espaia ninguém junta”. Esse sou obrigado a dar o nome, Italo velho de guerra, temos histórias hein, grande cara, joga no time dos mais chatos, mais considero um grande amigo.(Outubro ta chegando, e estaremos em Corumbá “di novo”).
Não falei de todos, seria extremamente extensa esta pauta e mesmo assim ficaria alguém de fora, aqui vai apenas uma homenagem aos amigos de longa data.
Pois bem, o tempo passou, a antiga casa desleixou a turma se espalhou, e o nosso joguinho acabou, mudei para o Interior de SP e perdi muito contato com todos, exceto o Gilenilson, reuniões mensais no sindicato, até que um dia, em uma de minhas idas a capital, ele me levou ao Sete, e lá estavam todos eles, grata foi minha satisfação em revê – los e em saber que estão ainda juntos, todos bem, em uma casa muito bacana e se reunindo com muita gente boa, novos colegas que ainda não conheço bem, mais é nítida a qualidade das pessoas que nos rodeiam.
Agora, é contigo Roger, você tem a missão de continuar esta saga por no mínimo mais uma década, unindo novos e velhos amigos em torno to pano verde e muito mais do que isso fortalecendo amizades e relacionamentos pessoais que perdurem por tempos e tempos, criando amigos verdadeiros dentro e fora do GDR.
Tudo isso é apenas uma brincadeira, talvez alguns se encontrem nestas palavras, outros não, e alguns vão contrariar, certeza, mas, e daí? Tudo não passa de brincadeira.
Abraços a todos.
Edu
sexta-feira, 17 de julho de 2009
segunda-feira, 13 de julho de 2009
O que fazer com os Outs?
Uma das confusões que frequentemente ocorre em discussões sobre outs, odds, quem está na frente num race etc é sobre a probabilidade de que ocorra um evento futuro, e esse futuro representa geralmente as 2 cartas após o flop, ou seja, o turn e o river. Quando uma tabela indica que 14 outs no flop é o favorito para se ganhar a mão, muitos torcem o nariz diante das informações, fazendo uma conta simples: Se o baralho tem 52 cartas, tirando as 2 da mão mais as 3 do flop, sobram 47 cartas, então como é possível 14 cartas serem favoritas perante as 33 que sobram para o adversário?
Basicamente essa é a questão fundamental, podendo variar na forma, mas não no conteúdo, a qual ilustra a dúvida que vamos discutí-la agora. Uma premissa importante, no entanto, deve ser levada em consideração para que a análise esteja sempre correta: Estamos considerando que se virar a carta designada como um de nossos outs, é porque seremos vencedores da mão. Isso pode nem sempre ser verdade, pois podemos estar qualificando uma carta que nos dê um flush, mas que sirva para nosso adversário fazer um flush maior, o que subtrai consideravelmente as nossas chances, diminuindo em pelo menos 9 outs de nossa mão. Portanto, temos sempre que nos cuidar para não cair nessas armadilhas!
EXEMPLO 01: 15 outs
O nosso herói segura as seguintes cartas:

O nosso vilão segura as seguintes cartas:

O flop vem com as seguintes cartas:

Aí alguém diz que o nosso herói está ganhando a mão, pois tem 15 outs (9 cartas de ouros o que o fará ter o flush, mais 6 cartas das duas pontas, 3 oitos e 3 três, fazendo a sequência). Outro o contradiz dizendo como é possível que o nosso herói esteja ganhando uma mão em que sequer tem um par e apenas projeto de jogo melhor no futuro enquanto nosso vilão já tem um par de J com um quicker de A... E tem aquele ainda que já viu uma tabela dizendo que 15 outs é o favorito, mas tem a mesma dúvida da análise que se fez no primeiro parágrafo desse post.
A questão:
a) vamos analisar de maneira inversa, quantos outs tem-se para que o nosso herói não consiga sucesso. Então, se o nosso herói tem 15 outs no turn, o nosso vilão tem 32, como explicado no primeiro parágrafo.
b) Isso significa que a probabilidade NO TURN de que a carta não seja uma das preferidas do nosso herói é de: 32/47 o que dá 0,681 = 68,1%
c) Mesmo que não tenha virado a carta de nosso herói, ele tem ainda a chance de virar um de seus 15 outs no RIVER. Como mais uma carta fora aberta (TURN) temos a probabilidade agora de 31/46 = 0,674 = 67,4%.
d) Ocorre que para que o nosso herói não consiga nenhum de seus 15 outs, as duas probabilidades (itens b) e c))tem que necessariamente ter ocorrido, ou seja, tem que ocorrer o evento b) E o evento c), o que signfica que temos que multiplicar as probabilidades dos 2 eventos, o que dá: 68,1% * 67,4% = 44,9%!!
e) Se para não ocorrer nenhum dos 15 outs no TURN E no RIVER a probabilidade é de 44,9%, então se conclui que para ocorrer um de nossos outs no TURN OU no RIVER, é de 100% - 44,9% = 54,1%!!!
