domingo, 11 de outubro de 2009

Atingindo as nossas metas com alta performance

Na revista Runner´s de outubro li uma reportagem sobre Dean Karnazes. Para quem não o conhece, ele é um sujeito americano que simplesmente adora bater recordes pessoais, um deles foi o de correr 50 maratonas em 50 dias seguidos! A máquina tem 3% de gordura corporal, 38 bpm de frequência cardíaca basal e corre 50 km todo o dia como treinamento.

Não quero repetir aqui a reportagem da revista sobre os seus feitos, manias etc, mas o que vale a pena enfatizar são as suas respostas diante das questões de curiosos enaltecendo seus dotes físicos naturais para tais façanhas onde invariavelmente responde que não possui nada além de muita dedicação e perseverança.

Óbvio que a maioria das pessoas não conhece os limites dessas duas palavras, senão haveriam várias delas atingindo as performances que já não poderiam ser consideradas excepcionais por esses motivos.

Eu acredito que é justamente essa postura diante da vida, com total dedicação e perseverança às metas as quais julga poder cumpri-las, que diferencia o sábio do bobo da corte.

Diz Karnazes, "Somos 70% cabeça, 15% treino e 15% dieta...Não tenho nada de diferente ou de especial". Esquece apenas de enfatizar que, além dessas características comuns, ele carrega consigo uma imensa vontade sobre conquistas, mas talvez levasse muito mais tempo explicando o que faz para manter essa auto-estima lá em cima do que percorrer os 42 km da maratona.

O que vale mesmo a pena é ouvi-lo quando ele fala sobre o respeito aos seus limites, para impor a condição de superar os seus próprios obstáculos diante da vida. "Eu faço o meu melhor nas competições das quais participo. Se eu chegar em 15, realmente não me importo. A vitória não é o que me motiva. O que quero para mim é terminar e saber que fiz o meu melhor. Se foi a 15 colocação, que seja. Prefiro isso a chegar em primeiro lugar e saber que não dei tudo de mim, que poderia ter sido melhor. Isso tem que ser verdadeiro", ressalta ele.

Você amigo leitor, pode achar que essa reflexão soa piegas ou conversa fiada.

Mas veja o que dizem outros que chegaram lá:

"Sinto uma dor terrível, um cansaço insuportável. Mas uma alegria imensa ao saber que terminei o meu treino conforme havia planejado", Michael Jordan quando era ainda jogador universitário.

"Quando estou na raia, é como se eu parasse de pensar e me concentrasse apenas em nadar e nadar cada vez mais forte, não me preocupando com o adversário, nem com as dores insuportáveis. Sempre quando ajo assim, coisa boa vem", Cesar Cielo, ao bater o recorde mundial dos 50m.

"1% inspiração e 99% transpiração", Albert Einstein, quando perguntado sobre o que o faz ser tão genial.

"Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo.", Ayrton Senna, respondendo sempre com a mesma resposta às perguntas sobre como faz para alcançar tamanha performance.

"No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz.", novamente Ayrton Senna.

"Não sei dirigir de outra maneira que não seja arriscada. Quando tiver que ultrapassar, vou ultrapassar mesmo. Cada piloto tem um limite. O meu é um pouco acima do dos outros.", Ayrton Senna, comentando onde é o seu limite.

"Podem ser encontrados aspectos positivos até nas situações negativas e é possível utilizar tudo isso como experiência para o futuro, seja como piloto, seja como homem.", Ayrton Senna, como podem ver, sou fã desse cara.

"Campeões não são feitos em academias. Campeões são feitos de algo que eles têm profundamente dentro de si - um desejo, um sonho, uma visão.", Muhammad Ali

"Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o sucesso. Não importa quais sejam os obstáculos e as dificuldades. Se estamos possuídos de uma inabalável determinação, conseguiremos superá-los. Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, recatados e despidos de orgulho.", Buda

"Não tinha medo das dificuldades: o que assustava era a obrigação de ter que escolher um caminho. Escolher um caminho significava abandonar outros.", Paulo Coelho

"Cada um de nós faria mais coisas, se as julgasse menos impossíveis.", Duque de La Rochefoucauld


Chip Hunter
Out/2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Notas do Editor

Não poderia ficar ausente diante da "pressão" psicológica imposta pelo grande Eduzão, pra ficar somente nesse eufemismo. Como editor do blog, tenho a missão de qualificar os posts, arrumar uma coisa aqui e ali, deixar os textos mais aparados na forma e também medir bem os conteúdos para que fiquem o mais perto possível daquilo que o autor tenha querido escrever.

Ocorre que, como editor, eu também gosto de escrevinhar. Mas, para relembrarmos o primeiro post, esse blog nasceu não como um instrumento para o qual ele de fato existe na sua concepção usual, mas para trocarmos idéias preferencialmente sobre o poker, esse jogo que todos idolatramos. E isso não tem ocorrido com a frequência e quantidade necessárias para gerar aquilo que nossos ancestrais gregos adoravam fazer: produzir dialéticas no intuito de abrir possibilidades para novos conhecimentos!

Na verdade esse blog também tem a sua versão "Caras" onde podemos tratar os assuntos que quisermos (editado é obvio), mas o assunto primordial é o poker e para isso, como disse, é necessário haver maior interação...

De minha parte, como gosto muito do jogo e também gosto de estudá-lo em todas as suas dimensões, ficaria muitíssimo satisfeito se pudesse fazê-lo diante de cenários traçados pelos amigos do blog. A interatividade tornará o blog mais interessante e sendo assim trará outras contribuições com novos assuntos.

Dessa forma imagino que o blog se tornará o lugar onde todos os amigos possam de fato colocar o seu ponto-de-vista, sem qualquer constrangimento!

ChipHunterinsearchofnewpossibilitiesintheblog!

Para que serve um Blog?

VOCE SABE RESPONDER A ESTA PERGUNTA?
PARA QUE SERVE UM BLOG ENTÃO?
CERTAMENTE NÃO SERIA PARA CONFETES E SERPENTINAS, RASGAÇÃO DE SEDA.
ENTÃO... JÁ ERA...

POIS BEM, TENHO LIDO ESTE BLOG DESDE SEU INÍCIO E NÃO CONSEGUI ENXERGAR OUTRA COISA SENÃO SEDAS RELUZENTES RASGADAS, CONFETES DESPEJADOS SEM MISÉRIA, E POR AI VAI...

QUANDO FIQUEI SABENDO DA EXISTÊNCIA DESTE CANAL DE COMUNICAÇÃO (CANAL DE COMUNICAÇÃO É BONITO HEIN?), PENSEI QUE MESMO ESTANDO LONGE, PODERIA ACOMPANHAR O QUE ACONTECIA COM MEUS AMIGOS, PARCEIROS, ADVERSÁRIOS, SEI LÁ O QUE TAMBÉM...DE REPENTE ATÉ NOTÍCIAS DO CORINTHIANS, PALMEIRAS, DA LUSA QUEM SABE...DO AMARAL...

AMARAL?? (BRINCADEIRINHA GRANDÃO, AI FOI MAL, CALMA, CALMA).

MAS ENFIM, TUDO ESTARIA A CONTENTO SE NÃO FOSSE O EXCESSO DE CASOS E CAUSOS DE AMOR QUE AQUI ATÉ NOS FAZEM CHORAR.

É ISSO MESMO..!!! E PELO QUE ANALISEI, TEMOS ATÉ UMA DUPLA EXTREMAMENTE APAIXONADA, QUE RASGAM SEDAS EM TODOS COMENTÁRIOS E ATÉ COMENTAM SOBRE A DIETA DO CASAL, ..NADA CONTRA, MAS ESSE ERA O INTUITO DO BLOG?

POIS BEM, RESOLVI ME REBELAR CONTRA ISSO TUDO... ESTOU AQUI, A 600 KM DE SP, TREMENDO DIA A DIA POIS AQUI NÃO TEM NENHUM JOGUINHO, E AO INVÉS DE PODER SACIAR MEU VÍCIO ATRAVÉS DA LEITURA DE CASOS E CAUSOS DO NOSSO TÃO ESTIMADO E VICIANTE POKER, TENHO QUE FICAR LENDO ESSA BABAÇÃO DE OVO SEMANAL.

DIGA–SE DE PASSAGEM, ELES SEQUER ESCREVEM MAIS, ACHO QUE ESTÃO DISCUTINDO A RELAÇÃO!

SENHORES ADMINISTRADORES DESTE BLOG, POR FAVOR, VOLTEM A POSTAR NOVOS COMENTÁRIOS, OU O QUE QUER QUE SEJA, FALEM DO NOSSO CLUBE, DIVULGUEM PREMIAÇÕES, TORNEIOS, EVENTOS, BAD-BEATS, QUEM GANHOU, QUEM “QUEBROU”, QUEM QUEIMOU, DAS ESTRELAS E DE QUEM ESTRELOU...

FIQUEM MUITO P...S COMIGO E SE QUISEREM NEM POSTEM ESTE COMENTÁRIO, MAS POSTEM OUTROS ENTÃO...FALEM DA ESSÊNCIA DO POKER E DO QUE VEM ACONTECENDO EM “NOSSA CASA” SE É QUE O ROGER ME PERMITE CHAMAR ASSIM... MAS NÃO DEIXEM QUE O BLOG ACABE POR FALTA DE POSTAGENS E MUITO MENOS POR EXCESSO DE PLUMAS E PAETES...

ABRAÇOS DO “AMIGO” (EU ACHO QUE DEPOIS DESSA, NUM SEI NÃO?)
EDU – BIRIGUI

domingo, 4 de outubro de 2009

De Volta a escrivaninha!

Salve senhores do pano,espero que estejam todos bem!!

Nossas atualizações estão sendo poucas mas acho que alguma coisa tipo slogan da Tostines, atualiza pouco por que a galera não lê ou a galera nao lê por que atualiza pouco!! Não sei não, mas vou continuar fazendo a nossa parte, afinal essa é a nossa proposta; audiência é consequência. Entao senhores vamos tentar uma atualização mais rapida contando um pouco dessa familia que esta aqui se formando. Sem rasgação de seda (chega né), vou tomar o Chip Hunter como exemplo, pois ele é uma das referências da galera aqui, pra todo mundo perceber que craque tambem sofre, o craque está numa fase ruim o que a gente, metido à americano, chama de bad run.

Tenho conversado muito com ele e temos uma opinião comum sobre isso, na verdade o que diferencia um bom jogador de um mau jogador é fundalmentalmente o tilt, ou seja, se vc não estiver tranquilo e focado a chance de tiltar e sair do seu nível normal de jogo é muito fácil, portanto estamos mais focados agora no aspecto emocional do jogo, vou tentar explicar com números o que esse diferencial emocional faz colocando alguns parâmetros numéricos pra tentar expressar mais claramente o que penso disso. Digamos que temos dois jogadores que forma avaliados por duas bancas uma de jogadores e outra de psicólogos,que lhes atribuiram notas .

Jogador a : nota como jogador 7,nota no aspecto psicologico 3
Jogador b : nota como jogador 5,nota no aspecto psicologico 7

Essas notas são meramente ilustrativas, afinal de contas quem somos nós a fazer esse julgamento mas segundo minhas referencias o jogador nota a se mostra um cara conhecedor da matematica do jogo, uma boa leitura de oponentes uma boa administraçao de stack entre outras virtudes, e num jogador b nota 5 temos um cara bem simplista com poucos movimentos, aumentos e carascteristicas padrão o que o torna um jogador razoavelmente facil de ser mapeado, portando uma presa facil ao jogador a ,mas a pratica mostra que nao é bem assim pois um cara com nota 3 no aspecto psicologico demosntra um auto controle muito baixo, um despreparo total ao lidar com frustraçoes o que fazem dele uma bomba relogio, sabendo disso e fazendo uma bem a grosso modo só a titulo de ilustraçao temos um jogador nota 5 = 7+3/2 enquanto que o outro jogador que administra bem suas emoçoes suas frustaçoes que sao inerentes ao jogo, se mantem centrado e focado no seu jogo mantendo sempre o mesmo ritmo temos entao um jogador nota 6= 5+7/2.Entao senhores tentando explicar mais ou menos acho muito mais muito importante o equilibrio do que a tecnica .Moral da estoria se beber nao dirija e se tiltar nao jogue .lol.mais ou menos isso.


