No post anterior, o grande Rocft pede “surrender” diante do nosso desafio, atribuindo à minha força de vontade e à utilização da tática de guerrilha “suntzuista” para vencê-lo, em contraposição à sua alegada subestimação baseada em premissas equivocadas, o que o teria deixado leniente na sua preparação para um resultado melhor.
Após cerca de 8 semanas de intensas batalhas, cada qual já tinha dissipado pelo ralo mais de 10kg de toucinhos prazeromente consumidos durante anos, e pelo perfil de gladiadores que já se delineava nessa disputa, o desafio certamente provocaria uma intensificação nos dias seguintes, dado os grandes resultados de ambos nesse curto período, o que certamente subrepujaria a qualquer insinuação de desistência naquele momento. Além disso, devo admitir que o prêmio que havíamos atribuido ao vencedor era de fato um parâmetro relevante...
Eis que surge então, a figura do grande mestre, meu querido Pajé que, analisando tão árdua disputa e antevendo que não haveria mais um ganho satisfatório em se mantendo a disputa de acordo com o propósito inicial, propôs o empate técnico, a qual aceitamos na hora e eu, particularmente, agradeci ao grande mestre pela lúcida interpelação, até porque os meus planos haviam mudado...
Meu amigo Rocft, você, como grande observador, acertou em cheio quando percebeu que o tirei do foco, mas não por demérito ou por desconsideração ao faixa-preta que é, o que seria de minha parte atitude pouco inteligente ou totalmente ingênua e precipitada.
O que de fato ocorreu nesses dois meses e pouco - e aí eu tenho muito à agradecer-lhe, pois você foi parte importante nisso – é que, de repente, fui descobrindo possibilidades baseadas em novas perspectivas as quais, como num passe de mágica, começavam a fazer todo sentido pra mim naquele momento e, como tal, obrigavam-me a desafiá-las quase que instintivamente. Cada vez mais me confrontava em cenas pitorescas, porém reais, conversando com pessoas diferentes do meu meio natural a respeito de quase tudo que não fosse puramente banal, trivial, porém numa simplicidade suficiente para mantermos o bom tom e interesse, discorrendo sobre os nossos objetivos e incertezas a cerca da viabilidade para concretizá-los conforme as nossas mais lúcidas determinações e, ao mesmo tempo, ponderando-os diante dos nossos conflitos e dores existenciais, que no final das contas, se não deixam de ser as nossas defesas diante do agir defenestrado, são também os nossos freios para uma vida de realizações maiores.
Procurei me interessar também por leituras sobre pessoas que lidaram com as dificuldades do tipo que povoam insistentemente as nossas mentes, pautando-me, por consequência, a considerar, racional e exato que sou, as idéias que saltariam de suas análises, para a correção ou melhoria das trajetórias de suas vidas e, porque não, da minha própria.
Então, como nos assombrosos lampejos das grandes tempestades, após lacônicas chuvas mornas e rotineiras que perpassam durante a maior parte de nossas vidas, percebi que sempre estaremos aquém de nossas próprias possibilidades, não importa o quanto tenhamos já conquistado. É insípido o conhecimento que temos sobre nós mesmos, quando somos nós e não os nossos heróis, a atingir os objetivos traçados. E que a maioria de nós sucumbe às dificuldades associadas, pois gostamos de nos penalizar, certos de que conhecemos o impossível (?!) e, sendo assim, julgamo-nos impróprios para a tarefa; e no limiar de nossas atitudes, adoramos mais é o conforto de nossas ações sempre muito bem articuladas para que nada seja tão demasiado a ponto de nos sentirmos ultrajados em nossos esforços; o que sempre esperamos, isso sim, são as recompensas pelo acaso de nossos destinos!
Lembrei-me de Confúcio. “Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”. Então, para chegarmos à algum lugar, é preciso antes de tudo, dar o primeiro passo. Em seguida, o segundo. E a cada movimento, descobrimos modos de fazê-lo melhor, prestando simplesmente atenção a nós mesmos. O quanto temos a melhorar e descobrir, enfim. É a interiorização em si mesmo, varrendo as mazelas que ficaram no caminho e cicatrizando definitivamente as feridas que insistem em abrir à menor lembrança de que foram um dia chamuscadas. É o apagar das memórias que nos trazem recordações que nos afundam na melancolia recorrente, impedindo-nos a prestarmos atenção às essas novas possibilidades.
É o agir absolutamente! Por quê temos que ter referências se não temos ainda a capacidade de nos descobrir como seres humanos potencialmente melhores a cada dia?
Foram por esses motivos, meu grande amigo, que eu desfoquei, na verdade não você, mas a competição em si, para me dedicar a mim mesmo, em busca dos nossos potenciais adormecidos, que hoje sei, estão sempre lá, e que para acioná-los é preciso pinçá-los forte e decididamente através de nossa vontade de proseguir sempre em frente ao compasso de nosso futuro. É o autoconhecimento suntzuista, o primeiro passo para sermos vencedores nas grandes batalhas que a vida criteriosamente vai nos brindando ao passar de nossas existências!
Quero agradecer então à você, Rocft, meu grande novo amigo e guru, que tão bem soube propor esse desafio que, aliás, tenho a impressão que já sabia de antemão de que conseguiríamos a vitória! Parabenizo-o também pela maneira sempre íntegra e justa de seu posicionamento diante das regras, no intuito de estabelecer-se critérios equilibrados! Sei que isso é default para você, mas não o é para a grande maioria dos competidores.
Chip Hunter in Search of Excellence (in Health!)
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Poxa Chip,cada dia mais fico seu fã ora pela eloquencia,ora pela elegancia ora pelo amigo que me mostrou que é então que fico muito feliz com nossa empreitada que ajudou-nos a se conhecer melhor ,e a lição de tudo isso é que,sei estou no caminho certo ,quando me aproximo de pessoas como vc.Um grande abraço mano.
ResponderExcluirRigor na avaliação, ético na condução da vida e humildade para corrigir os erros de percurso são hoje perfis cada vez mais escassos. Então, meu caro, o privilégio é meu ter esse tipo de aproximação. Sem falar ainda em honestidade, caráter, honra, essas coisas que são default pra vc.
ResponderExcluirChip