EXEMPLO 02: 14 outs
Outra mão interessante, essa ocorreu certa vez entre o Ricardo Rocha e Antoine quando o GDR Poker Room ainda era no salão de festas. Como o Rocha é também um rocha para acreditar sem prova, vai aqui a demonstração de sua parada, embasada agora na explicação sobre como calculamos as chances de cada um.
Jogador A: (Rica Rocha)

Jogador B: (Antoine)

Flop:

Ou seja, o jogador B tem 2 pares no flop, enquanto o jogador A tem apenas 1. Quem está ganhando a mão? Claro que é o jogador....A, que tem apenas 1 par, mas se entrar qualquer outra Q (3 outs), qualquer outro 7 (3 outs) e quaisquer cartas de ouros (9 outs) ele ganha e, portanto, ele tem, se calcularmos da mesma forma que o exemplo 01, 51%, pois tem 14 outs.
Daí, concluimos que o número 14 é o número mágico para calcularmos as nossas chances após virado o FLOP.
Outros números:
9 outs: 35,1%
10 outs: 38,3%
11 outs: 41,7%
12 outs: 44,9%
13 outs: 48,0%
14 outs: 51,2%
15 outs: 54,1%
16 outs: 56,9%
17 outs: 59,7%
18 outs: 62,4%
19 outs: 65,0%
20 outs: 67,5%
Aplicações da análise de Outs x Chances em %
1) Você recebe um par qualquer, qual a probabilidade de no flop bater uma trinca: 12%
2) A mesma que a questão 01, somente que você quer ver até o turn: 16%
3) A mesma que a questão 01, somente que você quer ver até o river: 19%
4) Você recebe 2 cartas suited (naipadas), o flop vem com 2 cartas do mesmo suit (naipe) e uma diferente que não é par de nenhuma das 2 recebidas, qual a probabilidade de no turn bater o flush: 19%
5) A mesma que a questão 04, somente que você quer ver até o river: 35%
6) A mesma que a questão 04, somente que a carta diferente no flop faz par com uma das 2 recebidas, qual a probabilidade de no turn bater flush, trinca ou 2 pares?: 30%
7) A mesma que a questão 06, somente que você quer ver até o river?: 51%
8) Você recebe duas cartas off-suited (naipes diferentes) e no flop vem com duas cartas que fazem duas pontas (open-ended), qual a probabilidade de bater uma sequência (straight) no turn?: 17%
9) A mesma que a questão 08, somente que você quer ver até o river?: 31%
10) Você recebe duas cartas suited e no flop vem com duas cartas no mesmo suit que fazem duas pontas para straight, qual a probabilidade de bater uma seguida ou flush no turn?: 32%
11) A mesma que a questão 10, somente que você quer ver até o river?: 54%
12) Você recebe duas cartas quaisquer e no flop você faz um par, qual a probabilidade de fazer trinca ou dois pares no turn?: 12%
13) A mesma que a questão 12, somente que você quer ver até o river?: 20%
14) Você recebe duas cartas quaisquer e no flop você faz dois pares, qual a probabilidade de fazer o full hand no turn?: 9%
15) A mesma que a questão 14, somente que você quer ver até o river?: 16%
16) Você recebe Um AK e no flop não te ajuda, qual a probabilidade de fazer o par maior no turn?: 13%
17) A mesma que a questão 16, somente que você quer ver até o river?: 24%
18) Você recebe duas cartas quaisquer e no flop você tem possibilidade de seqüência na racha (gut-shot), qual a probabilidade de entrar essa carta no turn?: 9%
19) A mesma que a questão 18, somente que você quer ver até o river?: 16%
Chip Hunter
Basicamente essa é a questão fundamental, podendo variar na forma, mas não no conteúdo, a qual ilustra a dúvida que vamos discutí-la agora. Uma premissa importante, no entanto, deve ser levada em consideração para que a análise esteja sempre correta: Estamos considerando que se virar a carta designada como um de nossos outs, é porque seremos vencedores da mão. Isso pode nem sempre ser verdade, pois podemos estar qualificando uma carta que nos dê um flush, mas que sirva para nosso adversário fazer um flush maior, o que subtrai consideravelmente as nossas chances, diminuindo em pelo menos 9 outs de nossa mão. Portanto, temos sempre que nos cuidar para não cair nessas armadilhas!