Saudaçoes Palestrinas

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Você sabe de fato quem você é?

No post anterior, o grande Rocft pede “surrender” diante do nosso desafio, atribuindo à minha força de vontade e à utilização da tática de guerrilha “suntzuista” para vencê-lo, em contraposição à sua alegada subestimação baseada em premissas equivocadas, o que o teria deixado leniente na sua preparação para um resultado melhor.

Após cerca de 8 semanas de intensas batalhas, cada qual já tinha dissipado pelo ralo mais de 10kg de toucinhos prazeromente consumidos durante anos, e pelo perfil de gladiadores que já se delineava nessa disputa, o desafio certamente provocaria uma intensificação nos dias seguintes, dado os grandes resultados de ambos nesse curto período, o que certamente subrepujaria a qualquer insinuação de desistência naquele momento. Além disso, devo admitir que o prêmio que havíamos atribuido ao vencedor era de fato um parâmetro relevante...

Eis que surge então, a figura do grande mestre, meu querido Pajé que, analisando tão árdua disputa e antevendo que não haveria mais um ganho satisfatório em se mantendo a disputa de acordo com o propósito inicial, propôs o empate técnico, a qual aceitamos na hora e eu, particularmente, agradeci ao grande mestre pela lúcida interpelação, até porque os meus planos haviam mudado...

Meu amigo Rocft, você, como grande observador, acertou em cheio quando percebeu que o tirei do foco, mas não por demérito ou por desconsideração ao faixa-preta que é, o que seria de minha parte atitude pouco inteligente ou totalmente ingênua e precipitada.

O que de fato ocorreu nesses dois meses e pouco - e aí eu tenho muito à agradecer-lhe, pois você foi parte importante nisso – é que, de repente, fui descobrindo possibilidades baseadas em novas perspectivas as quais, como num passe de mágica, começavam a fazer todo sentido pra mim naquele momento e, como tal, obrigavam-me a desafiá-las quase que instintivamente. Cada vez mais me confrontava em cenas pitorescas, porém reais, conversando com pessoas diferentes do meu meio natural a respeito de quase tudo que não fosse puramente banal, trivial, porém numa simplicidade suficiente para mantermos o bom tom e interesse, discorrendo sobre os nossos objetivos e incertezas a cerca da viabilidade para concretizá-los conforme as nossas mais lúcidas determinações e, ao mesmo tempo, ponderando-os diante dos nossos conflitos e dores existenciais, que no final das contas, se não deixam de ser as nossas defesas diante do agir defenestrado, são também os nossos freios para uma vida de realizações maiores.

Procurei me interessar também por leituras sobre pessoas que lidaram com as dificuldades do tipo que povoam insistentemente as nossas mentes, pautando-me, por consequência, a considerar, racional e exato que sou, as idéias que saltariam de suas análises, para a correção ou melhoria das trajetórias de suas vidas e, porque não, da minha própria.

Então, como nos assombrosos lampejos das grandes tempestades, após lacônicas chuvas mornas e rotineiras que perpassam durante a maior parte de nossas vidas, percebi que sempre estaremos aquém de nossas próprias possibilidades, não importa o quanto tenhamos já conquistado. É insípido o conhecimento que temos sobre nós mesmos, quando somos nós e não os nossos heróis, a atingir os objetivos traçados. E que a maioria de nós sucumbe às dificuldades associadas, pois gostamos de nos penalizar, certos de que conhecemos o impossível (?!) e, sendo assim, julgamo-nos impróprios para a tarefa; e no limiar de nossas atitudes, adoramos mais é o conforto de nossas ações sempre muito bem articuladas para que nada seja tão demasiado a ponto de nos sentirmos ultrajados em nossos esforços; o que sempre esperamos, isso sim, são as recompensas pelo acaso de nossos destinos!

Lembrei-me de Confúcio. “Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”. Então, para chegarmos à algum lugar, é preciso antes de tudo, dar o primeiro passo. Em seguida, o segundo. E a cada movimento, descobrimos modos de fazê-lo melhor, prestando simplesmente atenção a nós mesmos. O quanto temos a melhorar e descobrir, enfim. É a interiorização em si mesmo, varrendo as mazelas que ficaram no caminho e cicatrizando definitivamente as feridas que insistem em abrir à menor lembrança de que foram um dia chamuscadas. É o apagar das memórias que nos trazem recordações que nos afundam na melancolia recorrente, impedindo-nos a prestarmos atenção às essas novas possibilidades.

É o agir absolutamente! Por quê temos que ter referências se não temos ainda a capacidade de nos descobrir como seres humanos potencialmente melhores a cada dia?

Foram por esses motivos, meu grande amigo, que eu desfoquei, na verdade não você, mas a competição em si, para me dedicar a mim mesmo, em busca dos nossos potenciais adormecidos, que hoje sei, estão sempre lá, e que para acioná-los é preciso pinçá-los forte e decididamente através de nossa vontade de proseguir sempre em frente ao compasso de nosso futuro. É o autoconhecimento suntzuista, o primeiro passo para sermos vencedores nas grandes batalhas que a vida criteriosamente vai nos brindando ao passar de nossas existências!

Quero agradecer então à você, Rocft, meu grande novo amigo e guru, que tão bem soube propor esse desafio que, aliás, tenho a impressão que já sabia de antemão de que conseguiríamos a vitória! Parabenizo-o também pela maneira sempre íntegra e justa de seu posicionamento diante das regras, no intuito de estabelecer-se critérios equilibrados! Sei que isso é default para você, mas não o é para a grande maioria dos competidores.


Chip Hunter in Search of Excellence (in Health!)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Meu ídolo, meu herói, meus amigos e meu surrender!

Amigos do pano, talvez seja recorrente o que desejo postar agora, mas não importa, esse espaço foi criado justamente para darmos vazão ao que sentimos e pensamos, então, mais uma vez gostaria de traduzir aqui o que sinto nesse momento sobre as pessoas que hoje fazem parte do meu dia a dia e que, portanto, afetam o meu humor, meus hábitos e minhas atitudes. Como não poderia deixar de ser, boa parte desse pessoal é o que está aqui comigo, no GDR Poker Room, e sempre serei grato a todos eles que frequentam a nossa convivência, claro, com espírito altamente competitivo, porém dotados de uma sociabilidade da qual me orgulho muito, quando sei que essa qualidade muitas vezes não é praxe nesse nosso meio.

Então vamos a esse deleite. O Poker, que jogo genial, fascinante, intrigante, algumas vêzes injusto, porém logo ali na frente ele subtrai essa injustiça pregando uma peça na mesma moeda ao seu adversário, dando-lhe um saboroso bad-beat, conferindo-lhe o mesmo sentimento de injustiça e por ai vai, e é por isso que o Poker atrai cada vez mais pessoas de todas as matizes em torno da mesa.

O amigo já pode ir dizendo mais uma vez lá vem ele com os seus paradoxos... não, desta vez parei por aqui. Na verdade, apenas quis abrir o texto dessa forma para dar ênfase ao quão maravilhoso o poker de fato é; sem querer fazer qualquer apologia aos clubes, sei que existem muitos lugares verdadeiramente ruins por ai e até mesmo a internet tira um pouco da essência dessa maravilha engenhosa chamada Texas, o contato pessoal.

Incrivel e eis aqui mais um paradoxo que ocorre, num ambiente que outrora fora somente de foras-da-lei e presença de senhoras de favores pagos ou de tudo que estivesse a margem da lei, hoje o poker room se tornou um lugar de encontro de amigos, e amigos do bem, até relembrando o paradigma segundo o qual os próximos se procuram, isso é a mais pura verdade pois nunca imaginei e juro pra vcs sem demagogia nenhuma, encontrar pessoas que me acrescentassem tanta à vida num curto periodo é realmente emocionante em todos os sentidos! Como sou uma pessoa muito passional, poderia aqui ficar citando vários amigos que essa empreitada me proporcionou, mas pôxa, em tão pouco tempo?

Pois é essa minha filosofia de vida, você sempre terá a corda para se enforcar, ou seja, a liberdade que temos é a nossa maior restrição, se a pessoa nao souber conviver com isso, estar ao meu lado lhe será hostil e a relação vai minguar, certeza absoluta. É por isso que não me importa o tempo que conferimos à amizade, mas sim a intensidade e a forma como essa interação se aplica no dia a dia.

Aqui no GDR, sempre recebo a todos de braços bem abertos sem qualquer processo seletivo inicial, porém com o passar do tempo a dinâmica de interações que lubrificam os relacionamentos vão dando o tom de nossas ponderações, fazendo com que consigamos separar o joio do trigo. Posso até cometer erros, mas acredito que são pontuais e passíveis de serem corrigidos, porém os parâmetros que me fazem crer que eu esteja certo de minhas escolhas são os níveis de amizades que possuo, razões pelas quais não tenho motivos para mudar.

Nossa meu, mas por quê você tá falando disso tudo agora? Simplesmente por que faço questão de enfatizar principalmente aos que me conhecem há pouco tempo, que não falo as coisas por demagogia, procuro sempre ser direto, franco,...mas chega de blá-blá-bla e vamos ao que interessa: Amizade: na etimologia minha e não a do Aurélio (alma em dois corpos) É ISSO. Eu penso meu, vou te falar, sou um privilegiado nesse aspecto, cada vez mais a vida me brinda com essa benção que é a amizade. São tantas amizades conquistadas ao longo de várias jornadas, algumas de uma vida inteira, outras apenas amostras que já me fizeram crer que o tempo realmente não é importante.

Repetindo, quero dedicar esse post novamente à algumas pessoas, mas desde já peço desculpas à todos aqueles que não são citados, mas que sabem o quanto são importantes para mim. Meu primeiro amigo como não poderia deixar de ser é o meu pai, pô tô até chorando só de falar o nome do velho! Veja então se eu não gosto e admiro esse cara, num simples parágrafo sobre ele, já me desmancho. Quem nos conhece de relance, podem achar estranha a nossa relação, pois a gente se xinga, briga até por coisas tolas, mas é muito difícil algo nesse plano terrestre que nos separe, pois não há nem haverá maior e melhor referência em tudo que faço na minha vida! Esse homem, juro a vocês, é um Superman; não vou aqui falar mais dele pois ele já se acha demais, apenas mais uma coisa: Ele sempre será o meu maior ídolo, nunca haverá outro, podem crer!

Então, após descobrir o significado de uma verdadeira amizade através da figura de um pai, vários amigos fui conquistando ao longo dessa minha existência, alguns estão sempre próximos até hoje, com muitas lembranças excelentes, lições de vida que vivenciamos juntos, que os digam o Flavio, Clayme, o Salim, Fabio e o Saloo. Esses caras sabem o que significa pra mim tê-los sempre por perto, realçando e lustrando as nossas amizades sempre ao sabor de nossas lembranças e o que podemos construir juntos nessa estrada que aprendemos a sempre compartilhar sem usuras, receios, apenas guiados pelos nossos sentimentos comuns, porém de altíssimos valores, os quais sabemos que nos são sempre caros...

E como acredito que a vida sempre nos surpreende a cada dia, eis que surge o que viria a ser o meu melhor amigo, o Raphinha, meu samurai e como tudo na vida é uma questão de mentalizar aquilo que você quer de melhor a quem você ama, a quem você dedica a sua vida para ver essas criaturas sempre sorrindo e felizes, sua chegada meu filho, foi uma benção de nosso papai do céu, dando-me uma alegria que não posso traduzir em palavras, mas que vem do fundo de meu coração, aquele sentimento que somente quando o sentimos sabemos do que se trata...

