segunda-feira, 29 de junho de 2009

A construção de sua Imagem

Nesse post, gostaria de ilustrar um pouco mais sobre o significado da sua imagem, pois realmente a considero um dos pilares que reforçará a sua boa ou má performance durante uma sessão de Poker.

A imagem, como o próprio nome indica, é aquilo que reflete na mente de nossos adversários quando nos olham e percebem em sua memória aquilo que já fizemos numa mesa de Poker. Com esses dados em maior ou menor detalhe que depende do grau de observação que tem o seu adversário, você estará formando as informações necessárias que serão utilidadas contra você em determinado momento que dependerá também da característica de cada adversário. É justamente a esse fato que todo jogador deveria se ater sempre, a todo momento, ou seja, estar ciente de que está sendo observado pelas suas jogadas, seus blefes, os tells. Como essa imagem vai sendo construida aos poucos, de modo constante, você vai poder sempre reparar durante as sessões subsequentes o grau de percepção que seus adversários estão conseguindo captar sobre a sua maneira de jogar, se o percebem como jogador tight, loose, que entra em tilt sempre que perde uma mão, se senta nas fichas após ganhar uma boa mão, se é observador e, portanto, está constantemente prestando atenção às jogadas, se tem conhecimento teóricos sobre o jogo, se vem levando bad beat constantemente (bad runs), se o seu bankroll está no limite, se está pressionado em não perder e várias outras observações que pode fazer durante as sessões que jogar com o mesmo jogador.

Então se temos ciência disso o que deveríamos fazer sempre em nossas sessões de Poker? Exatamente o contrário daquilo que nossos adversários vêem como nossas fraquezas! Na verdade, o processo é um pouco mais complexo, na medida em que cada um de nossos adversários tem percepções diferentes sobre a nossa imagem, atribuindo graus variados de importância sobre cada uma das observações feitas. Portanto, no limite de nossas qualidades como jogador de Poker, deveríamos estar sempre atentos em como a nossa imagem é percebida por cada um de nossos adversários e, agora sim, utilizar as armas que melhor contrapõem os seus golpes. É, no fim, analisar primeiro aquilo que o nosso adversário pensa sobre nós, como jogadores.

Na medida em que você neutraliza essas jogadas, você criará na mente dos adversários a sensação de que tem o controle da situação a cada mão que que participa. Não importa se perdeu ou ganhou a mão, mas o que fica é que sempre será dado a você um grau de força que só a tem quem demonstrou durante as sessões passadas um padrão sólido de jogadas, mas de difícil interpretação, pois você saberá lidar com essas análises de seus adversários sobre você mesmo. Na medida em que isso ocorre, vai crescendo também, naturalmente, a sua auto-confiança sobre como jogar com cada um dos adversários. É um círculo virtuoso. A sua auto-confiança propiciará a você jogar cada vez mais o jogo certo e os resultados virão, mais cedo ou mais tarde.

O que não se pode é destruir esse arcabouço que você vai construindo e que leva tempo, em paradas que sintomaticamente levam os seus oponentes a crer que você teve uma recaída. É como a confiança, honestidade, a amizade, visões que se constroem com o tempo e apenas um deslize pomos tudo a perder. E aí você percebe que a sua imagem enfraqueceu, você vai se irritar com as insinuações de que voltou a ser um Arapiraca, vai começar a jogar mal, vai ficar constantemente marcado e, mesmo quando está com cartas boas, vai perder. Voltamos ao círculo vicioso.

Ganhar o devido respeito de sua imagem leva tempo. Portanto, não perca a oportunidade de dar o primeiro passo na construção de sua imagem!

Uma das coisas que mais vejo em jogadores principiantes é o gosto por mostrar as cartas após encerrar-se a mão. As razões são as mais estapafúrdias possíveis, como "Quero mostrar para dizer que não blefo" ou "Vou mostrar o blefe para quando tiver as cartas ele achar que ainda estou blefando" ou "ele é meu amigo e não quero passar a imagem de que o roubei" e por aí vai. Por definição, não se deve em hipótese alguma, mostrar as cartas desnecessariamente.

Fazendo isso você estará omitindo informações preciosas para seus oponentes. Se você mostra, você está dando essas informações a troco do quê? Você pode até imaginar que mostrando as cartas você poderá trapacear os seus oponentes futuramente, uma vez que você poderá jogar diferentemente em outras ocasiões...Esse pensamento faz parte da galeria dos Arapiracas. Pode até funcionar quando você está jogando com alguém que você provavelmente não mais encontrará além daquela sessão e, portanto, você pode enganá-lo na próxima mão.

Mas se você joga com as mesmas pessoas durante muito tempo, existe o conceito de legado de pensamento, a que todos, invariavelmente todos, estamos condenados: Nós sempre seremos aquilo que construímos ao longo do tempo, por mais que você queira mudar essas características. Se você constrói o seu jogo de uma maneira e paulatinamente vai revelando aos outros, mesmo que aos poucos, a construção dessa imagem (ou dessa maneira de jogar) vai sendo também construída subliminarmente no subconsciente daqueles que o vêem. E eles, os seus adversários saberão tirar proveito dessas informações em momentos certos. E é praticamente impossível você controlar isso a seu favor, pois faz parte intrínsica da sua psiquê. Isso vem à tona na seqüência dos jogos. E agora você saberá porque na sequência dos jogos você perderá mais do que ganhará, a não ser que você comece a fortalecer a sua imagem agora mesmo!

Chip Hunter

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