EXEMPLO 01: 15 outs
O nosso herói segura as seguintes cartas:
O nosso vilão segura as seguintes cartas:
O flop vem com as seguintes cartas:
Aí alguém diz que o nosso herói está ganhando a mão, pois tem 15 outs (9 cartas de ouros o que o fará ter o flush, mais 6 cartas das duas pontas, 3 oitos e 3 três, fazendo a sequência). Outro o contradiz dizendo como é possível que o nosso herói esteja ganhando uma mão em que sequer tem um par e apenas projeto de jogo melhor no futuro enquanto nosso vilão já tem um par de J com um quicker de A... E tem aquele ainda que já viu uma tabela dizendo que 15 outs é o favorito, mas tem a mesma dúvida da análise que se fez no primeiro parágrafo desse post.
A questão:
a) vamos analisar de maneira inversa, quantos outs tem-se para que o nosso herói não consiga sucesso. Então, se o nosso herói tem 15 outs no turn, o nosso vilão tem 32, como explicado no primeiro parágrafo.
b) Isso significa que a probabilidade NO TURN de que a carta não seja uma das preferidas do nosso herói é de: 32/47 o que dá 0,681 = 68,1%
c) Mesmo que não tenha virado a carta de nosso herói, ele tem ainda a chance de virar um de seus 15 outs no RIVER. Como mais uma carta fora aberta (TURN) temos a probabilidade agora de 31/46 = 0,674 = 67,4%.
d) Ocorre que para que o nosso herói não consiga nenhum de seus 15 outs, as duas probabilidades (itens b) e c))tem que necessariamente ter ocorrido, ou seja, tem que ocorrer o evento b) E o evento c), o que signfica que temos que multiplicar as probabilidades dos 2 eventos, o que dá: 68,1% * 67,4% = 44,9%!!
e) Se para não ocorrer nenhum dos 15 outs no TURN E no RIVER a probabilidade é de 44,9%, então se conclui que para ocorrer um de nossos outs no TURN OU no RIVER, é de 100% - 44,9% = 54,1%!!!
EXEMPLO 02: 14 outs
Outra mão interessante, essa ocorreu certa vez entre o Ricardo Rocha e Antoine quando o GDR Poker Room ainda era no salão de festas. Como o Rocha é também um rocha para acreditar sem prova, vai aqui a demonstração de sua parada, embasada agora na explicação sobre como calculamos as chances de cada um.
Jogador A: (Rica Rocha)
Jogador B: (Antoine)
Flop:
Ou seja, o jogador B tem 2 pares no flop, enquanto o jogador A tem apenas 1. Quem está ganhando a mão? Claro que é o jogador....A, que tem apenas 1 par, mas se entrar qualquer outra Q (3 outs), qualquer outro 7 (3 outs) e quaisquer cartas de ouros (9 outs) ele ganha e, portanto, ele tem, se calcularmos da mesma forma que o exemplo 01, 51%, pois tem 14 outs.
Daí, concluimos que o número 14 é o número mágico para calcularmos as nossas chances após virado o FLOP.