Um verdadeiro samuraizinho, um guerreiro, meu filho, que logo no começo da vida já passou por tantos revezes em que a maioria de nós adultos sequer imaginamos um dia passar. Mas, o meu guerreirinho, nos seus poucos aninhos, sempre foi me ensinando o que é de fato ser forte, mostrando-me um sentido diferente da vida, com a sua vontade surpreendente para ultrapassar as dificuldades que lhe aparecem, sempre sorrindo, aquele sorriso verdadeiro de criança, os seus olhinhos cintilantes, dando-me a demonstração cabal de que é sempre preciso ser forte, guerreiro, lutar pela vida, pela felicidade, pela alegria da conquista de uma espaço nessa nosso mundo...Desde o início, pela forma que as coisas foram correndo, já via claramente a inversão dos sentimentos normais de um pai diante do filho, pois era ele quem me passava o sentimento de fortaleza e serenidade, por mais que a situação não estive tão boa pra ele; ele sempre nos reconforta com o seu olhar, seus pequenos gestos tão cheios de ternura, sorrindo, como dizendo-nos para ficarmos tranquilos que aquilo ele tiraria de letra.

Não sou de ferro, nunca fui, estou agora aos prantos, e é dessa maneira que quero relatar, que nesse pouco tempo de convívio entre nós, ele tem me ensinado diariamente o que significa sobrepujar as dificuldades inerentes que a vida coloca sobre nosso colo sem pedir permissão. Poderíamos ficar nos lamentando por esses e outros infortúnios, mas a memória do meu samuraizinho não tem espaço para lamentações, essa é uma das razões de minha profunda admiração por ele; tudo isso que estou relatando não é corujice, nunca fui bom nisso, todos sabem, mas aprendi com meu primeiro amigo que o que já está bom nao precisa ser comentado nem realçado. Então, esse papo de "meu garoto" aqui nao rola, o que rola é admiração a um garoto de espírito guerreiro, um samurai que já nasceu samurai, já brigou pela sobrevivência sem ter aprendido com ninguém, seguiu simplesmente seus instintos de guerreiro e pra coroar a sua honra passou por tudo isso sem perder a classe do sorriso. Você pode falar, pô mas é uma criança, mas vejam, estive por 30 dias em uma UTI pediátrica e via a tristeza estampada nos rostos das outras crianças, mas ele se manteve com o moral impassível, um exemplo um guerreiro, parabéns Raphinha!!!

Ôooooooooooosssssssssss! Pois é, mas e o poker? Bom as coisas foram fluindo na minha vida até que pra quebrar vários paradigmas, um dos meus amigos enveredou pelo Poker, um tal de Akkari, nem quero comentar nada sobre a nossa amizade, pois o bicho virou celebridade então, qualquer coisa que eu falar dele vai parecer papagaio de pirata, mas o quero comentar viu Pelica, que fica entre nós, ele me deu uma força pra abrir um clube, pois meu outro negócio não ia mais bem, me juntei com um outro amigo que também dispensa comentários, um espanhol teimoso, metódico, mas duvido que muitas pessoas no mundo tenha a sua lealdade, altruísmo, um grande exemplo de ser humano, Saloo!. E aí embarcamos nessa nova etapa de minha vida e as coisas foram andando, apareceu um tal de Rocha um puta babaca, que joga mal pra cacete porém pra quem o conhece sabe que ele é mais carismático do que tight e ele folda KK pre-flop como se fosse a coisa mais natural do mundo e nem fica vermelho (vê se ele é tight), portanto imaginam o tamanho do seu carisma desse malandro teimoso pra cacete, mas ainda vou ensinar uma paradas pra ele vai ficar de fato bom. Minha querida Anita, sei que vc é uma das leitoras do nosso blog, me ajuda a fazer com que ela assista o The Secret, isso vai ajudá-lo muito, a gente é o que a gente pensa, bom mas enfim esse malandro me ajudou muito, trouxe uma galera muito gente boa que já foi citada e bem descrita no ultimo post pelo Edu, grande Eduzão, salve o curintia (Obina neles), muita gente boa mesmo não vou falar de novo pra não ficar chato, mais né.

Bom nessa leva veio um tal de Luis, um japonês gordo, bem humorado (é claro, gordo não passa vontade tá sempre de bom humor), veio aqui no primeiro dia falou todos os termos técnicos do Poker, que já tinha lido uma biblioteca e tal, metido a intelectual do jogo. E aí, como estavamos na frente do computador, resolvi consultar os seus ganhos na internet e pra nossa surpresa se tratava de um Fish de Aquário, ou seja, jogador muito fraco!! Muito bem, enquanto conversávamos, eu, o Rocha e o Korea, o japonês decidiu jogar um jogo fraco que estava rolando na mesa e enquanto continuávamos conversando, ele nadava de braçadas na mesa dava falinha, blefava e mostrava... Quando me dei conta disso, falei, ôpa na minha piscina o tubarão sou eu (ou era rsrsrsrsr...). Sentei na mesa e em poucos minutos deixei o japinha só com o elástico do dinheiro, caiu duro, me dei por satisfeito, tinha colocado o guru do Rocha no seu devido lugar, ridicularizado seus ganhos na internet e a vida seguiu.

Então esse japa gordo sempre sorridente começou a frequentar o GDR, seu carisma maior que sua barriga contagiava a todos, principalmente a mim, ao ponto de um dia um cara que não vou citar o nome, pois ele não merece esse crédito,foi muito, mas muito escroto na mesa com o japa, na hora eu não falei nada, mas depois refleti e falei se fosse comigo eu teria feito algo diferente, mas o japa se controlou e tal, e começou a chamar a minha atenção, daí pensei, pôxa, ele não tomou qualquer atitude pois estava numa casa estranha e então nos respeitou... Então, no outro dia, liguei pra ele e falei ô japa escuta aqui, você ontem mostrou uma paciência muito grande e se isso foi em respeito a nossa casa, a partir de hoje, você está autorizado a responder a esse cidadão a altura, portanto fique a vontade; em outras palavras, fica tranquilo que já vimos que você é do bem e outro é um covarde, então se quiser soltar a cachorrada fica a vontade, a casa é sua. E pra minha surpresa, ele esqueceu o episódio, mantendo-se de forma sempre muito tranquila na mesa mesmo quando perdia, e como ja disse em outro post o bicho é uma enciclopédia e comecei a admirá-lo cada vez mais pelo seu equilíbrio, depois pela técnica e descobri que naquele dia que eu o deixei duro, o malandro tava era usando a verba de propaganda, um puta jogador realmente um ás do Poker...

Inspirado numa aposta entre o Akkari e o Caio Pimenta, onde o desafio era perda de peso, minha afinidade e admiração por ele já estavam suficientemente grande pra desafiá-lo da mesma forma. Feita as regras como enunciado no post Fat Challenge, a galera começou com o “você já perdeu... o japa é maluco... ele parou de fumar de estalo, um cara com uma opinião muito forte...; mas como todo bom faixa preta que sou, o que eu mais quero é guerra, e guerra justa. Isso significa adversário a altura, fiquei super feliz por achar um oponente assim e como guerra é guerra caí pra dentro tempo ruim o tempo todo, pressão no Japa . Academia, remédio-dieta, falei, vou arrumar uma nota e ganhar saúde, que sonho...

Na medida que foi passando o tempo, depois de aparentemente ganhar as primeiras batalhas, vi que o desafio seria uma verdadeira guerra, e não aquilo que imaginava a priori. Então, errei, estimei muito mal, e quem erra nas suas premissas, dependendo do tempo que temos, fica praticamente impossível reverter a situação e inevitavelmente paga caro...Subestimei o japa, “Suntzu - conheça a si mesmo e ganhará metade das batalhas, conheça a você e o seu adversário e ganhará todas as batalhas”, pensei, moleza o japa, mais velho, metabolismo mais lento, diabético, retenção maior de líquidos, trabalha durante o dia todo enquanto eu posso treinar pra valer... falei, essa vai ser moleza, o japa vai cair da cadeira. Mas, para minha surpresa, a cada semana o bicho se tornava cada vez mais magro, parecendo que nem se importava com o seu adversário e o melhor disso tudo foi a constatação de que melhorou consideravelmente os números do colesterol, glicose etc em 02 meses, a ponto de sua médica já ter suspendido alguns medicamentos, sugerindo inclusive um case real sobre esse condicionamento na faculdade na qual ela da aulas é mole, fraco o bicho!

Então, vendo que a batalha era realmente pra valer, no meio desse embate mudamos a regra segundo a qual se os dois perdessem 10kg não mais teria um vencedor, seria decretado empate, como prêmio pelo esforço produzido por ambos. Bom, já batemos as metas, porém, Chip Hunter, você mostrou mais uma vez que o Suntzu está certo, se você conhecer a si próprio e não conhecer o inimigo perderá metade das batalhas, eu te menosprezei e você mostrou que é realmente um guerreiro, um cara de muito valor, ao ponto de me excluir do foco e pensar no seu alter-ego, é mole, tipo assim Rocft você é fraco, minha briga agora é comigo mesmo e eu estou vencendo o meu outro eu, aquele que só quer moleza, o bom vivant.

Portanto, Chip Hunter, tenho que admitir, você ganhou "I surrender", eu desisto, nós dois ganhamos em saúde, em qualidade de vida mas na proposta de nosso desafio por diversos fatores já citados você é o verdadeiro campeão. Parabéns!

Rocft

sexta-feira, 17 de julho de 2009

ESSA TURMA AINDA VAI LONGE... SE ATURAM A QUASE 20 ANOS

Então... e aí o Roger havia me pedido algumas vezes para escrever algo no blog.
Pensei, pensei, pensei muito...(afinal porque vocês acham que recebi o meu apelido??), então resolvi falar um pouco dos colegas, dos amigos, e dos grandes amigos que fiz ao longo do tempo e ao redor do pano verde.

Há mais de uma década, alguns a mais de duas, encontrávamos 3 a 4 vezes por semana, passávamos horas juntos, entrávamos nas madrugadas, e até amanhecíamos jogando este fantástico e fascinante jogo.

No início jogávamos o poker fechado, e ai vale ressaltar a habilidade de alguns destes amigos... o Gilenilson por exemplo era imbatível, como roubava, sabia tudo daquele jogo, agora ta só no cara crachá, mas continua fortíssimo, ganhos pequenos mas contínuos, grande cara, grande amigo, só não deixem ele queimado, senão ele “taca” ficha, literalmente. (se precisarem de alguma coisa é só ligar para o Gilenilson, podem falar que eu indiquei, ou compareçam a Rua Iguatemi, 236, 2º andar).

Cada um era conhecido e dotado de uma personalidade e trejeitos extremamente particulares e de fácil identificação, que me permitirei citar sem dar nome aos bois, ou seriam touros, muuuuu. Vamos ver quem adivinha quem são estes personagens.

Um deles, o mais honesto do Brasil, era contrário a tudo e a quase todos...se alguém fazia uma colocação, lá vinha ele dizendo “eu acho o seguinte.......” e sua opinião era sempre contrária, até que decidimos que ele sempre ganharia...então quando se iniciava a discórdia logo dizíamos..você ganhou..assunto encerrado..rs.
Aqui vale o provérbio “A honestidade sem as regras do decoro transforma se em grosseria, Confúcio" (será que sabem de quem estou falando?).

Tínhamos os chatos!!! Colegas, às vezes era duro de agüentar. Fazíamos concurso para eleger o mais chato, nem preciso dizer que os candidatos eram sempre os mesmos e o resultado invariavelmente também.(nesta categoria não quero qualificar ninguém até porque eu teria que me incluir nela, então.. next).

“Essa cerveja esta quente, esse vinho é uma porcaria... humm essa carne tá dura...temos que colocar um exaustor aqui... esse cheiro de cigarro me mata... se alguém fumar do meu lado eu vou embora”...vocês identificam estas frases...qualquer semelhança é mera coincidência...costuma-se dizer que após os 50, 60 anos as pessoas deixam de ter papas na língua, mas neste caso já é assim a mais de 20 anos, “num intendi”...Um grande cara e um coração enorme...

