Galera do GDR, voltamos a postar após um breve período de meditações no último feriadão.
Antes de falar das coisas do Poker e do GDR, que é o objetivo deste blog, gostaria de comentar aspectos que considero relevantes sobre o desafio que eu e o Roger fizemos a nós mesmos.
Como “viciados” jogadores de Poker que somos, numa dessas conversas que tivemos no Msn, ficamos imaginando alguns desafios que poderíamos estar nos confrontando e diante do impasse na escolha dos itens a serem desafiados, optamos apenas por um, que em nossa avaliação, continha aspectos intrinsecamente adequados, haja vista as belas silhuetas arredondadas castigando nossos esqueletos durante anos, demonstração cabal de que havíamos escolhido o melhor desafio para ambos!
Iniciada a peleja, já me vi em nítida desvantagem, até pelos prognósticos dos palpiteiros e da torcida contrária: “Você não tem chances, pois o Roger sempre foi um esportista, além do que ele joga bola toda semana”, “O Roger vai pra academia todo dia com o seu Personal Trainer, fica lá 3h, depois faz acupuntura, massagem, e passa o dia tomando sopinha”, “Você alguma vez já foi magro, Luisão?, o Roger tem uma capacidade incrível de perder peso” etc.
Essa desvantagem acentuou-se quando o próprio Roger, em uma dessas conversas de botequim, demonstrou seu grande senso de humildade e justiça (sou fã desse cara só por essas virtudes, já no poker...) ponderando que não seria correto tanta vantagem assim e, por isso, queria me dar um contra-peso para o equilíbrio do desafio.
Claro que não aceitei, pois quando homologamos as regras, todas as informações cada um já as tinha consigo e, se não houve dúvidas na hora ou qualquer questionamento sobre as bases da disputa, naturalmente não haveria como contestar agora sobre os meandros que cada um usaria para chegar ao seu objetivo.
Então Roger, vá em frente, sue a camisa, de verdade, mas você encontrou desta vez um adversário que, mesmo em nítida desvantagem (aparente), vai dificultar as coisas pra você.
Não estou cantando vitória, pois sei que o meu adversário é poderoso. Para quem ainda não sabe o Roger foi campeão da Copa do Mundo de Jiu-Jitsu em 2005 e somente por isso, dá pra imaginar o seu poder de concentração e esforço de conquista.
No entanto, estou cantando uma grande satisfação pelo desafio a que nos propusemos. Minha primeira decisão foi ter ido a um SPA no interior de SP, no feriadão, com o intuito de iniciar a minha arrancada pra vitória. Lá chegando, me deparei com várias pessoas, todas elas também se desafiando a perderem seus excessos, ouvi toda espécie de lamúrias, seus desencantos, a falta de saúde, horizontes perdidos, baixa auto-estima etc; confesso, não fiquei nem um pouco confortável até porque eu era um deles, que também estava lá para suprir os meios anseios.
Até que chegou o sábado, e sendo o SPA um recanto adventista, fui convidado pelo dono, um sujeito com uma visão de mundo diferenciada, a orar na capela e ouvir algumas lições que a Bíblia nos oferece.
Eis que nos foi apresentado um sujeito magro, aparentando 40 anos, sereno, fala mansa. Ele seria uma espécie de orador da Bíblia. Iniciada a oração e entremeando com a história de Daniel, escravo do rei Nabucodonosor, personagens do império Babilônico, contou a sua própria história, essa sim, mais interessante e que coadunava com o meu propósito de estar naquele lugar.
Há 3 anos, aos 37 anos ele tinha 160 kgs. Após várias tentativas frustadas de perder os seus quilinhos, ele notara que até aquele momento, jamais tivera a consciência necessária sobre a sua real vontade de perder os seus excessos. Sempre eram os filhos, a esposa, os pais, os amigos insistindo para que ele reagisse diante da mórbida situação. Nesta toada, ele sempre frustava os seus pares, pois depois de algum sucesso, sempre se deparava com os obstáculos naturais de quem tem um problema crônico, voltando à estaca zero.
Até que, por um capricho de nossas consciências, (ou seria a consciência cósmica, hein Roger?), ele, após um período de intensa meditação, iniciou sua nova odisséia: iria dessa vez desafiar a si próprio, pois desconfiara que a raíz do problema era ele mesmo, ou o seu próprio alter-ego, capaz de induzir em sua auto-consciência o poder nefasto que todos temos de nos tornarmos prisioneiros de nós mesmos, necessitados que somos de afagos, conforto, auto-indulgências, mimos, características essas tão marcantes nos seres humanos.
Consciência adquirida, ele pôs-se a agir no sentido de bloquear todas as peripécias e traições de seu alter-ego, desafiando-o para o confronto final.
Esse sujeito, depois de 3 anos, tem hoje 70kg; no entanto, não se sente o vitorioso do desafio, nem acha que vencera o confronto final, pois segundo ele, essa batalha não tem fim, uma vez iniciada, é pra sempre. Diz ele: “Afinal, nós nunca eliminaremos o nosso alter-ego, apenas teremos que desafiá-lo sempre que ele nos tenta trapacear com seus blefes, que hoje sabemos o que representam e então podemos ignorá-los contragolpeando com a nossa própria consciência, a mesma que nos levou a enxergar a grande virtude desse grande desafio”.
Sem saber, ele de certa forma estava tocado num assunto que me dizia respeito, não a de perder também o excesso do meu peso, mas com relação ao desafio. E isso mudou a minha perspectiva diante da disputa. O que quero dizer é que vou me juntar ao personagem acima: nesse Fat Challenge vou desafiar também o meu próprio alter-ego! Vencendo-o, subirei um degrau das oportunidades que a vida tem a nos oferecer. Sei das dificuldades que encontrarei, pois conheço o seu poder. Convivemos dia-a-dia, e na maioria das vezes, ele toma conta de minhas ações; até hoje a convivência tem sido pacífica e passiva, porém decidi que não mais será assim.
Não terei mais os afagos, não preciso mais de conforto. Auto-indulgências, jamais. Quero que a minha consciência tome conta das minhas ações. Quando derrotar o meu alter-ego, o terei como aliado e juntos seremos mais fortes para batalhas futuras.
Tenho batalhado muito, e me sinto já um vitorioso, não por estar perdendo peso, mas por estar usando a minha consciência em prol de mim mesmo. Vou gostar de ganhar o Challenge, mas se não der, vou agradecer ao Roger por essa oportunidade.
Vamos comemorar muito no dia 09 de agosto!
“Sinto dores, sinto um cansaço incrível, mas nada ultrapassa a minha vontade e alegria de treinar até superar o que fiz no dia anterior”. Michael Jordan
Chip Hunter
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