Outros números:
9 outs: 35,1%
10 outs: 38,3%
11 outs: 41,7%
12 outs: 44,9%
13 outs: 48,0%
14 outs: 51,2%
15 outs: 54,1%
16 outs: 56,9%
17 outs: 59,7%
18 outs: 62,4%
19 outs: 65,0%
20 outs: 67,5%
Aplicações da análise de Outs x Chances em %
1) Você recebe um par qualquer, qual a probabilidade de no flop bater uma trinca: 12%
2) A mesma que a questão 01, somente que você quer ver até o turn: 16%
3) A mesma que a questão 01, somente que você quer ver até o river: 19%
4) Você recebe 2 cartas suited (naipadas), o flop vem com 2 cartas do mesmo suit (naipe) e uma diferente que não é par de nenhuma das 2 recebidas, qual a probabilidade de no turn bater o flush: 19%
5) A mesma que a questão 04, somente que você quer ver até o river: 35%
6) A mesma que a questão 04, somente que a carta diferente no flop faz par com uma das 2 recebidas, qual a probabilidade de no turn bater flush, trinca ou 2 pares?: 30%
7) A mesma que a questão 06, somente que você quer ver até o river?: 51%
8) Você recebe duas cartas off-suited (naipes diferentes) e no flop vem com duas cartas que fazem duas pontas (open-ended), qual a probabilidade de bater uma sequência (straight) no turn?: 17%
9) A mesma que a questão 08, somente que você quer ver até o river?: 31%
10) Você recebe duas cartas suited e no flop vem com duas cartas no mesmo suit que fazem duas pontas para straight, qual a probabilidade de bater uma seguida ou flush no turn?: 32%
11) A mesma que a questão 10, somente que você quer ver até o river?: 54%
12) Você recebe duas cartas quaisquer e no flop você faz um par, qual a probabilidade de fazer trinca ou dois pares no turn?: 12%
13) A mesma que a questão 12, somente que você quer ver até o river?: 20%
14) Você recebe duas cartas quaisquer e no flop você faz dois pares, qual a probabilidade de fazer o full hand no turn?: 9%
15) A mesma que a questão 14, somente que você quer ver até o river?: 16%
16) Você recebe Um AK e no flop não te ajuda, qual a probabilidade de fazer o par maior no turn?: 13%
17) A mesma que a questão 16, somente que você quer ver até o river?: 24%
18) Você recebe duas cartas quaisquer e no flop você tem possibilidade de seqüência na racha (gut-shot), qual a probabilidade de entrar essa carta no turn?: 9%
19) A mesma que a questão 18, somente que você quer ver até o river?: 16%
Chip Hunter
sexta-feira, 3 de julho de 2009
A Dealer
Eu sou um daqueles que acha que se a Dealer quiser virar aquela carta, ela vai virar. Por mais que você a veja embaralhar o deck, entrelaçando bem as cartas de modo que fiquem praticamente invioláveis, o destino do baralho, é ela quem dita. Naquele dia o nosso destino está em suas mãos. É por isso que quando virou aquele 2, a única carta que salvava o meu adversário, enquanto se ouvia os hurros de alegria de um lado e o meu silêncio desesperado de outro, a Dealer, impassível, recolhia o rake, passava o restante das fichas pro vencedor e iniciava novamente a liturgia da próxima mão. Como é possível tanta indiferença diante da traumática cena? Ela quis rir ou se condoler com o meu infortúnio? Acho que nunca vamos saber. Caixinha obrigada, diz ela ao receber o seu capilé. Sem o menor constrangimento. Até demonstrando um certo desdém pela patética situação, pois vê isso a todo momento. Nenhuma desculpa ao perdedor, nem os parabéns ao vencedor. Frieza absoluta. Como se soubesse de antemão aquilo que os incautos na mesa anseiam a cada carta virada. Esses caras estão na minha mão, deve ela pensar a todo momento. Posso até ouvir o achincalhar de seu sarcástico sorriso procurando por um espaço em suas entranhas. Dizem os entendidos, é preciso entrar em sintonia quântica com os neurônios da Dealer no exato momento em que ela está virando a carta. Se ocorrer a sinapse, ótimo, a carta será sua! Folclore, penso, mas em todo caso...Sempre deixe um bom capilé para a Dealer que o processo será facilitado nas próximas vezes. Aliás esse é sempre o momento em que elas riem de verdade. Afinal, são também mulheres...Alguns chegam a insultar a Dealer. Bobagem. E que Perigo! Pois a cada insulto proferido, um nm de energia quântica se perde no caminho que a levaria ao momento crucial do virar as cartas. E lá se foi outra chance. Temos que ser amigos das Dealers. Isso facilita a conexão. Isso mesmo, amigos das Dealers. A Dealer é inteligente e conhece mais do que ninguém a matemática das 4 operações. Honestidade nem se questiona até porque se ali está certamente já ultrapassou a dúvida dessa sentença. Se for insultada, maltratada, ótimo, aqui vemos que a Dealer não é mesmo desse planeta. Controle emocional impecável. Jamais irá bater boca com aquele serzinho inferior. Dealer que se preza é aquela que delira só de pensar num jogo rebolado de 24h, pois assim aumentará as amostras de mãos em que poderá confirmar as suas habilidades! Gosta da pressão como forma de se manter focada, concentrada no trabalho. Além disso, faz parte de seu ofício estudar Jung para aumentar a sua compreensão da alma humana numa mesa de Poker. Porque essa compreensão é a sua ferramenta para o julgamento final. Quem deve ganhar e quem deve perder. Temos que ser amigos das Dealers. Isso facilita a conexão. Isso mesmo, amigos das Dealers. Vamos fazer isso daqui por diante.