“Você sabia que minha chance é de 35,6578897558% de melhorar minha mão no turn e se isso não acontecer ainda tenho xyz% contra xxzczxx% de fechar no river, isso melhora minha probabilidade em 5455525,2552525%%% dividido por 2525,2525% sendo que podemos aplicar uma média ponderada para considerarmos a probabilidade, calculando o pot odds e a taxa de retorno, sem considerar a oscilação da bolsa, é claro e bla´bla´bla´, ALL IN. Fico até tonto com as contas que ele faz...pensa, pensa..pensa...e depois o pensador sou eu. (essa é molezinha).

Tinha também os “mate-leão” é, eles já vinham queimados...metiam ficha e depois, bom, o final do filme todos conhecem né? O mocinho morre no final, e muitos deles quebraram, infelizmente...(essa é mais difícil de adivinhar, até porque são vários)

Não quero citar nomes, então vou chamá-lo de Piriri, rsrs. Esse passou a ser o caçula da turma...Seu astral era sempre fantástico e lá era chamado de Arapiraca...perigosíssimo, imprevisível, e fichas, isso era o que ele mais tinha e atirava pra todo lado, ao final da sessão prometia nunca mais voltar, e no dia seguinte, adivinhem que estava lá?

Logo todos passaram a respeitar o “moleque” e Arapiraca mudou de significado, até porque o Asa de Arapiraca desclassificou o Palmeiras em pleno Parque Antártica, sinal de força, logo, Arapiraca passou a ser um nome de muito respeito, não acham ?

Meu velho amigo de pescaria e baladas, esse num é brincadeira não! Como dizemos aqui no interior “quando nois espaia ninguém junta”. Esse sou obrigado a dar o nome, Italo velho de guerra, temos histórias hein, grande cara, joga no time dos mais chatos, mais considero um grande amigo.(Outubro ta chegando, e estaremos em Corumbá “di novo”).

Não falei de todos, seria extremamente extensa esta pauta e mesmo assim ficaria alguém de fora, aqui vai apenas uma homenagem aos amigos de longa data.

Pois bem, o tempo passou, a antiga casa desleixou a turma se espalhou, e o nosso joguinho acabou, mudei para o Interior de SP e perdi muito contato com todos, exceto o Gilenilson, reuniões mensais no sindicato, até que um dia, em uma de minhas idas a capital, ele me levou ao Sete, e lá estavam todos eles, grata foi minha satisfação em revê – los e em saber que estão ainda juntos, todos bem, em uma casa muito bacana e se reunindo com muita gente boa, novos colegas que ainda não conheço bem, mais é nítida a qualidade das pessoas que nos rodeiam.

Agora, é contigo Roger, você tem a missão de continuar esta saga por no mínimo mais uma década, unindo novos e velhos amigos em torno to pano verde e muito mais do que isso fortalecendo amizades e relacionamentos pessoais que perdurem por tempos e tempos, criando amigos verdadeiros dentro e fora do GDR.

Tudo isso é apenas uma brincadeira, talvez alguns se encontrem nestas palavras, outros não, e alguns vão contrariar, certeza, mas, e daí? Tudo não passa de brincadeira.

Abraços a todos.

Edu

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O que fazer com os Outs?

Uma das confusões que frequentemente ocorre em discussões sobre outs, odds, quem está na frente num race etc é sobre a probabilidade de que ocorra um evento futuro, e esse futuro representa geralmente as 2 cartas após o flop, ou seja, o turn e o river. Quando uma tabela indica que 14 outs no flop é o favorito para se ganhar a mão, muitos torcem o nariz diante das informações, fazendo uma conta simples: Se o baralho tem 52 cartas, tirando as 2 da mão mais as 3 do flop, sobram 47 cartas, então como é possível 14 cartas serem favoritas perante as 33 que sobram para o adversário?

Basicamente essa é a questão fundamental, podendo variar na forma, mas não no conteúdo, a qual ilustra a dúvida que vamos discutí-la agora. Uma premissa importante, no entanto, deve ser levada em consideração para que a análise esteja sempre correta: Estamos considerando que se virar a carta designada como um de nossos outs, é porque seremos vencedores da mão. Isso pode nem sempre ser verdade, pois podemos estar qualificando uma carta que nos dê um flush, mas que sirva para nosso adversário fazer um flush maior, o que subtrai consideravelmente as nossas chances, diminuindo em pelo menos 9 outs de nossa mão. Portanto, temos sempre que nos cuidar para não cair nessas armadilhas!

EXEMPLO 01: 15 outs

O nosso herói segura as seguintes cartas:



O nosso vilão segura as seguintes cartas:



O flop vem com as seguintes cartas:



Aí alguém diz que o nosso herói está ganhando a mão, pois tem 15 outs (9 cartas de ouros o que o fará ter o flush, mais 6 cartas das duas pontas, 3 oitos e 3 três, fazendo a sequência). Outro o contradiz dizendo como é possível que o nosso herói esteja ganhando uma mão em que sequer tem um par e apenas projeto de jogo melhor no futuro enquanto nosso vilão já tem um par de J com um quicker de A... E tem aquele ainda que já viu uma tabela dizendo que 15 outs é o favorito, mas tem a mesma dúvida da análise que se fez no primeiro parágrafo desse post.

A questão:

a) vamos analisar de maneira inversa, quantos outs tem-se para que o nosso herói não consiga sucesso. Então, se o nosso herói tem 15 outs no turn, o nosso vilão tem 32, como explicado no primeiro parágrafo.
b) Isso significa que a probabilidade NO TURN de que a carta não seja uma das preferidas do nosso herói é de: 32/47 o que dá 0,681 = 68,1%
c) Mesmo que não tenha virado a carta de nosso herói, ele tem ainda a chance de virar um de seus 15 outs no RIVER. Como mais uma carta fora aberta (TURN) temos a probabilidade agora de 31/46 = 0,674 = 67,4%.
d) Ocorre que para que o nosso herói não consiga nenhum de seus 15 outs, as duas probabilidades (itens b) e c))tem que necessariamente ter ocorrido, ou seja, tem que ocorrer o evento b) E o evento c), o que signfica que temos que multiplicar as probabilidades dos 2 eventos, o que dá: 68,1% * 67,4% = 44,9%!!
e) Se para não ocorrer nenhum dos 15 outs no TURN E no RIVER a probabilidade é de 44,9%, então se conclui que para ocorrer um de nossos outs no TURN OU no RIVER, é de 100% - 44,9% = 54,1%!!!

EXEMPLO 02: 14 outs

Outra mão interessante, essa ocorreu certa vez entre o Ricardo Rocha e Antoine quando o GDR Poker Room ainda era no salão de festas. Como o Rocha é também um rocha para acreditar sem prova, vai aqui a demonstração de sua parada, embasada agora na explicação sobre como calculamos as chances de cada um.

Jogador A: (Rica Rocha)



Jogador B: (Antoine)



Flop:



Ou seja, o jogador B tem 2 pares no flop, enquanto o jogador A tem apenas 1. Quem está ganhando a mão? Claro que é o jogador....A, que tem apenas 1 par, mas se entrar qualquer outra Q (3 outs), qualquer outro 7 (3 outs) e quaisquer cartas de ouros (9 outs) ele ganha e, portanto, ele tem, se calcularmos da mesma forma que o exemplo 01, 51%, pois tem 14 outs.

Daí, concluimos que o número 14 é o número mágico para calcularmos as nossas chances após virado o FLOP.

Outros números:

9 outs: 35,1%
10 outs: 38,3%
11 outs: 41,7%
12 outs: 44,9%
13 outs: 48,0%
14 outs: 51,2%
15 outs: 54,1%
16 outs: 56,9%
17 outs: 59,7%
18 outs: 62,4%
19 outs: 65,0%
20 outs: 67,5%

Aplicações da análise de Outs x Chances em %

1) Você recebe um par qualquer, qual a probabilidade de no flop bater uma trinca: 12%
2) A mesma que a questão 01, somente que você quer ver até o turn: 16%
3) A mesma que a questão 01, somente que você quer ver até o river: 19%
4) Você recebe 2 cartas suited (naipadas), o flop vem com 2 cartas do mesmo suit (naipe) e uma diferente que não é par de nenhuma das 2 recebidas, qual a probabilidade de no turn bater o flush: 19%
5) A mesma que a questão 04, somente que você quer ver até o river: 35%
6) A mesma que a questão 04, somente que a carta diferente no flop faz par com uma das 2 recebidas, qual a probabilidade de no turn bater flush, trinca ou 2 pares?: 30%
7) A mesma que a questão 06, somente que você quer ver até o river?: 51%
8) Você recebe duas cartas off-suited (naipes diferentes) e no flop vem com duas cartas que fazem duas pontas (open-ended), qual a probabilidade de bater uma sequência (straight) no turn?: 17%
9) A mesma que a questão 08, somente que você quer ver até o river?: 31%
10) Você recebe duas cartas suited e no flop vem com duas cartas no mesmo suit que fazem duas pontas para straight, qual a probabilidade de bater uma seguida ou flush no turn?: 32%
11) A mesma que a questão 10, somente que você quer ver até o river?: 54%
12) Você recebe duas cartas quaisquer e no flop você faz um par, qual a probabilidade de fazer trinca ou dois pares no turn?: 12%
13) A mesma que a questão 12, somente que você quer ver até o river?: 20%
14) Você recebe duas cartas quaisquer e no flop você faz dois pares, qual a probabilidade de fazer o full hand no turn?: 9%
15) A mesma que a questão 14, somente que você quer ver até o river?: 16%
16) Você recebe Um AK e no flop não te ajuda, qual a probabilidade de fazer o par maior no turn?: 13%
17) A mesma que a questão 16, somente que você quer ver até o river?: 24%
18) Você recebe duas cartas quaisquer e no flop você tem possibilidade de seqüência na racha (gut-shot), qual a probabilidade de entrar essa carta no turn?: 9%
19) A mesma que a questão 18, somente que você quer ver até o river?: 16%

Chip Hunter

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A Dealer

Eu sou um daqueles que acha que se a Dealer quiser virar aquela carta, ela vai virar. Por mais que você a veja embaralhar o deck, entrelaçando bem as cartas de modo que fiquem praticamente invioláveis, o destino do baralho, é ela quem dita. Naquele dia o nosso destino está em suas mãos. É por isso que quando virou aquele 2, a única carta que salvava o meu adversário, enquanto se ouvia os hurros de alegria de um lado e o meu silêncio desesperado de outro, a Dealer, impassível, recolhia o rake, passava o restante das fichas pro vencedor e iniciava novamente a liturgia da próxima mão. Como é possível tanta indiferença diante da traumática cena? Ela quis rir ou se condoler com o meu infortúnio? Acho que nunca vamos saber. Caixinha obrigada, diz ela ao receber o seu capilé. Sem o menor constrangimento. Até demonstrando um certo desdém pela patética situação, pois vê isso a todo momento. Nenhuma desculpa ao perdedor, nem os parabéns ao vencedor. Frieza absoluta. Como se soubesse de antemão aquilo que os incautos na mesa anseiam a cada carta virada. Esses caras estão na minha mão, deve ela pensar a todo momento. Posso até ouvir o achincalhar de seu sarcástico sorriso procurando por um espaço em suas entranhas. Dizem os entendidos, é preciso entrar em sintonia quântica com os neurônios da Dealer no exato momento em que ela está virando a carta. Se ocorrer a sinapse, ótimo, a carta será sua! Folclore, penso, mas em todo caso...Sempre deixe um bom capilé para a Dealer que o processo será facilitado nas próximas vezes. Aliás esse é sempre o momento em que elas riem de verdade. Afinal, são também mulheres...Alguns chegam a insultar a Dealer. Bobagem. E que Perigo! Pois a cada insulto proferido, um nm de energia quântica se perde no caminho que a levaria ao momento crucial do virar as cartas. E lá se foi outra chance. Temos que ser amigos das Dealers. Isso facilita a conexão. Isso mesmo, amigos das Dealers. A Dealer é inteligente e conhece mais do que ninguém a matemática das 4 operações. Honestidade nem se questiona até porque se ali está certamente já ultrapassou a dúvida dessa sentença. Se for insultada, maltratada, ótimo, aqui vemos que a Dealer não é mesmo desse planeta. Controle emocional impecável. Jamais irá bater boca com aquele serzinho inferior. Dealer que se preza é aquela que delira só de pensar num jogo rebolado de 24h, pois assim aumentará as amostras de mãos em que poderá confirmar as suas habilidades! Gosta da pressão como forma de se manter focada, concentrada no trabalho. Além disso, faz parte de seu ofício estudar Jung para aumentar a sua compreensão da alma humana numa mesa de Poker. Porque essa compreensão é a sua ferramenta para o julgamento final. Quem deve ganhar e quem deve perder. Temos que ser amigos das Dealers. Isso facilita a conexão. Isso mesmo, amigos das Dealers. Vamos fazer isso daqui por diante.

CH

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Vício é para Losers!

Veja essa crônica do Rodolfo Lacerda, muito legal!

"Sempre achei engraçado quando alguém me dizia, quando mencionava que sou jogador de poker, "cuidado para não viciar".

Era só escutar isso para eu pensar rapidamente "que idiota, óbvio que não vou viciar, só losers viciam". Era minha maneira de ignorar um problema em potencial utilizando uma idiota arrogância que todos possuem dentro de si.

A frase em questão fez parte de toda a minha vida no poker, e ainda faz. Se pensarmos o que as pessoas realmente queriam dizer ao mencioná-la, provavelmente seria algo do tipo "cuidado para não viciar em apostar em um jogo que você irá perder muito, seja por falta de bankroll, seja por um abalo psicológico ou simplesmente por possuir um nível inferior. Se você fizer isso, você irá quebrar, e irá começar a apostar o que não tem, o que não pode..."

Eu já tive momentos em que fiz isso: joguei contra oponentes melhores, com bankroll baixo e com psicológico abalado, tudo de uma só vez. Eu diria que essa é uma das consequências do famoso TILT. A questão é que o TILT é passageiro e, assim sendo, essa fatalidade é uma exceção, e não uma regra, logo, não é um vício.

Então posso voltar a dormir tranquilo, não preciso me preocupar, já que concluí que não sou viciado.

La vou eu para cama, dormir que nem um anjinho com meu sono super pesado. Mas antes de dormir vou ver um vídeo de um jogador profissional jogando.

Agora vou dormir.

Mas antes de dormir vou analisar umas duas mãos em um fórum de discussão.

Agora vou dormir"


Enquanto estou deitado esperando cair no sono, fico refletindo se joguei corretamente meus 2 pares contra o João, um jogador super tight. Fiquei 30 minutos pensando e não consegui chegar a uma conclusão, acho que envolve fatores matemáticos. Por isso eu me levantei, peguei uma calculadora, papel e caneta e comecei a simular alguns resultados para ver o quão lucrativo minha jogada parecia ser. Mais 30 minutos se passam, e eu continuo na dúvida.

Agora vou dormir.

Tenho um sonho muito engraçado. Estou em uma sociedade onde todas as atitudes das pessoas são definidas entre bet, call, raise, fold, e ao invés de possuírem rostos, possuem naipes.

Após um curta noite de sono de 5 horas, eu acordo repentinamente. É frio e estou morrendo de preguiça, mas o dever me chama.

Tenho que me levantar.

Vou direto para o computador, let´s play!

Depois de umas duas horas minha cabeça começa a doer, provavelmente de fome, já que se faz umas 12 horas desde que eu comi alguma coisa. Eu poderia parar de jogar e ir na padaria, mas preferi continuar jogando, já que daqui 2 horas já seria almoço e aí eu iria comer.

Hora do almoço! Vou comer. Mas antes vou analisar algumas mãos em um fórum de discussão.

Agora vou comer.

Mas antes preciso tomar banho, escovar os dentes, me higienizar. Enquanto faço isso, reflito sobre as mãos que eu li no fórum de poker, será que o call do Pedro foi bom? Não sei, tenho que pensar mais.

Agora vou almoçar.

Lasanha, adoro lasanha! Enquanto como continuo refletindo sobre a mão do Pedro, acho que ele não deveria ter dado aquele call, eu acho que raise arquiva resultados melhores. Lasanha gostosa, pena que acabou, e agora tenho que voltar pro batente!

Já se aproxima o fim da tarde, e continuo no meu humilde jogo. Começo a ficar cansado, então é hora de parar. Nada como assistir alguns vídeos de poker para relaxar. Ops, já esta quase na hora da faculdade. Vou tomar banho. Mas antes, vou só terminar de assistir esse vídeo.

Agora vou pra faculdade.

Matéria chata, professor chato, sala chata. Ainda bem que eu tenho algo pra me distrair: pensar em poker! E assim vou, pensando pelas próximas 4 horas.

Aula acabou, janta chegou, e agora é hora de dormir. Mas antes, vou jogar um pouquinho.

Agora é hora de dormir.

La vou eu para cama, dormir que nem um anjinho com meu sono super pesado. Mas antes de dormir vou ver um vídeo de um jogador profissional jogando.

Agora vou dormir.

Mas antes de dormir vou analisar umas duas mãos em um fórum de discussão.

Agora vou dormir tranquilo, porque sei que não sou viciado.

Afinal, vício é para losers".

terça-feira, 30 de junho de 2009

Expectativa Matemática no Poker! O que é isso mesmo?

Quem joga Poker com alguma frequência sabe de maneira geral quando possui uma mão que lhe garanta uma certa expectativa de estar a frente de seus adversários. Sabe também quando está atrás e as chances de ganhar a mão é mínima, a não ser que se aplique um blefe. Essas análises são as que primeiro tentamos aprender quando iniciamos no poker, pois se pagamos uma aposta sem ter qualquer discernimento sobre o valor real e relativo de nossas mãos, provavelmente não iremos longe como jogador desse jogo.

Embora na maioria das vezes não precisamos fazer qualquer cálculo para deduzirmos sobre o valor de nossa mão diante das apostas feitas pelos nossos adversários, é interessante saber que existem ferramentas matemáticas simples que calculam as chances de você estar na frente ou atrás em determinadas situações encontradas num confronto em uma mesa de Poker.

Para abordar o assunto, estou postando o texto abaixo, retirado da "Teoria do Poker", do Sklansky, traduzido pelo "Clube do Poker" e editado por mim, para adequar-se ao nosso jogo. Vale a pena dar uma lida se você gosta de saber que sempre existirão teorias que endossam as suas boas jogadas e repreendem as que você não deveria insistir em repetí-las.

Vamulá então!

Expectativa Matemática do Jogo

Expectativa matemática pode ser simplificada como a quantidade média de ganhos ou perdas de suas apostas, considerando uma amostragem suficiente para que os efeitos do acaso sejam desconsideradas. É um importante conceito, pois é a ferramenta com a qual você conseguirá avaliar a maioria dos grandes problemas relacionados ao Poker.

Vamos voltar àquele jogo de cara e coroa, que é simples, mas bastante elucidativo para o propósito. Se você está com um amigo jogando uma moeda (não viciada) pra cima num cara ou coroa e quem ganhar leva R$ 1,00 a cada aposta. Você ganha com “cara” e ele com “coroa”. Como sabemos, a probabilidade de sair “cara” é de 1-1 (50%), e você está apostando 1-1. A Sua expectativa matemática é precisamente ZERO, pois você está apostando o mesmo valor para uma probabilidade igual de vencer ao que tem o seu oponente. Isso significa que em termos estatísticos a quantidade média de ganhos de suas apostas é ZERO, pois você a expectativa matemática nem é boa e nem ruim. Para o ponto de vista de um jogador, essa proposição não é ruim nem boa, ela é apenas perda de tempo.

Vamos imaginar agora que o seu amigo aceite que esse mesmo jogo tenha uma aposta na relação de 2-1, ou seja, se virar “cara” você ganha 2 e se virar “coroa” ele ganha 1. Veja que agora a sua expectativa matemática é de 50 centavos por aposta. Porque 50 centavos? Na média você vai ganhar uma aposta para cada aposta que você perder. Você aposta R$ 1,00 a primeira vez e o perde. Você aposta R$ 1,00 a segunda e ganha R$ 2,00. Você apostou R$ 1,00 duas vezes e você está R$ 1,00 na frente. Cada um desses R$ 1,00 apostados ganhou 50 centavos.

Então, se você jogar, por exemplo, 500 vezes com essa expectativa matemática a seu favor, você terá um ganho estatístico de R$250,00! Se você jogar 5000 vezes, você terá R$2.500 como ganho estatístico! Você sempre deveria querer jogar com vários amigos assim!

Note, no entanto, que a Expectativa Matemática nada tem a ver com resultados de cada aposta. O seu amigo poderia ganhar as dez primeiras apostas no jogo de “cara ou coroa” seguidas, mas ainda assim, como você tem 2-1 de probabilidade, você continua ganhando estatisticamente 50 centavos por R$ 1,00 apostado. Não faz diferença ganhar ou perder uma série específica de apostas desde que você tenha Cacife suficiente para cobrir suas perdas “aleatórias”, porém que serão facilmente recuperadas no longo prazo (diante de uma amostragem de apostas suficientes para que você possa desconsiderar o acaso dos resultados). Se você tem certeza de que a sua expectativa matemática é positiva, você deve continuar o jogo, que no final a estatística lhe dará o ganho aproximado segundo a soma de suas expectativas.

O significado dessa análise é umas dessas coisas tão importantes em termos de tomada de decisão que não vejo como um jogador que queira ter algum sucesso no Poker possa negligenciá-la. Portanto, preste atenção máxima nessa afirmação:

“Todas as vezes que você aposta com a probabilidade a seu favor, você ganha estatisticamente naquela aposta, você tendo ganhado ou não a aposta. Do mesmo jeito, quando você aposta com a probabilidade contra você, você perde estatisticamente, não importando se você ganhou ou não a aposta.”

Se você não entendeu completamente esse significado, você deve refletir novamente o conceito até que sua compreensão fique totalmente clarificada.

Simplificando, se você tem uma expectativa matemática positiva, você deve entrar no jogo e apostar, do contrário, com expectativa matemática negativa, quando a probabilidade está contra você, você não deve aceitar a aposta. É essa a explicação, digamos mais técnica, do porquê deveríamos na maioria esmagadora das vezes, somente aceitar ou apostar com cartas “jogáveis”, ou seja, as cartas que você julgue estar com a expectativa matemática positiva. Ir com 2 e 7 é estar com expectativa matemática positiva ou negativa?

Apostadores profissionais na maior parte das vezes apostam quando tem expectativa matemática positiva. Quando estão com a expectativa matemática negativa eles passam.

Vamos complicar agora um pouquinho a análise sobre expectativa matemática:

Uma pessoa escreve um número de 1 a 5 num pedaço de papel e aposta R$ 5,00 contra o seu R$ 1,00 que você não consegue adivinhar o número. Você deve apostar? Qual a sua expectativa matemática?

Quatro suposições estarão erradas e uma certa em média. Conseqüentemente a probabilidade contra a sua suposição correta são 4-1.