CH
CH
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Vício é para Losers!
Veja essa crônica do Rodolfo Lacerda, muito legal!
"Sempre achei engraçado quando alguém me dizia, quando mencionava que sou jogador de poker, "cuidado para não viciar".
Era só escutar isso para eu pensar rapidamente "que idiota, óbvio que não vou viciar, só losers viciam". Era minha maneira de ignorar um problema em potencial utilizando uma idiota arrogância que todos possuem dentro de si.
A frase em questão fez parte de toda a minha vida no poker, e ainda faz. Se pensarmos o que as pessoas realmente queriam dizer ao mencioná-la, provavelmente seria algo do tipo "cuidado para não viciar em apostar em um jogo que você irá perder muito, seja por falta de bankroll, seja por um abalo psicológico ou simplesmente por possuir um nível inferior. Se você fizer isso, você irá quebrar, e irá começar a apostar o que não tem, o que não pode..."
Eu já tive momentos em que fiz isso: joguei contra oponentes melhores, com bankroll baixo e com psicológico abalado, tudo de uma só vez. Eu diria que essa é uma das consequências do famoso TILT. A questão é que o TILT é passageiro e, assim sendo, essa fatalidade é uma exceção, e não uma regra, logo, não é um vício.
Então posso voltar a dormir tranquilo, não preciso me preocupar, já que concluí que não sou viciado.
La vou eu para cama, dormir que nem um anjinho com meu sono super pesado. Mas antes de dormir vou ver um vídeo de um jogador profissional jogando.
Agora vou dormir.
Mas antes de dormir vou analisar umas duas mãos em um fórum de discussão.
Agora vou dormir"
Enquanto estou deitado esperando cair no sono, fico refletindo se joguei corretamente meus 2 pares contra o João, um jogador super tight. Fiquei 30 minutos pensando e não consegui chegar a uma conclusão, acho que envolve fatores matemáticos. Por isso eu me levantei, peguei uma calculadora, papel e caneta e comecei a simular alguns resultados para ver o quão lucrativo minha jogada parecia ser. Mais 30 minutos se passam, e eu continuo na dúvida.
Agora vou dormir.
Tenho um sonho muito engraçado. Estou em uma sociedade onde todas as atitudes das pessoas são definidas entre bet, call, raise, fold, e ao invés de possuírem rostos, possuem naipes.
Após um curta noite de sono de 5 horas, eu acordo repentinamente. É frio e estou morrendo de preguiça, mas o dever me chama.
Tenho que me levantar.
Vou direto para o computador, let´s play!
Depois de umas duas horas minha cabeça começa a doer, provavelmente de fome, já que se faz umas 12 horas desde que eu comi alguma coisa. Eu poderia parar de jogar e ir na padaria, mas preferi continuar jogando, já que daqui 2 horas já seria almoço e aí eu iria comer.
Hora do almoço! Vou comer. Mas antes vou analisar algumas mãos em um fórum de discussão.
Agora vou comer.
Mas antes preciso tomar banho, escovar os dentes, me higienizar. Enquanto faço isso, reflito sobre as mãos que eu li no fórum de poker, será que o call do Pedro foi bom? Não sei, tenho que pensar mais.
Agora vou almoçar.
Lasanha, adoro lasanha! Enquanto como continuo refletindo sobre a mão do Pedro, acho que ele não deveria ter dado aquele call, eu acho que raise arquiva resultados melhores. Lasanha gostosa, pena que acabou, e agora tenho que voltar pro batente!
Já se aproxima o fim da tarde, e continuo no meu humilde jogo. Começo a ficar cansado, então é hora de parar. Nada como assistir alguns vídeos de poker para relaxar. Ops, já esta quase na hora da faculdade. Vou tomar banho. Mas antes, vou só terminar de assistir esse vídeo.
Agora vou pra faculdade.
Matéria chata, professor chato, sala chata. Ainda bem que eu tenho algo pra me distrair: pensar em poker! E assim vou, pensando pelas próximas 4 horas.
Aula acabou, janta chegou, e agora é hora de dormir. Mas antes, vou jogar um pouquinho.
Agora é hora de dormir.
La vou eu para cama, dormir que nem um anjinho com meu sono super pesado. Mas antes de dormir vou ver um vídeo de um jogador profissional jogando.
Agora vou dormir.
Mas antes de dormir vou analisar umas duas mãos em um fórum de discussão.