Há bastante chance de numa tentativa isolada você perder o seu R$ 1,00 apostado. Entretanto você tem R$ 5,00 – R$ 1,00 numa proposição de 4-1. Isso significa que estatisticamente a cada 5 apostas, você ganha uma e perde 4, mas ganha R$1,00, pois na que você ganhou você recebe R$5,00 na aposta de R$5,00-R$1,00. Então a probabilidade está a seu favor, você está com a expectativa matemática positiva, e, portanto, você deve apostar! Isso quer dizer que tem 20 centavos por aposta de expectativa positiva! Você provavelmente já ouviu algum jogador dizer que tem Odds para pagar uma mão. O que ele está querendo dizer é que, segundo os cálculos que fêz, ele possui expectativa matemática positiva para pagar essa mão. Na prática não fazemos esses cálculos na ponta do lápis pois isso inviabilizaria o jogo em si, mas deveríamos ter pelo menos uma noção de quão perto estamos para entrarmos no pote somente com tal expectativa matemática.

Expectativa Matemática é o coração de toda situação em que você tem que decidir algo e quer ter alguma vantagem!

Expectativa Matemática no Poker

Vamos analisar agora como a expectativa matemática pode ser analisada num jogo de Poker.

Vamos dizer que você está com um full house. Um jogador a sua frente aposta. Se você sabe ou tem a percepção de que se você repicar a aposta aquele jogador vai pagar, então repicar parece ser a melhor jogada. Entretanto, nesse mesmo repique outros dois jogadores antes de você certamente fugirão. Por outro lado se você somente pagar a aposta do primeiro jogador, você sente que muito provavelmente os outros dois irão também pagar. Dando repique você ganha uma unidade (apenas um jogador paga), mas apenas pagando, você agora ganha duas unidades. Portanto, apenas pagar nessa mão tem uma expectativa positiva maior e é a melhor jogada.

Uma situação um pouco mais complicada.

Você fez um flush, e você imagina que o jogador à sua frente tem dois pares e aposta. Há outro jogador atrás de você na mesma mão o qual você imagina que tem uma mão pior do que a sua. Se você repicar a aposta, o jogador atrás de você vai foldar. O apostador inicial provavelmente também irá fugir caso ele tenha mesmo dois pares, mas se ao invés disso, ele tiver um full house, ele vai repicar em cima de você. Nesse exemplo, repicar não só não te dá uma expectativa positiva como na verdade te dá uma expectativa negativa! Se o apostador inicial tiver realmente um full house e repicar em cima de seu repique, a jogada irá te custar duas unidades caso você pague o repique dele e uma unidade se você foldar. É por isso, que tecnicamente é errado apostar quando fazemos flush e existe uma carta dobrada!

Tomando o mesmo exemplo, se você não fizer o flush na última carta e o jogador a sua frente apostar, você poderá blefar, repicando contra certos oponentes. Seguindo a mesma lógica da situação de quando você fez o flush, o jogador atrás de você foldará e o apostador inicial que está com apenas dois pares também deve foldar. Nesse caso, atribuir uma expectativa positiva (ou menos expectativa negativa do que foldar) vai depender de como você está sentindo a mão, qual é o tamanho do pote e a leitura que você faz de que o apostador inicial não tenha um full house e apenas dois pares. Isso requer obviamente a habilidade de ler mãos (range) e ler jogadores. Nesse nível, expectativa matemática torna-se muito mais complicada do que quando se está jogando uma moeda para o alto.

Entender a expectativa matemática te dá um senso para equilibrar perdas e ganhos. Quando você faz uma boa análise e calcula que tem uma expectativa negativa naquela mão, você sabe que ganhou estatisticamente, ou seja, salvou uma quantia específica de seu cacife.

Quanto mais você jogar com expectativas positivas, mais vencedor virá a ser, e quanto mais com expectativas negativas, mais perdedor. Obviamente, deve-se sempre tentar maximizar as expectativas positivas e minimizar as negativas para que se tenha a estatística matemática melhorada.

Chip Hunter

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A construção de sua Imagem

Nesse post, gostaria de ilustrar um pouco mais sobre o significado da sua imagem, pois realmente a considero um dos pilares que reforçará a sua boa ou má performance durante uma sessão de Poker.

A imagem, como o próprio nome indica, é aquilo que reflete na mente de nossos adversários quando nos olham e percebem em sua memória aquilo que já fizemos numa mesa de Poker. Com esses dados em maior ou menor detalhe que depende do grau de observação que tem o seu adversário, você estará formando as informações necessárias que serão utilidadas contra você em determinado momento que dependerá também da característica de cada adversário. É justamente a esse fato que todo jogador deveria se ater sempre, a todo momento, ou seja, estar ciente de que está sendo observado pelas suas jogadas, seus blefes, os tells. Como essa imagem vai sendo construida aos poucos, de modo constante, você vai poder sempre reparar durante as sessões subsequentes o grau de percepção que seus adversários estão conseguindo captar sobre a sua maneira de jogar, se o percebem como jogador tight, loose, que entra em tilt sempre que perde uma mão, se senta nas fichas após ganhar uma boa mão, se é observador e, portanto, está constantemente prestando atenção às jogadas, se tem conhecimento teóricos sobre o jogo, se vem levando bad beat constantemente (bad runs), se o seu bankroll está no limite, se está pressionado em não perder e várias outras observações que pode fazer durante as sessões que jogar com o mesmo jogador.

Então se temos ciência disso o que deveríamos fazer sempre em nossas sessões de Poker? Exatamente o contrário daquilo que nossos adversários vêem como nossas fraquezas! Na verdade, o processo é um pouco mais complexo, na medida em que cada um de nossos adversários tem percepções diferentes sobre a nossa imagem, atribuindo graus variados de importância sobre cada uma das observações feitas. Portanto, no limite de nossas qualidades como jogador de Poker, deveríamos estar sempre atentos em como a nossa imagem é percebida por cada um de nossos adversários e, agora sim, utilizar as armas que melhor contrapõem os seus golpes. É, no fim, analisar primeiro aquilo que o nosso adversário pensa sobre nós, como jogadores.

Na medida em que você neutraliza essas jogadas, você criará na mente dos adversários a sensação de que tem o controle da situação a cada mão que que participa. Não importa se perdeu ou ganhou a mão, mas o que fica é que sempre será dado a você um grau de força que só a tem quem demonstrou durante as sessões passadas um padrão sólido de jogadas, mas de difícil interpretação, pois você saberá lidar com essas análises de seus adversários sobre você mesmo. Na medida em que isso ocorre, vai crescendo também, naturalmente, a sua auto-confiança sobre como jogar com cada um dos adversários. É um círculo virtuoso. A sua auto-confiança propiciará a você jogar cada vez mais o jogo certo e os resultados virão, mais cedo ou mais tarde.

O que não se pode é destruir esse arcabouço que você vai construindo e que leva tempo, em paradas que sintomaticamente levam os seus oponentes a crer que você teve uma recaída. É como a confiança, honestidade, a amizade, visões que se constroem com o tempo e apenas um deslize pomos tudo a perder. E aí você percebe que a sua imagem enfraqueceu, você vai se irritar com as insinuações de que voltou a ser um Arapiraca, vai começar a jogar mal, vai ficar constantemente marcado e, mesmo quando está com cartas boas, vai perder. Voltamos ao círculo vicioso.

Ganhar o devido respeito de sua imagem leva tempo. Portanto, não perca a oportunidade de dar o primeiro passo na construção de sua imagem!

Uma das coisas que mais vejo em jogadores principiantes é o gosto por mostrar as cartas após encerrar-se a mão. As razões são as mais estapafúrdias possíveis, como "Quero mostrar para dizer que não blefo" ou "Vou mostrar o blefe para quando tiver as cartas ele achar que ainda estou blefando" ou "ele é meu amigo e não quero passar a imagem de que o roubei" e por aí vai. Por definição, não se deve em hipótese alguma, mostrar as cartas desnecessariamente.

Fazendo isso você estará omitindo informações preciosas para seus oponentes. Se você mostra, você está dando essas informações a troco do quê? Você pode até imaginar que mostrando as cartas você poderá trapacear os seus oponentes futuramente, uma vez que você poderá jogar diferentemente em outras ocasiões...Esse pensamento faz parte da galeria dos Arapiracas. Pode até funcionar quando você está jogando com alguém que você provavelmente não mais encontrará além daquela sessão e, portanto, você pode enganá-lo na próxima mão.

Mas se você joga com as mesmas pessoas durante muito tempo, existe o conceito de legado de pensamento, a que todos, invariavelmente todos, estamos condenados: Nós sempre seremos aquilo que construímos ao longo do tempo, por mais que você queira mudar essas características. Se você constrói o seu jogo de uma maneira e paulatinamente vai revelando aos outros, mesmo que aos poucos, a construção dessa imagem (ou dessa maneira de jogar) vai sendo também construída subliminarmente no subconsciente daqueles que o vêem. E eles, os seus adversários saberão tirar proveito dessas informações em momentos certos. E é praticamente impossível você controlar isso a seu favor, pois faz parte intrínsica da sua psiquê. Isso vem à tona na seqüência dos jogos. E agora você saberá porque na sequência dos jogos você perderá mais do que ganhará, a não ser que você comece a fortalecer a sua imagem agora mesmo!

Chip Hunter

Observando a si mesmo!

Um dos fatores presentes no dia a dia do Poker é o que representa a sua imagem para os seus adversários. Ou seja, o seu adversário poderá mudar radicalmente a sua forma de jogar contra você se perceber algum padrão de conduta diante da circunstâncias geradas em cada mão. Sabendo disso, você poderá tirar proveito alterando esse padrão, controlando a sua imagem durante a sessão. O controle da sua imagem faz parte do portifólio de situações durante a sessão em que você tenta estabelecer os níveis de dificuldade para a leitura de sua mão. É similar ao drible no futebol, quando você insinua que vai pra direita, o seu adversário imaginando que está sendo enganado corre pra esquerda e você na verdade vai pra direita mesmo! Leia um trecho do livro do Dan Harrington sobre o que significa controlar a imagem no jogo. Como o livro discorre sobre torneios, o trecho a seguir foi ligeiramente alterado para se adequar mais ao jogo do GDR. Vamulá, então.

"Enquanto você está observando seus oponentes na mesa, quantas mãos eles jogam, que mãos eles mostram no showdown, qual o perfil de suas apostas e qualquer outra informação que você possa obter, tenha certeza de que também esteja prestando atenção na pessoa mais importante dessa mesa – você. O seu oponente sentado à sua direita se envolveu em aproximadamente 10% das mãos que você decidiu jogar. Você irá ter se envolvido em 100% das mãos que decidir jogar e o que seus oponentes farão nessas mãos, é determinado em boa parte de como eles vêem você jogar. A imagem que eles fazem de você. E quanto melhor eles forem, mais suas jogadas serão em função do seu estilo de jogo. Então sempre se pergunte:

1: Quantas mãos eu venho jogando?
2: Das que eu joguei, quais eu tive que mostrar (showdown)?
3: O que um bom jogador pensa de mim a essa altura da sessão?

Não é porque você está tentando jogar consistentemente num certo estilo, que significa que você está sendo percebido pelos outros jogadores dessa maneira. A percepção pela mesa pode ser diferente do estilo que você imprime a seu jogo. Vamos dar uma olhada numa mão onde a percepção da mesa é diferente do estilo que você tenta impor a seu jogo.

Exemplo:

Você decide começar uma sessão jogando tight, de maneira bem conservadora e gradualmente ir soltando seu jogo, construindo uma imagem conservadora. Suponha ainda que nas quinze primeiras mãos você vem quatro vezes com excelentes cartas, par de reis, par de damas, e duas vezes ás e rei (AK). Você aposta com essas mãos, pega bons flops pela frente e vence as quatro. Nenhuma das vezes você mostra as cartas após vencer a mão. No final dessas quinze primeiras mãos você dobra suas fichas.

Análise: Do seu ponto de vista, você não fez nada de anormal, jogou seu jogo tight. Não é culpa sua que você por quatro vezes veio com ótimas cartas. Mas do ponto de vista de seus oponentes, você é um jogador louco e tiltado e que está tentando imprimir o seu estilo “loose” a mesa e tentando roubar potes demasiadamente. Eles não viram nenhuma mão sua, por isso pensam dessa maneira. Eles só viram você dando raise e re-raise por várias vezes.

Se você mudar a partir de agora sua estratégia de jogo e começar a jogar mais solto (loose), jogando mais mãos, agora que os blinds já subiram, essa estratégia não será bem sucedida, não funcionará. Você vai começar a jogar mãos marginais exatamente quando seus oponentes acharem que você deve parar de fazer isso. Quando você jogar com suited connectors, alguém certamente irá repicar em você com qualquer mão razoável. Você começou a jogar de maneira tight, mas a sua imagem na mesa se tornou de um jogador “loose”. Então o mais certo agora é continuar o jogo de maneira tight, mais tight ainda do que antes, pois suas grandes mãos certamente serão pagas pelos seus oponentes.

Por isso é sempre bom ficar ligado não só apenas no estilo dos oponentes, mas também na imagem que passamos para a mesa, pois é através dessa imagem que podemos saber o “timing” de blefe e se seremos pagos em muitas das vezes".

Chip Hunter

domingo, 28 de junho de 2009

Como você encara o Risco?

Vários livros nos ensinam como jogar Poker através de uma série de instrumentos teóricos e práticos escritos por grandes jogadores e aficcionados pelo jogo, instruindo-nos com a matemática envolvida em cada mão, as leituras sobre os nossos adversários, a psicologia necessária, a dinâmica das apostas e suas conseqüências em comparação com o nosso stack, as características de jogadores, as adequações importantes se estamos jogando Hold´em, Omaha ou Razz, se cash ou torneios etc.

Outros ensinamentos nos garantem aquilo que já sabíamos de outras atividades que requerem atenção e concentração: quando jogamos cansados temos a sensação de que as boas cartas já não vêm com tanta frequência dificultando as nossas ações perante adversários que apostam incessantemente. Preocupações extras e crônicas também são alvos de desconcentrações pontuais que podem ser decisivas no resultado da sessão.

Na medida em que mais jogamos Poker e se somos pessoas realmente com vontade para melhorá-lo mesmo que gradualmente, esses ensinamentos, de alguma forma, vão fazendo parte de nosso arsenal de táticas e estratégias as quais nos darão a sustentação informativa para decidir de acordo como as percebemos até no momento da aposta.

Apesar da grande gama de informações que construímos, elas, provavelmente, nunca serão suficientes para decidirmos pela melhor jogada (desistir da mão, apostar a mão, subir a mão, blefar), pois, como já descrevemos em posts passados, são informações baseadas em conjecturas e inferidas indiretamente através do conhecimento dos instrumentais descritos no primeiro parágrafo desse texto.

Se a decisão pela melhor jogada nem sempre é factível de ocorrer e mesmo que a interpretemos corretamente e façamos a jogada de acordo com essa análise, ainda assim podemos perder a mão devido as variâncias intrínsecas do Poker, resta-nos optarmos por aquilo que chamo de “Ponderação ao Risco”. Fundamentalmente é sobre o quanto cada jogador está disposto a correr o risco, diante das expectativas geradas numa mão pelas informações captadas, mas que sabe não serem totalmente fidedignas como também pelo fato de sabermos sobre a tal da variância...

Meu amigo Ricardo Rocha, conhecido por ser um jogador ultra tight (mas que sabiamente utiliza essa imagem para surrupiar algumas mãos) faz sempre uma afirmação interessante, o que demonstra a sua ponderação ao risco. Diz ele: “O cara pode estar blefando, mas essa queimação logo passa. Agora, a queimação de estar fazendo o cheque no final da sessão leva mais tempo...”.

A frase do Rocha traduz o grau de sua vontade para correr riscos. Na verdade, ela demonstra claramente que, mesmo diante de todas as expectativas favoráveis, a dor de ter sido enganado e, portanto, perder a aposta, é maior do que o prazer gerado pela vitória. Essa reação simboliza a nossa defesa natural diante do risco de perder algo importante, mesmo diante da lógica advertindo-nos de que o "risco" da vitória seja mais plausível de ocorrer.

Ocorre que essa lógica traduz aquilo que o Poker é de fato. Um jogo imponderável, que gera adversidades, às vezes com reações não controladas por nossa racionalidade. O Poker desafia a nossa alma, pois sempre nos estará desafiando para atitudes contrárias às que sempre estivemos acostumados, ao conforto da situação, a passividade como forma de entretenimento e o pensamento na lógica comum, bem menos complexa para ser analisada. Ao mesmo tempo, penaliza os que são perdulários, aqueles que vêem o risco como símbolo da coragem, o fanfarrão ou aquele que não acredita na lógica da informação imperfeita.

E você, como você encara o risco?

Chip Hunter

domingo, 21 de junho de 2009

Por Pouco

Como vocês podem perceber, sou fã do Luis Fernando Veríssimo. E como ele colocou um parágrafo (tudo bem, o menor parágrafo do texto!) citando uma mão do Poker, resolvi colocar essa crônica na íntegra, que descreve de forma magistral as várias opções que temos ao encaminhar as nossas vidas. Boa leitura, então!

Eu estava a ponto de escrever alguma coisa sobre as pessoas que estão a ponto de tomar uma atitude definitiva e recuam – e recuei. Ia escrever sobre os que um dia, por pouco, quase, ali-ali, estiveram prestes a mudar sua vida mas não deram o passo crucial, mas não vou. Pena e comiseração para os que não deram o passo crucial.Pena e comiseração para os que preferiram o pássaro na mão. Para os que não foram ser os legionários dos seus primeiros sonhos. Para os que hesitaram na hora de pular. Para os que pensaram duas vezes. Pena e comiseração para os que envelheceram tentando decidir o que iam ser quando crescessem. E para os que decidiram, mas na hora não foram.Alguns passam a vida acompanhados pelo que podiam ter sido. Por fantasmas do irrealizado. Um cortejo de ressentimentos. Este aqui sou eu se tivesse decidido fazer aquele curso em Paris. Este outro sou eu se tivesse chegado um minuto antes no vestibular…Olha que bom aspecto eu teria se tivesse aceito aquela nomeação. Veja o bigode. O corte decidido do cabelo. O olhar de quem é firme, mas justo com subalternos. A cintura ajustada. As mãos que não tremem. Elas me seguem por toda a parte, as minhas alternativas.Você conhece muitos assim. Gente que cultiva suas oportunidades perdidas como outros guardam o próprio apêndice num vidrinho. E não perdem oportunidade de contar como foi a oportunidade perdida.- Foi num jogo de pôquer. Tinha dois pares e não joguei. Quem ganhou tinha só um. A melhor mesa da noite. Milhões. Eu, hoje, seria outro.- Fiz uma ponta naquele filme do Tarzã, mas cortaram a minha parte. Se tivessem me visto em Hollywood…- Se eu tivesse dito sim…- Se eu tivesse dito não…- S e mamãe não tivesse interferido…- Uma vez fui fazer um teste no Fluminense. Abafei. Mas a família foi contra. Insistiu com a contabilidade. Eu, hoje, seria outro.- Já tive a minha época de escritor, tá sabendo? Uns contos até razoáveis. Mas nunca me mexi. Hoje eles estão numa gaveta, sei lá.- Você sabe que só não me elegi deputado, porque não quis?- Eu, hoje, podia ser até primeiro-violino.- Tudo porque eu não saí daqui quando devia. Pena e comiseração para os que não saíram daqui quando deviam. Há quem diga que o passo crucial só pode ser dado uma vez e nunca mais. Tem a sua hora certa, e ela não volta. Bobagem, claro. Mas não para os que tiveram a sua hora e não aproveitaram. Os mártires do por pouco.- Sei exatamente quando foi que eu tomei a decisão errada. Foi numa noite de Ano-Bom.Você já ouviu a história várias vezes. Mas não pode impedi-lo de falar. O único divertimento que lhe resta é o que el e poderia ter sido. Os que não deram o passo crucial quando deviam estão condenados ao condicional. E têm a volúpia da própria frustração.- Se eu tivesse aproveitado… Ela estava gamada. Gamadona. Filha da segunda fortuna do Brasil.Da última vez que você ouviu a história, era a terceira fortuna do Brasil, mas tudo bem.- Bobeei e babaus. Hoje, quando eu penso…Você tenta ajudar.- Podia não ter dado certo. O pai dela não ia deixar. Um morto-de-fome como você…- Morto-de-fome, porque eu não dei o passo crucial na hora que me ofereceram aquele negócio no Mato Grosso. Ia dar um dinheirão.- Mas se você fosse para o Mato Grosso, não teria conhecido a menina na noite de Ano-Bom.- Pois é. Agora é tarde. Sei lá.Agora é tarde. As decisões erradas são irrecorríveis. Você o imagina cercado das suas alternativas. De um lado, casado com a, vá lá, primeira fortuna do Brasil. O último homem do Rio a usar echarpe de seda. Grisalho, mas ainda em forma com aquele tom de pele que só se consegue passando o dia na piscina do Copa, mas na sombra. Do outro lado, o próspero fazendeiro do Mato Grosso que pilota o seu próprio avião e tem rugas em torno dos olhos de tanto procurar o fim das suas terras no horizonte, ou de tanto rir dos pobres. E no meio, ele, a ponto de lhe pedir dinheiro emprestado outra vez. Triste, triste. Eu ia escrever uma boa crônica sobre tudo isso. Mas o assunto me fugiu, perdi a hora certa. Agora é tarde.

Chip Hunter

A Graça da Vida

Nunca deveríamos deixar de nos surpreender!

A surpresa é o tempero da vida, sem ela ficamos mais tristes, vazios, trilhamos o caminho da mesmice, esperamos o dia acabar, pois não agüentamos o martírio da rotina. Gosto de ver os olhos arregalados das crianças, surpresos que estão pela vida em si, pois tudo é novidade, gostoso, lúdico, e ao mesmo tempo, já têm noção de que há situações que requerem mais atenção, pois sentem o aroma do perigo, sem ao menos saber ao certo o significado disso!

Olhando em retrospectiva, os últimos anos foram um turbilhão de acontecimentos singulares, mudanças de horizontes, decisões inusitadas, felicidades, injustiças. A começar pela frustração de não poder concluir meu curso de engenharia, quando havia largado a faculdade no nono semestre (o curso tem 10 semestres) e tempos depois ao tentar continuá-lo, fui notificado de que os semestres estudados já não seriam válidos para a retomada normal.

Diante da perspectiva negada, apareceu o Jiu Jitsu em minha vida. Treinamentos, concentração, campeonatos, rotina. Não aquela em que nos martirizamos diante da falta de perspectivas, mas a rotina para mantermos acesa a chama da vastidão do futuro. Queria ser campeão, queria mostrar a mim mesmo que a minha capacidade de superação era forte, queria me dar o melhor de mim, ainda sem me dar conta do esforço necessário a ser desprendido quando tomamos uma atitude que às vezes não vem de nossa racionalidade, mas do fundo de nosso coração. O orgulho de ser o campeão do mundo em 2005, na minha categoria de super pesado, me abriu a cabeça para o ensinamento maior que o Jiu Jitsu me dera: O de saber, enfim, o significado real da superação, ultrapassar a barreira da dor, do esforço físico medido até a última instância até enfim sentir o verdadeiro sabor da vitória, não a da medalha, mas do comprometimento comigo mesmo de me manter fiel ao que acredito, sem jamais desistir por mais que a realidade pareça ir contra os nossos sonhos.

O Poker na minha vida existe desde menino, pois meu pai sempre jogou o Poker Fechado (o 5 Card Draw), aliás, sempre foi um exímio jogador dessa modalidade. Na medida em que mais conheço os meandros para se tornar um grande jogador de Poker, mais me apaixono por esse esporte, pois possui muita similaridade com o Jiu Jitsu, nos quesitos principalmente de preparação mental, concentração e capacidade de se superar diante de reveses que ocorrem naturalmente durante o percurso de uma luta ou de uma mão.