Agora vou dormir tranquilo, porque sei que não sou viciado.
Afinal, vício é para losers".
"Sempre achei engraçado quando alguém me dizia, quando mencionava que sou jogador de poker, "cuidado para não viciar".
Era só escutar isso para eu pensar rapidamente "que idiota, óbvio que não vou viciar, só losers viciam". Era minha maneira de ignorar um problema em potencial utilizando uma idiota arrogância que todos possuem dentro de si.
A frase em questão fez parte de toda a minha vida no poker, e ainda faz. Se pensarmos o que as pessoas realmente queriam dizer ao mencioná-la, provavelmente seria algo do tipo "cuidado para não viciar em apostar em um jogo que você irá perder muito, seja por falta de bankroll, seja por um abalo psicológico ou simplesmente por possuir um nível inferior. Se você fizer isso, você irá quebrar, e irá começar a apostar o que não tem, o que não pode..."
Eu já tive momentos em que fiz isso: joguei contra oponentes melhores, com bankroll baixo e com psicológico abalado, tudo de uma só vez. Eu diria que essa é uma das consequências do famoso TILT. A questão é que o TILT é passageiro e, assim sendo, essa fatalidade é uma exceção, e não uma regra, logo, não é um vício.
Então posso voltar a dormir tranquilo, não preciso me preocupar, já que concluí que não sou viciado.
La vou eu para cama, dormir que nem um anjinho com meu sono super pesado. Mas antes de dormir vou ver um vídeo de um jogador profissional jogando.
Agora vou dormir.
Mas antes de dormir vou analisar umas duas mãos em um fórum de discussão.
Agora vou dormir"
Enquanto estou deitado esperando cair no sono, fico refletindo se joguei corretamente meus 2 pares contra o João, um jogador super tight. Fiquei 30 minutos pensando e não consegui chegar a uma conclusão, acho que envolve fatores matemáticos. Por isso eu me levantei, peguei uma calculadora, papel e caneta e comecei a simular alguns resultados para ver o quão lucrativo minha jogada parecia ser. Mais 30 minutos se passam, e eu continuo na dúvida.
Agora vou dormir.
Tenho um sonho muito engraçado. Estou em uma sociedade onde todas as atitudes das pessoas são definidas entre bet, call, raise, fold, e ao invés de possuírem rostos, possuem naipes.
Após um curta noite de sono de 5 horas, eu acordo repentinamente. É frio e estou morrendo de preguiça, mas o dever me chama.
Tenho que me levantar.
Vou direto para o computador, let´s play!
Depois de umas duas horas minha cabeça começa a doer, provavelmente de fome, já que se faz umas 12 horas desde que eu comi alguma coisa. Eu poderia parar de jogar e ir na padaria, mas preferi continuar jogando, já que daqui 2 horas já seria almoço e aí eu iria comer.
Hora do almoço! Vou comer. Mas antes vou analisar algumas mãos em um fórum de discussão.
Agora vou comer.
Mas antes preciso tomar banho, escovar os dentes, me higienizar. Enquanto faço isso, reflito sobre as mãos que eu li no fórum de poker, será que o call do Pedro foi bom? Não sei, tenho que pensar mais.
Agora vou almoçar.
Lasanha, adoro lasanha! Enquanto como continuo refletindo sobre a mão do Pedro, acho que ele não deveria ter dado aquele call, eu acho que raise arquiva resultados melhores. Lasanha gostosa, pena que acabou, e agora tenho que voltar pro batente!
Já se aproxima o fim da tarde, e continuo no meu humilde jogo. Começo a ficar cansado, então é hora de parar. Nada como assistir alguns vídeos de poker para relaxar. Ops, já esta quase na hora da faculdade. Vou tomar banho. Mas antes, vou só terminar de assistir esse vídeo.
Agora vou pra faculdade.
Matéria chata, professor chato, sala chata. Ainda bem que eu tenho algo pra me distrair: pensar em poker! E assim vou, pensando pelas próximas 4 horas.
Aula acabou, janta chegou, e agora é hora de dormir. Mas antes, vou jogar um pouquinho.
Agora é hora de dormir.
La vou eu para cama, dormir que nem um anjinho com meu sono super pesado. Mas antes de dormir vou ver um vídeo de um jogador profissional jogando.
Agora vou dormir.
Mas antes de dormir vou analisar umas duas mãos em um fórum de discussão.
Agora vou dormir tranquilo, porque sei que não sou viciado.
Afinal, vício é para losers".
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