Diante das circunstâncias e novamente, precisando tomar as atitudes que considerava as corretas para mim no momento, deixei um negócio sólido, um comércio, para “viver do Texas”, sem saber se o negócio daria certo, mas vivo muitas vezes através do que diz o meu sentimento e da vontade de sempre acertar através das decisões que tomo, pois sei que vou honrar até a última aura de minha alma para fazer dar certo algo em que boto fé!

É muito cedo pra dizer que sou um sucesso nisso, mas já vai tempo em que eu tenho a convicção de que eu esteja no caminho certo, por tudo que tem ocorrido nos últimos meses, pelas amizades duradouras que me são tão caras tanto quanto verdadeiras, pelos novos amigos que encontramos na longa jornada, pelas pessoas que se aproximam pela simples razão de encontrar um ambiente aconchegante, inovador e sem falsa modéstia, um lugar de gente do bem.

Gente desse naipe é o que o GDR sempre vai ter e me esforço dia-a-dia para que isso ocorra!

Hoje tenho realmente o orgulho de receber ótimas pessoas, de ótimo nível social e intelectual, o que contribui para que sejamos sim um clube de Poker diferenciado!

Por esse motivo, quero sinceramente agradecer a todos os clientes e amigos que freqüentam o GDR e que dia-a-dia vão tornando o nosso clube o seu lugar para se jogar o Texas e que são os responsáveis por mantermos um ambiente tranqüilo, amigável e totalmente sociável. Desse pessoal, gostaria de citar algumas que contribuem desinteressadamente para que o nosso clube se mantenha nessa sempre nessa toada, pelo simples fato de prestigiar-nos com as suas presenças, com seus comentários, com suas críticas construtivas, enfim, demonstram que gostam do GDR, da nossa maneira de tocar o negócio, apesar de sabermos que falta muito ainda para nos tornarmos uma casa tão boa e receptiva tal qual o nível de nossos amigos e clientes.

São eles:

Flavinho: Esse nem posso contar como amigo e sim como um irmão que escolhi; isso mesmo, Bianca é a minha irmã que Deus me deu e esse cara é um dos irmãos que escolhi

Xuxa: Um grande cara, um coração de ouro, despretensioso, me ajudou demais trazendo uma galera sensacional pro clube, sou muito grato a ele

Marquinhos: Um puta cara parceiro, fiel, tá comigo desde o começo, gente finíssima. Apenas dois defeitos: é corinthiano e tiro certo! De resto, sem palavras; faz parte da galera do Xuxa

Tio: Olha, esse não tem nem o que se falar, pois as palavras vão ser poucas pra expressar a grandeza de espírito desse grandão com seu jeito bonachão e simples. É muito boa pessoa, não sei descrevê-lo bem, o que posso dizer é que é um sujeito muito do bem mesmo

Toral: Um corinthiano safado, mas gente boníssima e também um fiel e assíduo freqüentador, também veio com o Xuxa

Ricardo Rocha: Como jogador realmente um rocha, ruim pra cacete, porém é um novo amigo que me deu muita força; seu carisma trouxe muita gente boa para o clube, sou eternamente grato por isso e por ele ser hoje um grande amigo conquistado. Não poderia não deixar de lembrar nesse momento, de me desculpar por várias gafes cometidas no início, você e a Anita sabem do que se trata, não quero entrar nos detalhes, mas peço de coração que me perdoem por mal-entendidos, por ser inconveniente, mas nunca imaginei que pudesse gerar algum mal estar ou coisas desse tipo. Obrigado Rocha e Anita, me desculpem de coração.

Rodolfo Arapiraca: Desse eu não quero falar muito, to ainda com nojo do que ele fez comigo no pontinho e também ja falei muito dele em outros posts, mas ele continua sendo a maior estrela que conheço, literalmente, pois o fdp tem um brilho como poucos, um brilho de gente do bem, como diz o Luisão, parabéns seu Arapiraca!

Chip Hunter: Pra mim, esse malandro representa tudo aquilo que sempre idolatrei nos orientais, é focado, faz as coisas estrategicamente analisadas, é engenheiro politécnico, além do que joga um Poker de altíssimo nível, pena que não se dedica maior tempo senão seria parada indigesta no mundo dos profissas, coloco-o, seriamente falando, pelo tempo que se dedica ao Poker, um top player (não em torneios, pelo amor de Deus, estrela, larga o AA). Sobre a nossa aposta acho realmente que tenho vantagem e vocês não podem imaginar como é duro dizer isso sem parecer pretensão de superioridade, não é de fato. Sei que ele é um cara sinistro, de uma determinação impressionante, mesmo assim, é injusto pelo fato de que quando ele está trabalhando, eu estou dormindo e o meu trabalho é onde ele se diverte! Com um oponente desses só podemos medir a nossa capacidade lutando com as mesmas cartas ops armas, portanto Luisão, confio muito no seu senso de justiça e qualquer alteração nas regras será bem-vinda. Acima de tudo é uma questão de bom senso, quero disputar com um cara como vc de igual pra igual e falo isso pelo samurai que existe em você, que só merecerá todo o meu respeito.

É isso aí galera, hoje foi um pouco de rasgação de seda e o assunto pano fica pra próxima.

Só uma pergunta: "Sílvio, você tava dormindo????"

"O guerreiro de fé nunca gela, nao agrada o injusto e nao amarela"
Racionais mcs

Saudaçoes Palestrinas

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Uma Nova Perspectiva

Galera do GDR, voltamos a postar após um breve período de meditações no último feriadão.

Antes de falar das coisas do Poker e do GDR, que é o objetivo deste blog, gostaria de comentar aspectos que considero relevantes sobre o desafio que eu e o Roger fizemos a nós mesmos.

Como “viciados” jogadores de Poker que somos, numa dessas conversas que tivemos no Msn, ficamos imaginando alguns desafios que poderíamos estar nos confrontando e diante do impasse na escolha dos itens a serem desafiados, optamos apenas por um, que em nossa avaliação, continha aspectos intrinsecamente adequados, haja vista as belas silhuetas arredondadas castigando nossos esqueletos durante anos, demonstração cabal de que havíamos escolhido o melhor desafio para ambos!

Iniciada a peleja, já me vi em nítida desvantagem, até pelos prognósticos dos palpiteiros e da torcida contrária: “Você não tem chances, pois o Roger sempre foi um esportista, além do que ele joga bola toda semana”, “O Roger vai pra academia todo dia com o seu Personal Trainer, fica lá 3h, depois faz acupuntura, massagem, e passa o dia tomando sopinha”, “Você alguma vez já foi magro, Luisão?, o Roger tem uma capacidade incrível de perder peso” etc.

Essa desvantagem acentuou-se quando o próprio Roger, em uma dessas conversas de botequim, demonstrou seu grande senso de humildade e justiça (sou fã desse cara só por essas virtudes, já no poker...) ponderando que não seria correto tanta vantagem assim e, por isso, queria me dar um contra-peso para o equilíbrio do desafio.

Claro que não aceitei, pois quando homologamos as regras, todas as informações cada um já as tinha consigo e, se não houve dúvidas na hora ou qualquer questionamento sobre as bases da disputa, naturalmente não haveria como contestar agora sobre os meandros que cada um usaria para chegar ao seu objetivo.

Então Roger, vá em frente, sue a camisa, de verdade, mas você encontrou desta vez um adversário que, mesmo em nítida desvantagem (aparente), vai dificultar as coisas pra você.

Não estou cantando vitória, pois sei que o meu adversário é poderoso. Para quem ainda não sabe o Roger foi campeão da Copa do Mundo de Jiu-Jitsu em 2005 e somente por isso, dá pra imaginar o seu poder de concentração e esforço de conquista.

No entanto, estou cantando uma grande satisfação pelo desafio a que nos propusemos. Minha primeira decisão foi ter ido a um SPA no interior de SP, no feriadão, com o intuito de iniciar a minha arrancada pra vitória. Lá chegando, me deparei com várias pessoas, todas elas também se desafiando a perderem seus excessos, ouvi toda espécie de lamúrias, seus desencantos, a falta de saúde, horizontes perdidos, baixa auto-estima etc; confesso, não fiquei nem um pouco confortável até porque eu era um deles, que também estava lá para suprir os meios anseios.

Até que chegou o sábado, e sendo o SPA um recanto adventista, fui convidado pelo dono, um sujeito com uma visão de mundo diferenciada, a orar na capela e ouvir algumas lições que a Bíblia nos oferece.

Eis que nos foi apresentado um sujeito magro, aparentando 40 anos, sereno, fala mansa. Ele seria uma espécie de orador da Bíblia. Iniciada a oração e entremeando com a história de Daniel, escravo do rei Nabucodonosor, personagens do império Babilônico, contou a sua própria história, essa sim, mais interessante e que coadunava com o meu propósito de estar naquele lugar.

Há 3 anos, aos 37 anos ele tinha 160 kgs. Após várias tentativas frustadas de perder os seus quilinhos, ele notara que até aquele momento, jamais tivera a consciência necessária sobre a sua real vontade de perder os seus excessos. Sempre eram os filhos, a esposa, os pais, os amigos insistindo para que ele reagisse diante da mórbida situação. Nesta toada, ele sempre frustava os seus pares, pois depois de algum sucesso, sempre se deparava com os obstáculos naturais de quem tem um problema crônico, voltando à estaca zero.

Até que, por um capricho de nossas consciências, (ou seria a consciência cósmica, hein Roger?), ele, após um período de intensa meditação, iniciou sua nova odisséia: iria dessa vez desafiar a si próprio, pois desconfiara que a raíz do problema era ele mesmo, ou o seu próprio alter-ego, capaz de induzir em sua auto-consciência o poder nefasto que todos temos de nos tornarmos prisioneiros de nós mesmos, necessitados que somos de afagos, conforto, auto-indulgências, mimos, características essas tão marcantes nos seres humanos.

Consciência adquirida, ele pôs-se a agir no sentido de bloquear todas as peripécias e traições de seu alter-ego, desafiando-o para o confronto final.

Esse sujeito, depois de 3 anos, tem hoje 70kg; no entanto, não se sente o vitorioso do desafio, nem acha que vencera o confronto final, pois segundo ele, essa batalha não tem fim, uma vez iniciada, é pra sempre. Diz ele: “Afinal, nós nunca eliminaremos o nosso alter-ego, apenas teremos que desafiá-lo sempre que ele nos tenta trapacear com seus blefes, que hoje sabemos o que representam e então podemos ignorá-los contragolpeando com a nossa própria consciência, a mesma que nos levou a enxergar a grande virtude desse grande desafio”.

Sem saber, ele de certa forma estava tocado num assunto que me dizia respeito, não a de perder também o excesso do meu peso, mas com relação ao desafio. E isso mudou a minha perspectiva diante da disputa. O que quero dizer é que vou me juntar ao personagem acima: nesse Fat Challenge vou desafiar também o meu próprio alter-ego! Vencendo-o, subirei um degrau das oportunidades que a vida tem a nos oferecer. Sei das dificuldades que encontrarei, pois conheço o seu poder. Convivemos dia-a-dia, e na maioria das vezes, ele toma conta de minhas ações; até hoje a convivência tem sido pacífica e passiva, porém decidi que não mais será assim.

Não terei mais os afagos, não preciso mais de conforto. Auto-indulgências, jamais. Quero que a minha consciência tome conta das minhas ações. Quando derrotar o meu alter-ego, o terei como aliado e juntos seremos mais fortes para batalhas futuras.

Tenho batalhado muito, e me sinto já um vitorioso, não por estar perdendo peso, mas por estar usando a minha consciência em prol de mim mesmo. Vou gostar de ganhar o Challenge, mas se não der, vou agradecer ao Roger por essa oportunidade.

Vamos comemorar muito no dia 09 de agosto!

“Sinto dores, sinto um cansaço incrível, mas nada ultrapassa a minha vontade e alegria de treinar até superar o que fiz no dia anterior”. Michael Jordan

Chip Hunter